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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Príncipes e Princesas! Mas o que é mesmo ser um príncipe ou uma princesa???



O post de hoje resolvi fazer diferente. É um texto que escrevi para meu filho recentemente, explicando a ele o porquê de chamá-lo de príncipe. Depois de pronto, considerei uma boa alternativa para partilhar com vocês. É um texto destinado ao Nicolas mas que pode ser muito bem aproveitado por todos! Ele segue abaixo.
Nicolas, hoje a mamãe recebeu um lindo conjunto de macacão que comprou pela internet. Na realidade foram dois conjuntos, mas um deles é mais especial porque eu o escolhi para ser a primeira roupa que você vai usar ao nascer.
Ele é lindo! Branquinho com detalhes em azul e de ursinho. O macacão vem com um agasalho por cima que tem um ursinho com uma linda coroa e no detalhe da perna diz em francês: Eu sou um príncipe!


Isso me fez pensar que muitas mães e pais chamam seus filhos e filhas de príncipes e princesas. Acredito que várias devem ser as razões para isso... como, por exemplo, que toda família é um reino, com o rei e a rainha e que seus filhos são seus príncipes ou a princesas. Outra razão que me parece ser bem comum é considerar o filho ou a filha de uma beleza dignas da realeza segundo o senso comum.
E porque tanta importância, ou questionamentos acerca do que levam os pais a chamarem seus filhos(as) de príncipes (ou princesas)? É algo tão natural, tão comum afinal de contas. Contudo, para mim as palavras e o porque de dizê-las, seu significados e significantes, tem sim muita importância, afinal elas nos constroem em grande medida.


Essas reflexões levaram-me então a pensar nos meus motivos e os de seu pai Nicolas, para chamá-lo de príncipe. Então, filho, aqui vai uma breve explicação do porque para nós você é um príncipe.
Nós acreditamos que um príncipe muito acima de ser belo, deve ser um ser humano bom , que preza pelo bem comum em suas ações, que preocupa-se com o bem estar do outro tanto quanto o seu próprio bem estar. É aquele que não faz ao outro o que não quer que o outro lhe faça. É uma pessoa que possuí respeito e cuidado para com os mais velhos. É um homem educado e gentil para com todos, e que sabe que o mais importante não está na superfície, na aparência das pessoas, mas sim dentro delas, em sua alma e seu caráter. Um príncipe entende que esses valores são muito importantes do que beleza, classe social, cor ou religião.
Um príncipe, para nós seus pais, é um ser humano que busca sempre a justiça, que procura ser honesto e justo em tudo aquilo que faz, simplesmente porque acredita que é o correto a se fazer. Um príncipe não mente! Nem para si mesmo ou para qualquer outro, porque a mentira não pode trazer nada de bom nem justo.
Ele trata as mulheres com gentileza, respeito e amabilidade, porque assim merecem ser tratadas as damas, as princesas e as rainhas que partilham dos mesmos valores de um príncipe como você.
Ao escolher uma mulher para dedicar seu amor a ela,  a respeita, cuida dela, como uma joia rara que foi presente de Deus. Mas, a escolha muito bem! Pois, nem todos são educados para serem verdadeiros príncipes ou princesas. Acredito que eu e seu pai lhe educaremos para que você saiba distinguir as verdadeiras princesas das falsas.
Então, Nicolas, por tudo isso que lhe dissemos você é um príncipe! Porque você será educado para ser um homem que preza pela justiça, que pratica a bondade, que busca em suas ações o que é correto e bom para todos além de si mesmo. Será educado para respeitar e ser gentil com os mais velhos, e com todos. Independente de qualquer critério superficial, porque você aprenderá que o mais importante são os valores que as pessoas carregam dentro de si e que constituem o seu caráter. Você é um príncipe porque será um homem cheio de sabedoria e inteligência e saberá usá-las em seu cotidiano e não apenas em questões teóricas.
Eu e seu pai nos esforçamos para praticar esses valores todos os dias. É verdade que nem sempre conseguimos, pois somos seres humanos falhos, com defeitos, mas sempre nos esforçamos para conseguir ser como um rei e uma rainha devem ser. Esforçar-se para fazer o certo é sempre o mais importante!
Nunca acredite se lhe disserem o contrário! Eu e seu pai somos muito felizes e você é fruto desse amor muito feliz que vivemos nesses mais de 14 anos juntos. Acredite em nós! Príncipe!
Vanessa Nascimento

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Será que ele é...?

Se você começou a perceber a que filho, ou filha de 6 anos de idade está demonstrando tendências homossexuais, está na hora de procurar um profissional de psicologia, o quanto antes... PARA VOCÊ!!!!

Se a criança tem menos de 10 anos e isto já é uma preocupação para os pais é melhor procurar ajuda profissional para tentar responder a você mesmo as seguintes questões:
- Por que estou achando que a a minha criança é homossexual?
- Como me sinto a respeito?
- E se for mesmo, o que pretende fazer?

Antes de continuar desenvolvendo o tema devo deixar claro que, ao longo da minha argumentação, não tratarei de qualquer aspecto que envolva qualquer religião. Primeiro por que se fosse levantar argumentos das religiões cristãs, seria justo que também fizesse o mesmo com as demais: afro-descendentes, judaicas, espíritas, etc. E também por que o código de ética não me permite, pois aqui deixo claro que minhas opiniões vêm não só da minha experiência como mãe, mas também dos meus estudos e experiência como psicóloga. 

Recentemente, em um dos grupos virtuais de mães que participo, uma delas fez a seguinte postagem:

"Meu filho de 6 anos me falou com tom de estar se desculpando que estava brincando de boneca Polly com uma amiguinha. Eu baixei ate a altura dele e disse: Meu filho não vejo problema em vc brincar de boneca, vc é ou tem vontade de ser gay? Ele disse prontamente: Nãooooooo! Eu finalizei: Brinque do que quiser, isso não vai influenciar vc em nada! Isso serve para as mães que tem taaaaanto medo dos filhos se tornarem gays..."

Evidentemente surgiram depoimentos de apoio e também de críticas.

