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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Príncipes e Princesas! Mas o que é mesmo ser um príncipe ou uma princesa???



O post de hoje resolvi fazer diferente. É um texto que escrevi para meu filho recentemente, explicando a ele o porquê de chamá-lo de príncipe. Depois de pronto, considerei uma boa alternativa para partilhar com vocês. É um texto destinado ao Nicolas mas que pode ser muito bem aproveitado por todos! Ele segue abaixo.
Nicolas, hoje a mamãe recebeu um lindo conjunto de macacão que comprou pela internet. Na realidade foram dois conjuntos, mas um deles é mais especial porque eu o escolhi para ser a primeira roupa que você vai usar ao nascer.
Ele é lindo! Branquinho com detalhes em azul e de ursinho. O macacão vem com um agasalho por cima que tem um ursinho com uma linda coroa e no detalhe da perna diz em francês: Eu sou um príncipe!


Isso me fez pensar que muitas mães e pais chamam seus filhos e filhas de príncipes e princesas. Acredito que várias devem ser as razões para isso... como, por exemplo, que toda família é um reino, com o rei e a rainha e que seus filhos são seus príncipes ou a princesas. Outra razão que me parece ser bem comum é considerar o filho ou a filha de uma beleza dignas da realeza segundo o senso comum.
E porque tanta importância, ou questionamentos acerca do que levam os pais a chamarem seus filhos(as) de príncipes (ou princesas)? É algo tão natural, tão comum afinal de contas. Contudo, para mim as palavras e o porque de dizê-las, seu significados e significantes, tem sim muita importância, afinal elas nos constroem em grande medida.


Essas reflexões levaram-me então a pensar nos meus motivos e os de seu pai Nicolas, para chamá-lo de príncipe. Então, filho, aqui vai uma breve explicação do porque para nós você é um príncipe.
Nós acreditamos que um príncipe muito acima de ser belo, deve ser um ser humano bom , que preza pelo bem comum em suas ações, que preocupa-se com o bem estar do outro tanto quanto o seu próprio bem estar. É aquele que não faz ao outro o que não quer que o outro lhe faça. É uma pessoa que possuí respeito e cuidado para com os mais velhos. É um homem educado e gentil para com todos, e que sabe que o mais importante não está na superfície, na aparência das pessoas, mas sim dentro delas, em sua alma e seu caráter. Um príncipe entende que esses valores são muito importantes do que beleza, classe social, cor ou religião.
Um príncipe, para nós seus pais, é um ser humano que busca sempre a justiça, que procura ser honesto e justo em tudo aquilo que faz, simplesmente porque acredita que é o correto a se fazer. Um príncipe não mente! Nem para si mesmo ou para qualquer outro, porque a mentira não pode trazer nada de bom nem justo.
Ele trata as mulheres com gentileza, respeito e amabilidade, porque assim merecem ser tratadas as damas, as princesas e as rainhas que partilham dos mesmos valores de um príncipe como você.
Ao escolher uma mulher para dedicar seu amor a ela,  a respeita, cuida dela, como uma joia rara que foi presente de Deus. Mas, a escolha muito bem! Pois, nem todos são educados para serem verdadeiros príncipes ou princesas. Acredito que eu e seu pai lhe educaremos para que você saiba distinguir as verdadeiras princesas das falsas.
Então, Nicolas, por tudo isso que lhe dissemos você é um príncipe! Porque você será educado para ser um homem que preza pela justiça, que pratica a bondade, que busca em suas ações o que é correto e bom para todos além de si mesmo. Será educado para respeitar e ser gentil com os mais velhos, e com todos. Independente de qualquer critério superficial, porque você aprenderá que o mais importante são os valores que as pessoas carregam dentro de si e que constituem o seu caráter. Você é um príncipe porque será um homem cheio de sabedoria e inteligência e saberá usá-las em seu cotidiano e não apenas em questões teóricas.
Eu e seu pai nos esforçamos para praticar esses valores todos os dias. É verdade que nem sempre conseguimos, pois somos seres humanos falhos, com defeitos, mas sempre nos esforçamos para conseguir ser como um rei e uma rainha devem ser. Esforçar-se para fazer o certo é sempre o mais importante!
Nunca acredite se lhe disserem o contrário! Eu e seu pai somos muito felizes e você é fruto desse amor muito feliz que vivemos nesses mais de 14 anos juntos. Acredite em nós! Príncipe!
Vanessa Nascimento

terça-feira, 1 de outubro de 2013

5? 8? 12 Filhos? Como essas mães conseguiam?

