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segunda-feira, 2 de março de 2015

Filho X Grana


Algumas semanas atrás numa conversa com uma amiga ela me fez a seguinte pergunta: Como você pensa em ter outro filho? São muitas despesas! Não dá para ter outro filho não. Eu respondi que no momento que vivo com minha família realmente não pensamos em ter outro filho... agora!
A vinda do primeiro foi super planejada e a do segundo não pode ser diferente. Mas, em breve sim poderemos ter outro filho a partir de alguns ajustes no orçamento, acredito que em cerca de dois anos estamos "encomendando" mais um filho.
Minha amiga continuou surpresa, afirmando que para ela era impossível ter outro filho dado os gastos com o primeiro. Vai e volta acabo tendo essa conversa de dinheiro X filhos com várias pessoas. Elas dizem que são muitas despesas, que tudo é muito caro, que no mundo de hoje só podemos ter um filho, que dá muito trabalho etc.
Nessas horas lembro-me bem de outra amiga minha que sempre desejou muito ser mãe desde o início da adolescência e que me dizia: se as pessoas criam filhos,( isso mesmo no plural) com um salário mínimo eu tenho certeza que eu também consigo.
Bem, então para aqueles que estão lendo e que já passaram ou passam pelas mesmas interrogações de dinheiro X filhos, deixo aqui minha opinião e como opinião que é, você pode jogá-la fora por completa, aproveitar algumas partes, ou ainda tudo, ou seja, faça como quiser.
Sei que muitas famílias criam filhos com um salário mínimo ou um pouco mais, mas realmente não quero isso para mim e meus filhos. Quero poder levá-los a passeios culturais interessantes e enriquecedores, como cinema, teatro, livrarias...Poder viajar com eles e conhecer lugares e culturas novas e diferentes. E sei que com um salário mínimo ou um pouco mais, não conseguiria isso.
Quero que eles tenham acesso a boa educação, a escolas de qualidade, a um bom curso de línguas, ou ainda quem sabe uma escola bilíngue...aí acho que talvez já não dê...Mas, com certeza eles aprenderão pelo menos duas línguas além da sua língua pátria.
Quero poder proporcionar acesso a bons médicos, hospitais, enfim um bom plano de saúde. Uma alimentação balanceada, lazer com atividade física.
Quero que eles tenham acesso a livros, música, e que com tudo isso que falei acima, eles estejam em condições de competir por um lugar nesse mercado de trabalho louco e cruel tão afunilado. Principalmente, quero que sejam conscientes de suas escolhas e que façam algo que lhes dê prazer. Desejo que nunca trabalhem apenas pelo dinheiro ou para ter algo, ou para participar de um determinado grupo, que o trabalho deles tenha um sentido, um propósito de vida para eles, pois assim sei que terão grande chance de serem felizes.
Agora quanto custa tudo isso? Barato não é, mas também tenho certeza que não é preciso ganhar R$ 15.000,00 para conseguir isso.
Principalmente por que muitas dessas coisas que desejo para meus filhos requer tempo, disponibilidade dos pais. E para ganhar acima da média, ou muito acima da média do mercado,você deve investir muitas, e muitas, horas do seu tempo nesse projeto.
A escola de qualidade não necessariamente é a escola mais cara. E não se esqueça que nós pais temos um papel complementar ao da escola. Nossos filhos irão aprender na escola sim, mas também conosco em casa e com uma vida de estímulos e interação social que nós podemos proporcionar a eles. A escola tem que lhe agradar em estrutura física e de pessoal. Para mim enquanto psicóloga, penso ser muito importante a presença desse profissional na escola. A linha pedagógica também é de extrema relevância. A distância da sua casa, afinal você irá fazer esse caminho por muito tempo. Enfim, dá para pesquisar e escolher uma boa escola de valor intermediário. Não precisa ser a mais cara, nem a mais barata.
Os planos de saúde estão pela hora da morte, mas dá para pesquisar e também conseguir um bom plano sem ser o mais caro, ou dá para conseguir pagar o mais caro de repente... Afinal saúde tem que cuidar. E principalmente prevenir e prevenir na maioria das vezes saí bem em conta. Além do que sempre se pode poupar em determinados setores para poder investir em outros.
O mercado oferece inúmeras tentações para quem tem filhos, muitas delas podemos passar sem ou conseguir mais baratas etc.
"Meu filhos só usa fralda tal" pode ser...mas vc já testou outras? Mesma coisa para pomadas e tantas outras coisas que existem inúmeras opções... teste.  Existe um mundo de possibilidades para cada item que a criança usa e com preços inúmeros, também.
A propaganda é linda a maioria das mães que você conhece usa....mas, já se permitiu fazer um verdadeiro teste comparativo entre os produtos, esquecendo-se por um tempo de toda a propaganda vinculada na mídia? Seu filho pode ser um consumidor bem diferente dos demais e preferir outros produtos que não o da maioria. Contudo, você só saberá disso se permitir experimentar opções diferentes.
Será que precisa mesmo de um sapato combinando com cada roupa? Será que a festa de aniversário precisa mesmo ser "aquela" festa de aniversário? Sempre existem opções intermediárias e não é porque é mais barato que não é bom, que não presta.
Existe todo um jogo de mercado que leva a maioria de nós a querer comprar sempre o melhor do melhor, e dar tudo e mais um pouco para aquela pessoinha que nós mais amamos no mundo...Contudo, o melhor do melhor é muito relativo e cada família tem que descobrir o seu.
Acredito que quando deixamos de nos preocupar tanto ou de querer tantas coisas para nossos filhos que nem mesmo sabemos se eles querem, não precisamos trabalhar tantas horas mais, ficar ausente horas mais etc. E com isso conhecemos melhor nossos filhos, contribuímos mais para o seu desenvolvimento e uma família maior com irmãos com certeza faz parte também desse pacote.
É difícil não sucumbir ao encantador mundo do consumo e nem sempre conseguimos,
eu sei! Mas, não devemos parar de tentar de não nos deixar consumir.