Vamos por partes: quanto às brincadeiras. De forma alguma os brinquedos ou brincadeiras serão determinantes, ou serão influência para a determinação da orientação sexual. Eu, particularmente, acho muito tedioso a seção de "brinquedos para meninas", tudo rosa e lilás. Uma menina não pode gostar de verde, ou amarelo, laranja, azul, etc????

Outra questão, o homossexual não "se torna" gay. Ele é! Faz parte da sua identidade como pessoa. Assim sendo não vai ser proibindo seu filho de assistir Angelina Bailarina que ele se tornará o machão que o pai sonha. Logo, assim como ele não "vira", também não "desvira".

Uma das críticas que a mãe da postagem acima recebeu é que ela fez uma pergunta muito "pesada" para uma criança de 6 anos.

Como não conheço pessoalmente, nem virtualmente, a mãe que disponibilizou seu depoimento, não posso ter certeza, mas pelo tom da pergunta, imagino que este assunto deve ser corriqueiro nas conversas entre mãe e filho. 

Tudo depende da forma como o homossexualismo é tratado. Para descrever o que é uma pessoa homossexual para uma criança pequena, não se precisa tocar na questão das práticas sexuais, ou mesmo da anatomia dos órgãos genitais. Basta falar de AMOR! Se a explicação é que existem homens que amam mulheres, assim como homens que amam outros homens e mulheres que amam outras mulheres, esta informação pode ser facilmente assimilada por uma criança de 6 anos, ou mesmo de 3, ou 2.

O menininho em questão respondeu à mãe que hoje ele não tem vontade de ser gay. O que ainda é muito cedo para qualquer pessoa, mesmo a própria criança, ter alguma certeza. Mas se por acaso a resposta fosse outra, acredito que ele falaria com a mesma tranquilidade: "Não sei." ou mesmo "Sim". Primeiro pela pouca idade e o não conhecimento exato do que significa. E segundo por sentir acolhimento e confiança na mãe. Ou seja, mesmo que esse menininho venha a ser gay, ele se sentirá aceito e saberá que não precisa ter vergonha da sua condição.
Minha Vida em Cor de Rosa sobre um menino transsexual

E por fim, gostaria de explicar um pouco sobre as diversas possibilidades homossexuais que existem. A sigla hoje para identificar e defender a classe é GLBTT.
G de gay. O que não necessariamente significa ser efeminado. Assim um menino que joga bola, luta judô, ama carrinhos, pode sim um dia se descobrir gay.
L de lésbicas. O que foi dito sobre os meninos também se aplica às meninas. Existem lésbicas que gostam de ter um visual mais masculino, assim como existem aquelas que a feminilidade ultrapassa inclusive as de muitas mulheres hétero.
B de bissexuais. São pessoas que podem sentir atração por qualquer um dos gêneros. 
T de travestis. São homossexuais, ou não, que gostam de se vestir com as roupas do sexo oposto. Mas que são satisfeitos com sua genitália. Estes não procuram cirurgias de mudança de sexo.
T de transsexuais. Estes é que desde a mais tenra infância demonstram um desconforto com o próprio sexo. São meninos presos em corpos de meninas, ou vice-versa. São estes que procuram cirurgias de mudança de sexo, lutam para conseguir mudar os documentos para um nome mais adequado à sua identidade psicológica.

Acredito que muitas mães têm medo que seus filh@s (o @ é usado quando se deseja incluir os dois gêneros em uma palavra só. Na internet) sejam gays, mais com medo do preconceito que eles provavelmente vão vivenciar em diversos momentos da vida, do que propriamente da sua condição em si.

Mas para que nenhuma mãe venha a sofrer vendo @ filh@ ser vítimas de preconceito, cabe a cada uma de nós avaliarmos se no nosso dia a dia deixamos transparecer algum comportamento de cunho homofóbico. 

Dizer: "Eu não tenho preconceito." é fácil...

Cristine Cabral

Caso queira continuar a leitura sugiro os posts:
Sonhos de Mãe onde falo sobre a importância de separarmos o que é desejo nosso e o que é verdadeiramente desejo da criança.
E isso é normal?!?! texto sobre os padrões de "normalidade".

terça-feira, 26 de março de 2013

Contar ou não contar?

Seguindo com o tema adoção.

A pessoa que nos mandou essa sugestão de tema, nos perguntou qual a hora certa de contar e como contar. 

Acredito que quanto mais cedo a criança souber melhor, principalmente para que não fique aquela sensação de que os pais passaram a vida inteira mentindo. A mágoa muitas vezes é mais pelo sentimento de ter sido enganado, do que propriamente o fato de ser adotado.

O "como" pode ser ajudado pela fantasia. Exemplo:


"Era uma vez uma moça que se sentia muito sozinha e então um dia uma fada madrinha trouxe para ela o melhor presente do mundo, o bebezinho mais lindo de todos..."
ou
"(a mesma moça, ou um casal) certa vez foram passear num jardim cheio de lindas crianças e eles escolheram a mais linda de todas para poder dar muito amor..."

Quanto mais próximo da realidade melhor, pois a proporção que a criança for crescendo e tendo curiosidade sobre sua história e as perguntas forem surgindo, mais "fácil" ficará para os pais contar os detalhes e para a criança fica melhor de transformar a fantasia em realidade.

Ressalto um fator de muita importância: se qualquer mãe deve ficar atenta aos comportamentos e sentimentos de um filho, a mãe de uma criança adotada deve estar mais presente ainda, conversar sempre com sinceridade sobre todos os assuntos inclusive a própria adoção. Só conversando muito se pode saber como a criança se sente com relação a este tema.

O ideal é que seja um assunto "normal" sem muitos melindres, ou medo de traumas. Lembrando que proteção demais as vezes é mais prejudicial para o desenvolvimento emocional, como já comentei na postagem "Ouwn, o bichinho..."

Certa vez soube da história de duas irmãs adotadas e uma delas havia se suicidado. E o comentário seguinte foi: "Mas a mãe nunca fez diferença entre elas. Tudo que fez pra uma fez pra outra"

Primeiro: mãe não tem culpa de tudo que acontece com os filhos, principalmente no que diz respeito a forma como eles se sentem. A mãe pode sim ser próxima, companheira, mas o comportamentos e sentimentos dos filhos dizem respeito a eles mesmos. Principalmente depois de adultos.