Família Andrade da Cidade de Bom Repouso Minas Gerais
Crédito da foto: http://viverembomrepouso.blogspot.com.br/
Não precisa ser a pessoa mais bem informada para saber que a taxa de natalidade vem diminuindo ao longo dos anos. E as mães de hoje frequentemente se perguntam: "Como alguém conseguia dar conta de 10 crianças se para dar conta de 2 fico exausta?"

As crianças são crianças independente da cultura ou da época, mas o ambiente no qual estão inseridas é que molda o comportamento destas e de suas mães.

Antigamente quando uma mulher se descobria grávida do seu 1° filho seu enxoval se resumia à algumas dúzias de fraldas de pano, alguns cueiros e roupinhas normalmente confeccionadas e bordadas por ela mesma ao por uma das avós. Como o 2° não demorava muito então não havia necessidade de refazer tudo, no máximo substituir as peças mais gastas. 

Também não passavam muito tempo se preocupando com todas as coisas que hoje em dia fazem parte da nossa rotina. Não havia a necessidade de calcular se a cada refeição as crianças estavam consumindo a quantidade adequada de nutrientes, se a proporção de carboidratos e proteínas estavam corretas. Bastava saber que as crianças não estavam com fome.

Quanto ao consumo de frutas, para que estimular, se isso já era parte da diversão? Subir nas árvores frutíferas e consumir direto do pé. As bactérias não eram um problema, bastava passar a mão, ou na roupa, ou no máximo uma lavada rápida na água da torneira.

Conservantes e corantes? Absolutamente inúteis, visto que todas as guloseimas eram preparadas em casa. Bolos, compotas, doces e biscoitos acabavam na mesma hora e a cor não importava, já que se sabia que estaria gostoso.

Pisada correta? Cava do pé? Se o menino não mancava é por que estava normal. Curva de crescimento? Bastava saber que as roupas e calçados não serviam mais... sinal que cresceu e engordou.

Gastar dinheiro com brinquedos. Bastava ensinar as meninas a fazerem bonecas de pano, ou de sabugo de milho, os meninos a fazerem carrinhos, de rolimã ou não, cavalinhos de cabo de vassouras. E só se davam o trabalho de ensinar os mais velhos se não tivesse nenhum primo mais crescido para essa função. Fora as brincadeiras inventadas. Não havia criança "hiperativa", pois por mais agitada que fosse havia espaço de sobra para gastar todas as energias correndo, subindo em árvores, tomando banho em rios, açudes, ou no mar.

E a proporção que as crianças iam crescendo isto significava ajuda nas tarefas. Seja no trabalho pesado no caso das mais pobres, ou no trabalho doméstico para as meninas com algum poder aquisitivo, enquanto para os meninos era a aprendizagem de um ofício. A filha de 15 anos cuidava da irmãzinha de 2 anos. O filho de 18 anos já ajudava financeiramente nas contas da casa.

Preocupação com o futuro também não era uma constante. Não havia tempo, pois estavam ocupadas em educar seus filhos, transmitindo os valores adequados, dentre os quais o respeito aos mais velhos. E quando estes filhos cresciam sabiam retribuir o amor, o trabalho e o dinheiro gasto com eles e cuidavam de seus pais na velhice. Lembrando que a expectativa de vida era significativamente bem menor que a de hoje.

As mães mais antenadas e bem informadas podem estar pensado: "Ainda bem que meus filhos não nasceram nessa época.", "Ou não é a toa que a taxa de mortalidade infantil era também bem maior". As mães mais desencanadas, despreocupadas podem estar pensando "Isso sim é que era infância! Pobre das crianças de hoje que vivem presas em suas casas."

Procurei ser o mais imparcial possível, pois meu objetivo não é dar qualquer juízo de valor, nem para a maternidade do século passado, nem para a nossa contemporânea. Só que responder o mais objetivamente como era possível.