Vanessa Nascimento

sábado, 12 de outubro de 2013

A dificuldade em se fazer um enxoval neutro

                 Desde muito antes de engravidar sempre tive em mente o quanto o mundo dos bebês nos solicita a consumir, e muitas vezes sem necessidade alguma. É claro que a criança precisa de vários itens, mas muitos dos itens que compõem aquelas listas de enxoval que nos são entregue nas lojas, são supérfluos e desnecessários se analisarmos com um pouco mais de cuidado.
Não obstante, minha maior dificuldade não é em relação a que itens são realmente ou não necessários, mas está em relação a se fazer um enxoval neutro. Lembro muito bem que na época da minha mãe e das minhas tias elas não sabiam o sexo dos seus bebês até o nascimento. Faziam os enxovais neutros, que tanto serviriam a um menino ou uma menina, e ainda poderia ser repassado para o próximo herdeiro.
A sociedade de consumo nos estimula e insita a consumir constantemente, e, muitas vezes, nem conseguimos pensar sobre o que estamos fazendo. Apenas reproduzimos um comportamento já institucionalizado na sociedade. Repetimos frases como: “Todo mundo faz.” ou “As coisas são assim mesmo” entre outras.
Antes de ficar grávida sempre pensei em fazer um enxoval neutro, afinal são muitos os itens de gastos com uma criança e eu e meu marido priorizamos bens duráveis, tal como a educação e investimento em cultura, por exemplo. Também sempre pensamos em termos mais de um filho, e gastar uma fortuna para cada filho, personalizando tudo relacionado ao sexo de cada um não estava em nossos planos.
Ao ficar grávida me deparei com uma novidade os enxovais neutros estão em extinção. Tudo é muito dividido entre rosa e azul. Principalmente os itens mais caros, como carrinhos, bebê conforto, os bendito kit berços, etc. como também itens mais simples como as roupinhas, brinquedinhos... Ainda que você encontre uma roupa linda em amarelo, laranja, verde ou vermelho, elas vem com detalhes do mundo masculino ou feminino, que deixam claro para quem se destinam. Assim, você pode até comprar uma banheira laranja, mas ela virá com florzinhas, borboletinhas e laçinhos que deixam claro a referência ao mundo feminino.
Estou grávida de pouco mais de 5 meses e desde o início senti essa dificuldade. Ao ir às lojas nos primeiros meses e pesquisar itens grandes como berço, cômoda, carrinho, banheira, etc. a primeira pergunta que as vendedoras me faziam era “É menino ou menina?”. Na hora me subia uma raiva. Eu sempre respondia quero neutro, para aproveitar para o próximo filho. E então, a vendedora me olhava com uma cara estranha como se eu estivesse falando alguma bobagem.
Continuando minhas andanças e pesquisas, pelo mundo das compras de bebê, percebi que essa não era uma posição só das vendedoras, mas também dos fabricantes. Recentemente descobri até que algumas marcas só produzem produtos rosas e azuis. Mas, fala sério, num universo de cores tão lindas e variáveis, porque temos que nos restringir a essas duas cores? Quem foi mesmo que escolheu o rosa para as mulheres e o azul para os homens?
Alguém pode dizer, mas você como psicóloga não deveria ter problema em comprar coisas rosas para meninos e azuis para meninas. Poderia te responder que eu não tenho, até porque quando crescemos usamos roupas de todas as cores, podemos exercer qualquer profissão... apesar de ainda termos muitos problemas sobre o que cabe ao homem e ao mulher profissionalmente. Todavia, não vou criar meu filho numa bolha ou rodeado apenas por pessoas digamos... de mente mais aberta. Tenho certeza de que se colocasse meu filho todo numa roupa rosa, numa banheira rosa, num quarto rosa, as pessoas estranhariam e muito. Afinal, é natural que esperemos esse tipo de comportamento.
Estamos numa sociedade heterodeterminada. Ou seja, que define bem os mundos entre o que é dos homens e das mulheres, o que cabe a um sexo e ao outro. E as roupas e decorações de bebê são apenas o início disso.