Segundo: o que levou a moça ao suicídio foi a depressão. A de verdade. Aquela patológica que precisa de medicação e acompanhamento terapêutico. Nenhum problema por si só leva uma pessoa ao suicídio. Se fosse uma relação de causa e efeito todos que passassem por isso encontrariam a mesma "solução".

Terceiro: a moça poderia ter problemas dos mais diversos e variados. Não necessariamente foi algo relacionado à adoção, ou a mãe... 

Outra pergunta que nossa leitora fez é se a escola deve ficar sabendo. Bom, depende. Se for um assunto tratado com naturalidade, provavelmente o assunto vai acabar sendo comentado. Se a criança for muito diferente fisicamente dos pais ou irmãos (não gosto de falar em raça, para mim quem tem raça é cachorrinho. Somos todos da raça HUMANA!) é só mesmo uma questão de confirmação de algo que já está constatado. 


Famosos, mesmo com filhos biológicos, estão dando este exemplo. Antigamente a adoção era um  tabu, comentado por julgadores maldosos como meio que a solução de uma "incompetência" biológica, ou por que "foi o jeito" por que as crianças eram colocadas nas portas. Infelizmente existe gente assim, independentemente do tema, vide o post "Inocentemente" indelicada Hoje, felizmente, é visto mais como um ato de amor do que qualquer outra coisa.

E se foi por amor, por que esconder?

Uma criança adotada não é uma "coitadinha" que foi abandonada pela mãe, é uma felizarda de ter encontrado uma mãe, um lar, uma família e muito amor.

Cristine Cabral

terça-feira, 5 de março de 2013

O melhor estímulo

No último post assinado por mim O "mais, o "melhor", o "primeiro" comentei sobre a preocupação das mães em estarem estimulando as crianças desde os primeiros dias de vida. Para quem leu com pressa, ou sem a devida atenção pode ter parecido que sou contra a estimulação infantil. Por isso resolvi voltar ao assunto hoje.

Quero chamar a atenção não é para a estimulação em si e sim para o excesso desta. E que isso pode ser mais prejudicial do que saudável à criança. No caso de uma infância vivida sob a pressão da busca de resultados, com agenda cheia de atividades e com pouco tempo para lazer. Ou seja, a vida de um "mini-adulto".

Sem falar que se perde o prazer das descobertas, pois constantemente estimuladas os aprendizados naturais de cada fase passam despercebidos, pois estes já foram "adiantados" na fase anterior. 

Lembrei agora do desenho animado que mais gosto: Sid, o Cientista. Para quem não conhece o personagem toda manhã ele faz uma "descoberta" e a partir dela aprende "tudo" sobre aquela coisa. Faz tempo que fiz a faculdade de Letras, mas lembro vagamente sobre o Construtivismo um método de ensino que apreende a educação tendo como ponto de partida as experiências e conhecimentos já adquiridos pela criança. (Caso alguma pedagoga leia e queira colaborar deixando algo mais sobre o assunto nos comentário, só podemos agradecer)

Tem coisa mais linda que um bebê de poucos meses descobrindo as mãozinhas? Quem tem um em casa, observe a forma atenta como olha para cada dedinho. Quem já teve, espero que tenha tido a oportunidade de observar e lembrar. E esta beleza pode ser repetida e testemunhada em cada nova descoberta. O poder de ficar em pé, de conseguir andar, de saber-se capaz de subir e descer, a mágica de poder colorir com tinta ou giz de cera... nem que sejam as paredes.

Então, na minha humilde opinião, o melhor estímulo é a presença de alguém que seja importante para a criança. Para estimular a linguagem nada melhor do que ter alguém que fale com a criança. Tv, dvd´s educativos, brinquedos interativos que falam (muitas vezes em português, inglês e espanhol) estimulam sim a aquisição da linguagem, mas não ensinam a interagir com outras pessoas, não expressam sentimentos, não nomeiam para a criança o que ela está fazendo ou o que ela está sentindo.

Mais uma vez voltando aos meus tempos de psicóloga de empresa. Muitas vezes cheguei a entrevistar pessoas com currículo escolar impecável, mas sem nenhuma habilidade social. Não sabiam lidar com ansiedade, pressão ou frustração que poderiam reagir das mais diversas formas, desde uma explosão emocional no meio do ambiente de trabalho, ou mesmo a necessidade de ter um afastamento do trabalho por estresse ou depressão. Nenhuma das alternativas é interessante nem para a empresa, muito menos para a pessoa.

Então antes de estimular seus filhos a serem excelentes alunos, grandes profissionais, estimule-os a serem BOA GENTE. Pois é isso que eles (e todo mundo) são antes de ter qualquer papel na sociedade. Somos todos pessoas. 

Em outras palavras, estimule a se comunicar adequadamente, a compartilhar, ensine o nome dos sentimentos e como lidar adequadamente com cada um, principalmente com os desagradáveis. Não raro quando frustrada, minha filha quer jogar as coisas no chão, mas quando isso acontece digo a ela: "Você pode ficar com raiva, não tem problema, mas não pode se comportar mal por isso."

Agora tem um detalhe importante: só podemos ensinar o que sabemos. Caso você tenha dificuldades nos seus relacionamentos, não sabe lidar corretamente com seus sentimentos, quanto mais cedo procurar ajuda melhor. Não uma ou duas vezes aconteceu de uma criança chegar à clínica com queixa de não respeitar autoridades, de responder agressivamente às pessoas, de não gostar de ser contrariado, etc. E no desenrolar da terapia, com algumas entrevistas com os pais chegamos a conclusão de que a criança está apenas copiando um dos modelos que já tem em casa. Alguns pais reconhecem e partem a procura de ajuda, outros simplesmente não dizem nada, mas "desaparecem" da terapia, outros continuam insistindo que querem que a criança mude, mas que eles não tenham que mudar. 

O que você gostaria que seu filho falasse para você? Que ele a ama, que você é importante para ele? Então seja você o modelo. Diga para ele o que sente. Lembre-se criança não faz o que a gente diz. Faz o que a gente FAZ! Se você quer a companhia dele na sua velhice, crie e fortaleça o vínculo hoje, dê a sua companhia a ele hoje.

"Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar." Dalai Lama


Cristine Cabral


sexta-feira, 1 de março de 2013

Eu quero a minha Mãeeeeee!!!