Agora o que ficou na minha cabeça é se essas mães do passado tinham esse sentimento de culpa que muitas carregam hoje em dia. Eu não cheguei a conhecer nenhuma das minhas avós, ambas já haviam morrido quando eu nasci. Mas se você tem uma avó, ou bisavó que teve muitos filhos pode perguntar isso a ela. E se puder voltar e me dizer o que ela respondeu, agradeceria muito.

Não existe jeito certo (embora exista sim o jeito errado) de ser mãe. Mãe é mãe e ponto final. 

Cristine Cabral

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Rivalidade entre irmãos - Amigos ou Inimigos?

Quem tem irmãos sabe que os conflitos e discussões fizeram ou fazem parte do dia-a-dia. É comum os pais sentirem-se desanimados ao pensar que os filhos não se gostam, ou estão infelizes com os irmãos...
A questão aqui é que existe o lado construtivo dessas brigas e discussões e o lado destrutivo. Enquanto discutem, as crianças aprendem a lutar pelos seus direitos, aprendem a defender-se e também a expressar os seus sentimentos. Resmungar, implicar as vezes consiste em uma forma de transmitir afeição e também brincadeira. Claro que tudo tem limite.
Os pais precisam deixar espaço para os filhos resolverem os próprios conflitos. De qualquer forma têm que estar atentos para que as discussões não assumam formas exageradas e passem para agressão física. A lutas físicas entre irmãos não devem ser toleradas em nenhum momento, assim também como o abuso psicológico e verbal.

Quando isso acontece é preciso pensar o "Porquê"?

A explicação mais comum para a rivalidade entre irmãos está na relação dos pais com os filhos. Quando os pais demonstram favoritismo relativamente a um filho, ou então os irmãos mais velhos ficam ressentidos pela atenção dada aos mais novos... Depois vem as questões cognitivas, um irmão mais "esperto", mais talentoso...  Os pais podem estar com problemas conjugais e os filhos brigam para desviar a atenção dos pais. De fato há sempre um motivo.

Mas afinal o que fazer?

A primeira dica e também se o seu caso não se enquadra em nenhum citado acima, é ignorar. Deixar os filhos resolver os seus próprios problemas ensina-os a "encarar" suas próprias batalhas sem precisar dos adultos. Não vamos estar sempre ao lado dos nossos filhos para brigar por eles...por isto esse é um bom exercício para os protetores de plantão.

Ensine ao seu filho competências para resolver problemas. Podendo ser feito através de brincadeiras. Teatro e fantoches ao simular uma situação de conflito.

Combata o comportamento "queixoso". É preciso ter cuidado em não reforçar o comportamento de crianças que tendem a fazer queixa dos outros. Isso não resolve o problema da criança. Uma boa solução é encorajá-lo e dizer que tem a certeza de ele irá conseguir resolver a questão sozinho. Controle o seu espírito super protetor e não vá tomar satisfação com a outra criança em defesa do seu filho. Pare e pense, não faça com o filho dos outros o que não gostaria que fizessem ao seu! Digamos que essa frase se enquadra bem em tudo (risos).

Estabeleça um programa de recompensas. Explicar aos filhos que se eles não brigarem durante um período "x" ganham um adesivo... sempre que se comportarem bem um com outro ganham mais e em seguida podem trocar por recompensas (Para crianças dos 2 aos 8 anos).

Prepare a criança para a chegada do bebê. Envolva os mais velhos nos preparativos e assim fazê-los sentir que o bebê também lhes pertence.

Organize-se para estar sozinha com cada criança. Vai fazer com cada um sinta do seu modo que é importante para a mãe.

EVITE proteger uma criança em excesso. É comum nos mais novos, o "caçula" ficar como o "coitadinho", ele é "pequenininho"... E por incrível que pareça em investigação realizada ficou comprovado que as crianças mais novas são as que mais provocam o comportamento agressivo, embora a culpa seja atribuída aos mais velhos...por isso esteja atenta aos pequenos "anjinhos".

EVITE atribuir muitas responsabilidades ao mais velho. Sem querer os pais erram em cobrar mais dos mais velhos e principalmente quando são meninas. Cuidado isso pode gerar rivalidades e ressentimentos.

E depois que eles crescem e você fez a sua parte ...cada cabeça uma sentença...