Você pode ir contra isso, mas pagará o preço por ser diferente. Pagarei e ajudarei meu filho ou filha a pagar quando ele se interessar, por exemplo, por poesia, por brincar de família e não com monstros destruidores. E se um dia tiver uma menina, se ela quiser ir para o kart com o pai, quiser brincar de super heróis, etc. também vou ajudá-la a pagar o preço de ser diferente. Mas, por agora, enquanto bebê, não quero criar tantas polêmicas, só algumas....
Sempre me perguntei por que tanto rosa e azul, e hoje vejo que nós pais temos poucas opções realmente, pois os fabricantes muitas vezes não nos dão essa opção. O interessante numa sociedade capitalista é que a cada filho você compre tudo novo de novo. E resistir a essa tendência é extremamente estressante, desgastante, porque você realmente está nadando contra a maré. Você tem que pesquisar mais, procurar mais lojas, mais opções, e tudo isso num momento que você não dispõe de 100% da sua bateria de energia.
Outra dificuldade que percebi é que alguns itens como os benditos kit berços quando são de temas ou cores neutras tendem a ser mais caros, do que aqueles que já deixam bem claro se naquele berço dormirá um garoto ou uma garota. Se você quiser um kit berço diferente então... pode se desdobrar para procurar e pagar. Já que os mais em conta são os de temas já bem conhecidos no mundo dos bebês e nas cores tradicionais. Os personalizados saem do modo como você quer, mas talvez não no item bolso....
Enfim... no próximo post contarei um pouco da saga sobre a compra do meu kit berço. Mas, já confesso que tentar não sucumbir às tentações do consumismo é uma tarefa bem difícil, afinal você quer tudo do melhor e mais lindo para o seu pequeno. Porém, temos que ter em nossas mentes que o melhor e mais lindo para o nosso filho sempre será o tempo, o amor e o cuidado que dedicamos a ele.

Abraços do centro oeste,
Vanessa Nascimento

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Seu filho não é seu!


“Como assim?! Claro que meu filho é meu!!!” Você deve estar pensando. A psicóloga pirou de vez!!! (risos)

O título tem mesmo a intenção de mexer e cutucar com as mãezinhas que nos visitam. Quando digo que ele não é seu, é que quero dizer que ele é DELE!

Claro que enquanto pequenos e sem entendimento dos perigos da vida cabe a nós, mães, resolver o que é o melhor para nossas crias. Mas e quando eles já passam a ter opinião própria? Muitas mães continuam planejando e pensando por seus filhos mesmo depois de que eles estão adultos e com suas próprias famílias. Se ele for do tipo rebelde vai viver em “pé de guerra” com a mãe. Se for obediente, poderá ter muitos problemas no casamento, caso a esposa pense diferente da sogra. Assim sendo, quando mais cedo entendemos que nossos pequenos são pessoas, indivíduos e passamos a tratá-los como tal, mais suave serão as mudanças, os momentos de crise que fazem parte do desenvolvimento (dele e seu).

Continuando o tema da terça-feira passada com relação aos meus sonhos e os sonhos que a Nadine ainda nem tem... se me policio para não colocar nela as MINHAS expectativas o que procuro fazer é criar oportunidades de contato com tudo que possa vir a ser interessante e que está ao alcance. Por exemplo: pretendo colocá-la para fazer natação ano que vem (mais por segurança que por qualquer outro motivo). Pode ser só mais uma diversão, ou quem sabe ela toma gosto? Assim como pode ser que tome gosto por balé, ou judô, ou caratê, ou piano, ou quaaaaaalquer outra coisa que quando estiver maior e souber dizer no que tem interesse.

O importante é ficar atenta à criança e não aos seus sonhos. Estimular é importante, mas também deve ser interessante para a criança, se não pode virar punição. Quando Nadine tinha mais ou menos 1 ano e descia com ela para brincar no pilotis do prédio comecei a ensinar as cores mostrando os carros dos estacionamento, mas ela não se interessou tanto pelas cores, mas mais pelas letras e números das placas. Isso quer dizer que ela tem mais tendencia para ser escritora que ser artista plástica??? Isso significa NADA!!!

Um dos sonhos que me dá mais orgulho é que ela possa vir a ser uma escritora (Meu sonho infantil de carreira frustrado (pelo menos por enquanto)), mas esse sonho é MEU, não DELA.

No entanto os modelos que cercam o mundo da criança podem ser fatores decisivos. Eu gosto muito de ler, de escrever, de trabalhar com gente, já o pai dela trabalha com tecnologia da informação, tem um skate em casa, mesmo que esteja “aposentado” da atividade. Os avós paternos são bastante religiosos e ativos em movimentos de evangelização, a avó materna é extrovertida e gosta de viagens e festas enquanto o avô materno é tímido, sensível e também gosta de escrever. A minha pequena tem um leque bem diferenciado e pretendo ampliá-lo sempre mais e mais.

Cristine Cabral