A semana passada foi daquelas! Na terça a Eduarda começou com uma crise de tosse antes do jantar e só parou depois de vomitar várias vezes. Como tenho muita alergia respiratória e quase sempre estou "fungando" no início achei que teria sido algo diferente que passou aqui por casa...talvez o gato, alguma roupa de lã, o frio... O chato é que a tosse e o mal estar continuou durante a madrugada, ela começou a ficar ofegante, com dificuldades para falar de tanto tossir e com muita expectoração.
Bem, como ela tinha passado por duas crises nas semanas anteriores não foi difícil chegar a conclusão de que tudo isso era resultados de gripes mal curadas... O frio daqui não ajuda nada, muitas mudanças de tempo...
A noite foi longa e logo quando acordamos resolvi levá-la a urgência infantil. Com doença não e brinca. Realmente ela tinha muita expectoração (peito cheio) e foi logo fazer inalação. Examinaram novamente acharam que ainda tinha algo nos pulmões e ela foi encaminhada para o Raio X. Eu sou calma, mas nessas horas bate sempre a insegurança, medo, receio, fraqueza.. enfim.. uma mistura de emoções. Após o Raio X ela foi novamente encaminhada para fazer novamente inalação. Entretanto em urgência vão sempre chegando mais crianças. É definitivamente um ambiente desagradável, ver crianças em sofrimento é muito difícil.  Sinto imenso e sofro junto com as crianças e os pais. Uma mãe estava a chorar porque o filho tinha que ficar internado, que dó! Tentei consolá-la...mas é difícil...sou mãe entendo perfeitamente.
Tenho colegas que trabalham com Psicologia Hospitalar e admiro muito o trabalho feito na área. Como Psicóloga e ser humano este é um limite pessoal. Ainda bem que existem pessoas com esta força!
Depois de passar quase o dia inteiro no hospital a Eduarda foi novamente examinada e liberada para ir para casa. Ufa.... mesmo assim eu e meu marido resolvemos não levá-la a creche por uma semana. Para ela poder se recuperar e diminuir a possibilidade de uma recaída. Rotina diária completamente alterada.
Acontece que eu também não estava bem de saúde, minhas crises de rinite e laringite e "ites" e "ites" fazem de mim uma pessoa constantemente "gripada". Meu marido também ficou, por isso a semana foi PESADA. Noites mal dormidas...preocupações... A casa ficou de cabeça para baixo e as prioridades deixaram de ser prioridades. Na realidade a "única" prioridade era ter a minha filha bem de saúde.
Mesmo com trinta e cinco anos nessas horas bate um desespero e só penso: " EU QUERO A MINHA MÃE!!!". Como seria tudo mais fácil com ela por perto. Seu apoio, força, dedicação e amor... Depois penso como tenho sorte de ter a minha MÃE, porque nem sempre ter mãe significa ter MÃE, correto? Mesmo do outro lado do Atlântico só em pensar nela já me sinto mais confortável, minha mãe é tão maravilhosa, tão forte e presente que as forças não demoram por voltar! Ufa! Um exemplo de mulher, mãe e amiga... dona Irene, gente boa! (risos). Espero poder transmitir esse sentimento a minha filha, de amor aos Pais... a importância do vínculo familiar, pois família é um bem precioso. E também tenho que citar o papai para ele não ficar com ciúmes, não é sr Alcides? Outro amor de pessoa...e um vovô camarada.

Morar longe, ou seja, do outro lado do Atlântico da nisso. Somos só nós os três, viva! E antes de ser psicóloga sou um pessoa mais que comum...também sofro, sinto medo... essas coisas de gente "normal"... (risos). Sem falar em saudades...

O importante é que passamos por mais uma batalha. Mais fortes? Talvez...ver um filho doente destrói qualquer coração, haja força para os pais!

Saúde para todos!

Saudações de terras lusas...

Taciana Ferreira

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Dificuldades de Aprendizagem: Um Bicho de 7 cabeças?


Inicío o texto com a seguinte pergunta: Quando não existia escola havia dificuldades de aprendizagem? 

Não, definitivamente não! Como poderia existir alguma dificuldade de aprendizagem no âmbito escolar se não era necessário ir a escola, aprender a ler, fazer contas...etc...etc...?

Então, aonde quero chegar? As dificuldades de Aprendizagem surgiram quando foi necessário que todos tivessem que ir a escola Aprender. Parece óbvio, mas muito vezes caímos no erro de achar que há algo de errado em nossos filhos porque eles não aprendem, em vez de tentar entender o motivo do problema. Sendo a escolaridade obrigatória e o sucesso escolar almejado e desejado por todos os pais aos seus filhos, quando isso não ocorre facilmente vemos pais frustrados, preocupados e até mesmo desesperados!

De fato, e aproveitando um pouco do que a Cristine referiu no texto passado, os pais precisam conhecer os seus filhos. Estar atentos aos primeiros sinais de possíveis dificuldades. Para as crianças que vão a pré-escola muitas vezes os professores é quem são os primeiros a perceber quando algo não vai de acordo com o esperado para a idade.

É importantíssimo, que haja compreensão e sabedoria dos pais para os avisos, que escutem e saibam receber a notícia como ajuda e não ofensa. Do tipo: "Não, não meu filho não é assim..o meu filho é inteligente"! Proteger o filho nem sempre significa ajudar. Escutar o que o professor tem a dizer, procurar outros profissionais é sempre a melhor opção. 

Vou dar um exemplo de um caso em que a criança com 2,3 anos falava muito pouco e parecia estar sempre "desligada" de tudo na creche e também em casa. Sabem qual era o problema? Ela ouvia muito mal...resolvido o problema de audição rapidamente a criança desenvolveu a linguagem. Depois cito os casos de crianças que têm dificuldade em aprender a ler no primeiro ano, e que facilmente são consideradas disléxicas, mas têm problemas de visão... O quanto antes detectado o problema de modo correto melhor. 