Recordo de escutar uma professora de Psicologia dizer sem "pestanejar", nem todo irmão é amigo, nem toda relação de irmãos é saudável, então não temos que nos sentir obrigados a cultivar algo que não nos faz bem! Isso para os adultos claro. Mas primeiro esgote as tentativas de entendimento. 

Muito bem! Gostei...realmente faz todo sentido, de qualquer forma eu considero essa frase importante para todos os relacionamentos.

Briguei e discuti muito com os meus irmãos até sair de casa (risos). Porém nem tudo era confusão... Gostava muito de brincar com o meu irmão quando criança e com a Tárcia mas ela era muito chorona (risos)...de qualquer forma tinha seus motivos, pois teve alguns problemas de saúde. Quando adolescentes saiamos muito os três juntos. Depois cada uma para o seu lado. Depois vieram os namoros e casamentos e tudo ficou mais calmo. Hoje entendo os motivos e os porquês, somos muito diferentes e os mesmo tempo temos muito em comum. Assim conseguimos nos entender e esclarecer os nossos conflitos. Temos abertura para falar o que sentimos... Eu os admiro muito, o meu irmão Bergson (mais velho) e minha irmã Tárcia (caçula). Eles sabem disso.

Sou feliz com os irmãos que tenho fomos regados pelo amor de nossos pais... .sempre. :).

Amo a minha família.


Um bom fim de semana!

Taciana Ferreira




sexta-feira, 5 de abril de 2013

Motivação x Volição na Aprendizagem Escolar


Dons e talentos, como os frutos de uma árvore, só se tornam visíveis quando estimulados sob " condições necessárias e suficientes" ( Teo, 1997). Esta frase, é a base do post de hoje, com isso quero abordar um tema interessante que conheci logo no início do mestrado em Psicologia Educacional que se chama "volição" na aprendizagem escolar. Atualmente um dos maiores esforços desenvolvidos nos vários estudos deste tema tem a intenção de aumentar o grau de realização dos alunos e assim atingir o sucesso escolar tão esperado e desejado pelos pais

Nesse sentido, os professores tem um papel importante, pois influenciam desde os primeiros anos, os alunos para o desenvolvimento e ajudam a comprometerem-se nas tarefas dentro e fora da sala de aula.

De fato os estudantes munidos de estratégias volicionais, participam activamente no seu processo de aprendizagem, seleccionam métodos apropriados e retém esse material à medida que avançam. O cultivo destas habilidades e confiança para enfrentar os desafios escolares e mais tarde a responsabilidade da vida ativa inicia com a interacção, suporte e instrução da auto-regulação que percepcionaram anteriormente. Para atingir esse fim, os alunos precisam de adquirir auto-disciplina nas tarefas escolares. Daí a importância da "parceria" pais, professores e escola. Uma atitude positiva dos pais diante da escola contribui para que os filhos valorizem a mesma.

Continuando na vertente educacional, a volição é tida como o sistema psicológico de controle que protege a concentração e a atenção na tarefa. Direcciona o esforço face às distrações ambientais e pessoais, ajudando assim na aprendizagem e desempenho.

A psicologia actual enquadra a volição como uma das componentes das teorias da auto-regulação.Sendo assim volição é uma das fases da teoria triádica identificando-se com a vertente mais comportamental e completando o vazio entre os pensamentos e as acções. Sendo esta a força motriz, o atributo que inicia e mantém a acção com a concretização de um objetivo.

É frequente a confusão entre volição e motivação, contudo são dois conceitos que são facilmente distintos não obstante a sua interligação. Isto é a volição compreende no atingir de metas, enquanto que a motivação está mais relacionada com a definição das mesmas ou a intenção de fazer algo. Isto significa que a motivação isolada não basta para alcançar objectivos, o sucesso requer um esforço persistente, estratégias adequadas e um estado emocional congruente. É esta combinação de factores, que se apresenta no conceito volicional, que faz com que a volição em conjunto com a motivação seja essencial para atingir as metas. 

Dessa maneira o processo volicional consiste na recepção de informação, relacionando as experiências passadas com o presente. O estímulo que desencadeia a acção é o desejo da pessoa, este é seguido por um fenómeno de escolha em direcção ao objectivo. Posteriormente e mediante as estratégias estabelecidas é executada a própria acção. O processo termina com a avaliação da acção.