O primeiro ano escolar é muito importante para a criança e o acompanhamento dos pais ainda mais.  O acompanhamento diário dos pais nas tarefas escolares dos filhos influencia de modo positivo o desempenho das crianças. Aaprendizagem da leitura de modo correto pressupõe a aprendizagem das outras matérias, pois para aprender matemática é preciso ler e interpretar. Muitas vezes a criança não consegue acompanhar o ritmo da turma e compara-se aos colegas que não parecem ter qualquer dificuldade e conclui que é " menos capaz. Quando isso ocorre o passo para o evitamento da tarefa é rápido! Não queremos que o problema chegue a esse ponto? Não.


Logo, a avaliação da dificuldades de aprendizagem no 1º ciclo permitirá perceber melhor as dificuldades do aluno (por estar centrada em áreas relativamente delimitadas) e também por ser realizada num momento em que com maior sucesso se poderá evitar acumulo dos problemas. 

Conforme Lopes (2010), a avaliação tem que ser feita nas áreas deficitárias (ex. leitura e cálculo), e nos processos que estão envolvidos, processos esses treináveis e também em áreas fundamentais como a motivação para a aprendizagem e as relações com os colegas. A abordagem destas áreas irá permitir uma melhor compreensão do aluno face à escola, bem como as probabilidades de um intervenção bem sucedida.

É importante entender que a aprendizagem escolar não é algo que se desenvolve com o passar do tempo e sim um processo que se treina diariamente. Por isso pais, se o seu filho apresentar dificuldades de aprendizagem, não se desespere! Procure ajuda e dê apoio a criança. As crianças agradecem e nós também.

Saudações de terras lusas,

Taciana Ferreira










domingo, 20 de janeiro de 2013

Proteja seus filhos

Texto compartilhado pelo facebook. Encontrei-o em diversos sites, mas nenhum trazia a fonte, nem o autor, assim sendo preferi copiar e colar aqui.

Informações importantíssimas.

COMO PROTEGER NOSSOS FILHOS DE ABUSOS SEXUAIS:

Mães e Pais, é um texto pouquinho grande , mas extremamente valioso !!! POUCAS pessoas se sentem à vontade quando o assunto é o abuso sexual de crianças. Os pais tremem só de pensar nisso! Mas esse tipo de abuso é uma realidade assustadora e desagradável no mundo atual, e seus efeitos nas crianças podem ser devastadores. Será que vale a pena considerar esse assunto? Pense bem: quanto você estaria disposto a pagar pela segurança de seu filho? Conhecer as tristes realidades do abuso sexual com certeza não é um preço alto demais. Esse conhecimento pode realmente fazer a diferença.

Não permita que a praga do abuso o faça perder a coragem de encarar esse assunto. Para dizer o mínimo, você tem algo que seu filho não tem — habilidades que ele levará anos, até mesmo décadas, para desenvolver. Com o passar do tempo, você acumulou bastante conhecimento, experiência e sabedoria. O segredo é aprimorar essas qualidades e usá-las para proteger seu filho. 
Vamos considerar três passos básicos que podem ser dados pelos pais: (1) ser a primeira linha de defesa para proteger o filho contra o abuso, (2) fornecer ao filho a necessária educação sobre sexo e (3) ensinar ao filho algumas medidas básicas de proteção.

Você é a primeira linha de defesa?

A responsabilidade primária de proteger as crianças contra abusos é dos pais e não delas mesmas. Assim, os pais precisam primeiro se informar sobre o assunto para depois ensinar os filhos. Se você é pai ou mãe, existem algumas coisas que precisa saber sobre o abuso infantil. Precisa saber que tipo de pessoas abusam de crianças e como agem. Os pais costumam achar que os molestadores são estranhos que ficam à espreita, buscando maneiras de raptar e violentar crianças. Esses monstros existem mesmo, e os noticiários muitas vezes falam a respeito deles. Mas eles são relativamente poucos. Em cerca de 90% dos casos de abuso sexual infantil, o culpado é alguém que a criança já conhece e em quem confia.
Naturalmente, você acha difícil acreditar que alguém bondoso, como um vizinho, professor, profissional de saúde, treinador ou parente possa sentir atração sexual por seu filho. Na verdade, em sua maioria, as pessoas não são assim. Não é preciso suspeitar de todos ao seu redor. Apesar disso, você pode proteger seu filho por aprender como age um típico abusador.
Conhecer essas táticas pode fazer com que você, pai ou mãe, fique mais preparado para agir como a primeira linha de defesa. Por exemplo, imagine que alguém que parece se interessar mais por crianças do que por adultos comece a dar atenção especial ou presentes a seu filho, ou se ofereça para tomar conta dele de graça ou para levá-lo em passeios a sós. O que você faria? Concluiria que ele é um molestador? Não. Não tire conclusões precipitadas. A pessoa pode estar agindo sem más intenções. Apesar disso, é melhor ficar atento.
Lembre-se de que qualquer oferta que parece boa demais para ser verdade provavelmente é falsa. Fique atento a qualquer pessoa que se ofereça para ficar com seu filho, em especial a sós. Diga que você pode aparecer a qualquer momento. Melissa e Brad, jovens pais de três meninos, são cuidadosos quanto a deixar uma criança a sós com um adulto. Quando um de seus filhos tinha aulas de música em casa, Melissa dizia ao professor: “Enquanto estiver aqui, eu entrarei na sala de vez em quando.” Esse tipo de cuidado pode parecer exagerado, mas esses pais acharam melhor prevenir do que remediar. Tenha interesse ativo nas atividades, nas amizades e nos trabalhos escolares de seus filhos. Procure saber todos os detalhes a respeito de qualquer passeio planejado. Um profissional no campo da saúde mental, que trabalhou 33 anos com casos de abuso sexual, disse que muitos dos casos que viu poderiam ter sido evitados por um simples cuidado da parte dos pais. Ele citou as palavras de um homem condenado por abuso: “Os pais literalmente nos entregam seus filhos. . . . Eles com certeza facilitaram as coisas para mim.” Lembre-se de que a maioria dos molestadores preferem alvos fáceis. Os pais que se envolvem ativamente na vida dos filhos fazem deles alvos difíceis.
Outro modo de agir como a primeira linha de defesa de seu filho é ser um bom ouvinte. É pouco provável que uma criança fale do abuso de forma direta; ela fica com muita vergonha e medo da reação dos outros. Por isso, preste bastante atenção ao que a criança diz, mesmo que ela fale indiretamente. Se o seu filho disser algo que deixe você preocupado, de modo calmo, faça perguntas que o incentivem a se expressar. Se não quiser mais que certa pessoa tome conta dele, pergunte o motivo. Se disser que um adulto faz brincadeiras estranhas com ele, pergunte: “Que tipo de brincadeira? O que ele faz?” Se reclamar que alguém fez cócegas nele, pergunte: “Em que lugar ele fez cócegas em você?” Não descarte logo as respostas de uma criança. Os abusadores dizem à criança que ninguém vai acreditar nela, e muitas vezes é isso que acontece. E, quando uma criança sofre abuso, ter a confiança e o apoio dos pais é muito importante para sua recuperação. Forneça ao seu filho educação sobre sexo
Uma obra de referência sobre abuso infantil cita as palavras de um homem condenado por abuso sexual: “Uma criança que não sabe nada sobre sexo, poderá facilmente se tornar minha próxima vítima.” Essas palavras assustadoras são um lembrete útil para os pais. Crianças que não aprenderam sobre sexo são enganadas com mais facilidade por molestadores. Não é isso o que você quer para seu filho? Então, como segundo passo básico para protegê-lo, não hesite em lhe ensinar sobre esse assunto importante.
Mas como você pode fazer isso? Muitos pais acham embaraçoso falar sobre sexo com os filhos. Pode ser que seu filho ache mais embaraçoso ainda e é provável que não inicie uma conversa sobre esse assunto. Portanto, tome a iniciativa. Melissa diz: “Começamos cedo, identificando as partes do corpo por nome. Usamos as palavras corretas, e não nomes infantis, para mostrar a eles que não há nada estranho ou vergonhoso a respeito de nenhuma parte do corpo.” Daí, a instrução sobre o abuso vem de forma natural. Muitos pais simplesmente dizem aos filhos que as partes do corpo que ficam cobertas pela roupa de banho são íntimas e especiais.
Jéssica, mencionada no artigo anterior, diz: “Lucas e eu dissemos a nosso filho que seu pênis é algo íntimo e pessoal, não um brinquedo. Não é para ninguém brincar com ele — nem mamãe, nem papai, nem mesmo um médico. Quando o levamos para uma consulta, explicamos que o médico só vai verificar se está tudo bem, e é por isso que talvez o toque ali.” Tanto o pai como a mãe devem ter essas breves conversas com o filho de vez em quando, deixando claro que sempre pode falar com eles caso alguém o toque de modo errado ou lhe cause constrangimento. Especialistas em cuidados infantis e prevenção de abusos recomendam a todos os pais que tenham conversas desse tipo com os filhos. No mundo atual, as crianças precisam saber que existem pessoas que querem tocá-las e ser tocadas de maneiras erradas. Isso não é para assustar as crianças nem fazer com que deixem de confiar nos adultos em geral. É apenas uma informação de segurança.
Por fim, fale com seu filho que não é certo alguém pedir que ele esconda algo dos pais. Diga a ele que sempre deve contar para vocês se alguém pedir que esconda algum segredo. Não importa o que tenha acontecido — quer tenha ouvido ameaças assustadoras, quer ele mesmo tenha feito algo errado — nunca precisa ter medo de procurar o papai ou a mamãe para contar tudo o que aconteceu. Esse tipo de instrução não é para assustar seu filho. Deixe claro que a maioria das pessoas nunca fazem coisas como tocá-lo em lugares que não devem ou que guarde algum segredo. Assim como um plano de fuga em caso de incêndio, essas instruções são só como prevenção e provavelmente nunca serão necessárias.
Ensine ao seu filho algumas medidas básicas de proteção
O terceiro passo a ser considerado é ensinar a seu filho algumas atitudes simples que poderá tomar caso alguém tente se aproveitar dele quando você não está por perto. Um método recomendado com freqüência é um tipo de jogo em que os pais perguntam o que a criança faria em certa situação e ela responde. Por exemplo: “O que faria se estivéssemos num supermercado e você se perdesse de mim? Como me encontraria?” A resposta dela talvez não seja exatamente o que você esperava, mas poderá orientá-la usando outras perguntas, como: “Consegue pensar numa coisa mais segura que você poderia fazer?” Você pode usar perguntas parecidas para saber que reação ela acha ser a mais segura caso alguém tente tocá-la de modo errado. Se ela se assusta facilmente com perguntas assim, tente contar uma história sobre outra criança. Por exemplo: “Uma menininha está com um parente que ela gosta, mas daí ele tenta tocá-la num lugar que é errado. O que você acha que ela deve fazer para se proteger?”
O que você deve ensinar seu filho a fazer numa situação como a mencionada acima? Um escritor disse: “Um firme ‘não!’, ‘não faça isso!’ ou ‘tire as mãos de mim!’ é muito eficaz para intimidar o abusador que tenta seduzir a criança, fazendo-o recuar e pensar duas vezes antes de escolher uma vítima.” Ajude seu filho a encenar breves situações em que ele diz ‘não’ em voz alta e de modo confiante, sai rapidamente do local e conta para você tudo o que aconteceu. Uma criança que parece entender bem o treinamento pode esquecê-lo com facilidade em algumas semanas ou meses. Portanto, repita o treinamento de modo regular.
Todos os responsáveis imediatos da criança, incluindo os do sexo masculino — o pai, o padrasto ou outros parentes — devem participar dessas conversas. Por quê? Porque todos os envolvidos nesse treinamento estão, na verdade, prometendo à criança que nunca cometerão tais atos de abuso. É uma pena que muitos casos de abuso sexual ocorram exatamente na família. O artigo seguinte considerará como você pode fazer com que seu lar seja um abrigo seguro neste mundo abusivo.
Muitas crianças que sofreram abuso dão sinais de que algo está errado. Por exemplo, se uma criança de uma hora para a outra volta a ter comportamentos que já tinha superado, como urinar na cama, apego exagerado aos pais ou medo de ficar sozinha, talvez esteja dando um sinal de que algo grave a incomoda. Esses sintomas não devem ser considerados como prova definitiva de que ela sofreu abuso. Com calma, ajude seu filho a se expressar para que você possa descobrir por que ele está angustiado e então lhe dar consolo, encorajamento e proteção.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Férias: Castigo para os pais?