É frequente no contexto escolar alunos e professores deparam-se com inúmeras situações de aprendizagem que necessitam do controle volicional. E.x.:

  • Quando é exigido aos alunos para acabar uma tarefa atribuída, logo estes não são livres de escolher outra acção;
  • Existe barulho suficiente na sala de aula para distrair os alunos da tarefa que eles se comprometeram;
  • Outros interesses e metas subjetivas competem com a intenção de trabalhar ou aprender, dividindo assim a atenção dos alunos; (muito comum).
  • Os alunos desenvolvem ansiedade que interfere com o desejo de agir. Os alunos então poderão ser ajudados por um aumento de auto consciência que sugere a necessidades de controle volicional. 
  •  
Muitos alunos têm dificuldades com os trabalhos ao longo da escolaridade, embora alguns fazem-no naturalmente mas outros esforçam-se para os iniciar e manterem-se atentos. São muitas vezes distraídos por barulhos na sala de aula, ou atividades mais apetecíveis. Estratégias volicionais, nestas condições podem servir de impulsionadores para que consigam manter o objectivo, já vários estudos o demonstraram. Estes pensamentos e acções equipam os alunos com técnicas neutralizantes a emoções negativas ou intrusões. 

"Aprender não é algo que acontece ao aluno é algo que acontece pelo aluno”. Zimmerman (2001)

A chave do sucesso, é sem dúvida o esforço e a determinação!

Bons estudos e bom fim de semana!

Saudações de terras lusas.

Taciana Ferreira

sexta-feira, 15 de março de 2013

Mamãe posso dormir na tua cama?


Desde que voltamos do Brasil no fim de Dezembro tem sido difícil fazer a Eduarda dormir sozinha no quarto dela. Vários motivos contribuíram para que isso acontecesse. Primeiro o frio, afinal estávamos no Brasil com 30 a 35 graus todos os dias e aqui em Portugal em pleno inverno. Apesar de ter aquecimento a sensação de cama fria não passa. Depois ela ficou doente e por comodidade e segurança ficou com a gente no quarto. Pouco tempo depois ficou doente novamente...Passado alguns dias e depois de ter conseguido fazê-la voltar a dormir no próprio quarto, agora tem sido difícil ela conseguir adormecer sozinha na cama dela. Ela pede sempre com aquela carinha linda, com aquela voz meiga e doce: - Mamãe podes ficar até eu adormecer? Nessa hora o lado materno bate e a psicologa fica de "lado". Apesar de saber que é importante que ela aprenda adormecer sozinha...

São muitos fatores que influenciam a hora de dormir. A Eduarda é uma criança muito ativa, se nós ficarmos acordados até tarde e deixar ela também fica. Rara vezes que ela adormeceu no sofá, ou sozinha antes nós por estar cansada. Ela acompanha o ritmo mesmo quando saímos para jantar fora, alguma diversão noturna ela tem o nosso pique, ou até mais!
Crio a rotina diária (importante para todos) antes dela ir para cama, como o jantar, tomar banho, escovar os dentes, ler historinha (que acabam por ser várias) e mesmo assim ela só dorme depois de muito tempo. Já aconteceu tanto comigo como com o meu marido de dormirmos primeiro que ela (risos). 

Pois é! De fato não é tão fora do comum ter uma filha com uma "síndrome de inquietação noturna", "Mãe quero água, outra história, quero aquele boneco"...e por ai vai. Afinal o ir para cama e dormir significa o fim de um dia divertido. Sendo assim é mais comum haver resistência do que se imagina.
Cada idade assinala novas descobertas e experiências, as crianças entre o um e dois anos e meio resistem ir para a cama por não quererem se separar dos pais. Do ano e meio aos três começam a preocupar-se com o que pode acontecer aos pais, surgem os medos... e dos quatro aos seis os medos ganham nomes, formatos e cores. O escuro, as sombras e os pesadelos...a imaginação ganha asas...

Então o que fazer!?! Aqui vão algumas dicas para a hora de dormir.

- Estabelecer uma hora de ir para a cama: É importante que a hora seja adequada a idade e as necessidades de sono da criança. Mostrar a ela a hora de dormir e se ela não souber identificar a hora no relógio, faça o desenho de um relógio a indica a hora estipulada para dormir. É preciso perceber o tempo da criança, algumas precisam dormir mais e outras não. Levar a criança para a cama cedo demais também pode levar a relutância.