Apesar de morar em Portugal e o ano escolar funcionar diferente do Brasil, todo ano a questão é a mesma em todo lado. Filhos de férias, o que fazer? Muitos pais trabalham os dois turnos e se vêem perdidos para preencher o tempo dos filhos, bem como conciliar os horários juntos e dar conta de tudo.

Se por um lado e diante de tantos "prós" é provável que muitos pais cheguem a considerar a férias dos filhos um castigo. Como ouvi um desabafo de uma mãe em uma loja de brinquedos com os três filhos a dizer: " Que castigo! Não vejo a hora das aulas voltarem para esses meninos terem o que fazer!".  A mãe estava comprando vários brinquedos educativos (ao menos) para entreter os filhos. Bom, a ideia é boa mas comprar brinquedos as quantidades e despachar para os filhos sem ter tempo, nem paciência para brincar com eles é jogar dinheiro fora. Ah e também aumentar a pilha de brinquedos esquecidos dentro de casa, o que eu chamo de "tralha".

Por outro lado é possível aproveitar as férias para curtir os seus filhos. Para os que tem menos tempo, tudo passa por um uma questão de se programar, separar os tempos livres e tentar usufruir o máximo da companhia das crianças. Já para os que tem mais tempo a "cobrança" aumenta, afinal os filhos vão estar o tempo todo a sua volta pedindo atenção! Não se desespere, nessas horas é preciso usar a criatividade. Em casa; vários programas infantis dão dicas de atividades, jogos e entretenimento paras as crianças, sem falar da internet com "n" sites infantis. Jogos ao ar livre, andar de bicicleta, pôr a meninada a gastar energia é sempre uma boa. É comum nesse período haver programação infantil livre, cinema infantil, teatro, nos jornais é possível encontrar essas informações. 

Sabemos que os pais são os modelos dos filhos, ou seja, muito do que eles fazem aprendem em casa com os pais. Ensinar os filhos a desenvolver competências sociais é sempre importante. Porque não aproveitar as férias para isso? Aqui vão algumas dicas do livro, Os Anos Incríveis: Guia de Resolução de problemas para Pais de crianças dos 2 aos 8 anos (Stratton, 2010).

Ensine as crianças a dar inicio a uma conversa e a entrar em um grupo

Esta é uma das primeiras competências sociais que se deve ensinar a crianças pequenas. As crianças precisam aprender como abordar um grupo, como esperar para uma abertura numa conversa e como pedir para participar numa atividade. É preciso praticar essas competências com a ajuda dos pais. Isto pode ser feito recorrendo a dramatizações.

Brinque sempre com o seu filho para modelar e estimular competências sociais

Os pais devem encorajar e elogiar as crianças quando estas demonstram saber brincar com os amigos. Durante estes períodos, demonstre e pratique como se joga à vez, como se partilha, se espera e se cumprimenta os outros. Elogiar o filho sempre que agir corretamente. Recorde-se que as crianças aprendem pelo seu exemplo, visto que o seu papel é modelar como se brinca em colaboração.


Convide colegas do seu filho para a sua casa - e supervisione as brincadeiras 

Projete atividades de colaboração, fazer uma experiência, montar quebra cabeça, jogar, etc. Supervisione as brincadeiras e esteja atento a sinais de que as interações possam estar a ficar fora de controle.

Ajude o seu filho a controlar a raiva

Quando uma criança começa a ficar perturbada devido a raiva, medo, ansiedade ou agressividade não consegue recorrer a competências  de resolução de problemas ou quaisquer outras competências sociais. É necessário promover nas crianças estratégias de controle emocional. A "técnica da tartaruga" põe a criança a imaginar que tem uma carapaça e que é preciso se recolher. Quando a criança recolhe para a sua carapaça inspira 3 vezes e diz: "Para. Inspira profundamente. Acalma-te". Em seguida ela visualiza uma cena de tranquilidade e diz a si própria: " Eu consigo me acalmar e sou capaz."

Desenvolva a empatia

Um relação calorosa e confiante entre pais e filhos contribui imenso para aumentar dos filhos construírem amizades saudáveis. O reforço da auto-imagem da criança como uma pessoa como valor, capaz de ser amiga, a aceitação e confiança em si própria influência na forma com que a criança deseja a aprovação dos seus pares. Procure ser um exemplo e um treinador. :)

Por fim e espero que não esteja cansado!

Leia com atenção, os filhos não são TRABALHO. Entenda que você não presta serviço aos seus filhos (risos). Sim, é preciso ter cuidado, tempo, carinho, dedicação e também cansa. O que se faz com amor faz-se bem. Quem AMA cuida. O afeto e o reconhecimento que se recebe são revigorantes.

Sinta o prazer de ser pai ou mãe...

Saudações de terras lusas!


Taciana Ferreira



terça-feira, 27 de novembro de 2012

Uma estranha no ninho

Quem pensa diferente da maioria das pessoas ou vive se justificando, ou permite que os outros pensem o que quiserem pensar... eu faço parte do segundo grupo.

A forma como eu penso e faço algumas coisas dá margem à várias interpretações (erradas, na maioria das vezes). As vezes nem minha mãe, ou a Taciana entendem. Esta quando não entende, não me julga, fala o que ela sentiu sobre a tal coisa e me pergunta o que há. E o mais importante: escuta. Pois esse é o problema de quem vive se justificando... dependendo do ouvinte a justificativa não surtirá qualquer efeito... Ela pode até não aceitar, ou não concordar com o meu ponto de vista, mas entende e respeita... e por isso somos amigas a mais de 20 anos.

Vou colocar dois exemplos significativos:

Várias vezes, em contextos diferentes, já mencionei que considero a possibilidade de a Nadine vir a estudar em uma escola pública. Os "julgadores de plantão" logo me "crucificam", mas eu já estou acostumada. Vou explicar aqui, não para me justificar, mas por estar dando um exemplo e mostrando que não existe só um caminho a seguir.

Quando eu falo isso é algo somente para quando ela tiver mais de 14 anos, com alguma maturidade para analisar as consequências e quando eu tiver segurança que independente do meio em que ela se encontre, vai saber fazer as escolhas certas. Como já expliquei nos posts Sonhos de Mãe e Seu filho não é seu! tenho minha cabeça aberta para toda e qualquer escolha que a Nadine venha a fazer no nível profissional. Pode ser que ela venha a ter talento para artes ou esportes. Alguém já deve estar pensando "mas educação vem sempre em primeiro lugar!" e concordo plenamente com a frase, só não concordo que educação seja só o conteúdo que a escola passa, educação é muito, muito mais. 

Bom, mas voltando às possibilidades... pode ser que aos 14, 15 anos ela resolva que quer trabalhar e legalmente isso é possível por meio da Lei do Jovem Aprendiz. E estudando em escola pública há mais chances, pois aqui no caso o preconceito é inverso "Filhinho de papai de escola particular não vai ter disposição pra trabalhar direito". Falo como profissional que fazia Recrutamento e Seleção e que dava aulas aos jovens. E posso afirmar com toda certeza, alguns daqueles meninos tem características que nenhuma escola particular vai ensinar... suas realidades, suas necessidades, os tornaram jovens determinados, dispostos, de bom caráter. São meninos e meninas que estudam de verdade na escola, que fazem o curso (obrigatório por lei para poder ser Aprendiz) e têm seus turnos de trabalho. Então quando olho para alunos de escola pública não vejo só "essa gente" que algumas mães têm medo de "misturar" seus filhos. Para os "julgadores de plantão" é mais fácil achar que eu sou uma mãe desinteressada no desenvolvimento da minha filha, ou mesmo preguiçosa, que não quer trabalhar e fazer sacrifícios pra dar "tudo do bom e do melhor".

Só ressaltando: o que escrevi é algo que PODE ser... que não sei se VAI acontecer... são só possibilidades.

Outra situação melindrosa é o fato de eu me dar bem com o pai da minha filha. Acredito que deva haver até especulações que ainda estamos juntos... Como eu disse lá em cima: não me importo com o que pensam.

Mas então vem a exclamação: "Mas isso não é normal!" ... é... infelizmente não é normal. O normal é ver pais separados e que não podem ficar no mesmo ambiente, é haver desconforto, ou mesmo brigas e acusações e as crianças no meio... é normal noivas terem problemas para arrumar o altar já que pai e mãe não ficam no mesmo ambiente, é normal crianças ouvirem as mães nunca falarem o nome do pai e sim "aquele traste", é normal as crianças serem usadas para tentar atrapalhar o novo relacionamento do ex.

Eu não quero essa "normalidade" para mim, nem para a minha filha. Não adianta ficar pensando "E se eu tivesse feito isso?", ou "E se ele não tivesse feito aquilo?" O que passou, passou! O passado fica no passado. Perdoar não é esquecer. É simplesmente seguir em frente... 

Felizmente, no que diz respeito à tarefa de ser pai não tenho queixas. Ele é atencioso, cuidadoso, responsável. O que foi ruim pode até ter sido bem maior do que o que foi bom (tanto que acabou.)... mas não apaga o que foi bom. As características que eu vi e gostei antes de casar ainda estão lá. Mas então deve estar se perguntando: "Se está tudo tão bem, por que não voltar?" :) 

Para evitar mais especulações esclareço: Por que a confiança acabou. Nunca fui ciumenta... não tenho paciência para ficar fiscalizando, procurando falhas, imaginando "será que ele está fazendo o que disse que ia estar fazendo?" Então se é para estar sempre desconfiada, sempre com sentimento de "que pode ser que..." estar fazendo acusações, que poderiam ou não serem verdadeiras... prefiro a paz de espírito da convivência amigável e esta cooooom muita certeza é bem mais saudável para a minha pequena. 

Não é fácil conviver com julgamentos e críticas, veladas ou escancaradas... mas eu continuo fazendo o que acho que seja melhor para mim e para minha filha. Sigo meu coração, sigo as teorias psicológicas nas quais acredito... com equilíbrio vou construindo a minha felicidade e da minha pequena (enquanto ela não souber fazer isso sozinha)

Então é isso... resumindo: Eu NÃO sou normal! :)

Cristine Cabral

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Consulta psicológica x Pais

Tenho recebido alguns pedidos de ajuda para crianças de 2 e 3 anos com problemas de comportamento na creche. 
As queixas são: Uma criança que chora a manhã inteira, outra que morde tudo e uma que  não quer se alimentar... 
Considero cada caso com crianças um desafio, porque? O sucesso do acompanhamento não depende só do Psicólogo... envolve a escola, os educadores e principalmente os pais. O pedido de ajuda é feito geralmente pelas educadoras e antes de chamar os pais observo as crianças em sala. Geralmente os pais são receptivos e demonstram vontade em resolver o problema.
A questão é que promover melhorias e bem estar implicam em mudanças de comportamento. E é aqui onde quero chegar... nem sempre os pais estão preparados para isto e acham que é dever e obrigação da Psicóloga resolver o problema dos filhos...

Quando isso acontece e acredito que todos os colegas concordam comigo...temos um caso que caminha para o fracasso. Como dizia um professor de consulta, " Estamos a gastar saliva e não vai resultar".
Ou seja, costumo ser franca com os pais e explico que temos um trabalho em conjunto e que o papel deles é tão importante como o meu. Mais claro do que isso e melhor!?!? Acompanhar as melhorias e contribuir para o bem estar das crianças.

É fácil esclarecer esta questão pondo a situação de outra maneira. Será  que uma hora por semana da criança com uma terapeuta é o suficiente para resolver todos os problemas de uma família inteira? Isso resolve com adultos que já tem capacidade cognitiva suficiente para perceber suas angústias, transmitir o que sente em palavras e inteligência para aceitar o que o terapeuta dá como retorno.

Com a criança é tudo bem diferente. Uma criança não acha que tem um problema a ser resolvido, tal como; "Sim. Quando eu quero alguma coisa faço um escândalo, esperneio, bato, mordo e no final alguém sempre me dá o que eu quero." 
Claro que uma criança não tem consciência disso, ela só se utiliza de estratégias que sabe que funciona e que traz o resultado que ela espera.

Assim sendo, uma terapia infantil exige bastante de uma psicóloga, mas exige tanto, ou mais dos responsáveis.

Texto de hoje escrito a 4 mãos e a distância ;)