- Criar uma rotina de fim do dia: Assim como referi acima, dar o banho, ler histórias...uma rotina relaxante, ouvir música, umas bolachas e caminha. Evitar brincadeiras turbulentas, programas assustadores....comidas e bebidas com cafeína.

- Fazer um aviso prévio: Avisar, "Daqui a dez minutos, são horas de ir para a cama". O anúncio súbito " Já são horas de ir para a cama!", é um convite a resistência! 

- Ser firme e ignorar a resistência: Essa é a parte mais difícil para os pais inclusive para mim. Depois de pô-los na cama, anunciar que vai dar o beijo e que o dia chegou ao fim em seguida sair do quarto! Preciso praticar mais vezes, pois a Duda tem resistido e pede para eu ficar. É uma questão de insistir pois antes ela ficava.

- Fazer um check-in: Caso as crianças insistam em chamar pelos pais experimente entrar em acordo com eles: se eles não chamarem passados 10 minutos você vai lá para ver se está tudo bem. Atenção! Têm que cumprir a promessa.

- Luzes noturnas: Algumas crianças gostam de alguma iluminação no quarto pois traz alguma conforto.

- Estabeleça um programa de reforços: Carimbos, adesivos no outro dia. Elogiá-los de manhã por terem ficado a noite toda na cama.

- Leve o seu filho para o quarto novamente: Se a criança sai do quarto, o melhor é pegá-la na mão e levá-la de volta para o quarto. Se a criança tiver mais de 4 anos explique que se ela voltar a fazer isso irá ter um tempo de pausa (3 minutos). Acabado o tempo leve-a novamente para a cama. Em investigações realizadas sobre o "tempo de pausa" demonstram que com a utilização consistente do tempo de pausa a maioria das crianças aprende a permanecer na cama.

E finalmente, nossos filhos precisam perceber que temos espaços conjuntos e espaços individuais, que precisam e devem ser respeitados. Por este motivo os pais não devem permitir às crianças invadir a sua privacidade. Sim, precisamos apoiar nossos filhos, estar sempre presentes em suas vidas, protegê-los, fazer com se sintam amados, mas isso não significa que devemos anular a nossa vida em função deles. Por isso a procura do equilíbrio e bem estar é o nosso lema. 


Antes de ser Psicóloga sou mãe, mas sei que preciso resistir aos pedidos da minha pequena (risos). Pela minha privacidade e pela autonomia e desenvolvimento saudável dela..dentre outros...

Então, quem resiste ao, "Mamãe posso dormir na tua cama?". 

Saudações de terras lusas...primavera quase chegando!

 Bom fim-de-semana!

Taciana Ferreira


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

"Quem AMA, cuida".


No texto passado, "Férias: Castigo para os pais?" referi que os pais não trabalham para os filhos. Gostava de explorar melhor no texto que segue esta citação. Por que digo isso? Porque não é difícil escutar no dia-a-dia comentários sobre o trabalho que os filhos dão...são a 3a jornada de trabalho de uma mulher. Ou a expressão: "Ô menino para dar trabalho!".

Desde que a Maria Eduarda nasceu como toda mulher, no meu caso casada precisei me adaptar a nova rotina. Organizar as tarefas diárias, casa, estudos, trabalho, maridão e assumir o meu papel de mãe. Ser mãe foi uma escolha, eu quis juntamente com o meu marido e assumimos está dádiva de corpo e alma. Daí eu não achar que tenho trabalho com a minha filha. Eu não trabalho para ela. Eu faço porque gosto, tenho responsabilidade e isso é uma rotina diária de uma mãe. Uma frase que resume facilmente onde quero chegar e foi referida no texto passado e não me canso de falar é: "Quem ama cuida". :)
Adoro esta foto eu e minha pequena com 7 dias! Saudades...


Mas por que eu querer retirar essa expressão "que filho dá trabalho" do meu dia-a-dia? Por ser algo visto como negativo, carregado de "cansaço"...quando se diz isso, já antecipamos uma carga para as costas. E como sinto prazer de estar com a minha filha, me dedico a ela...simplesmente. E acredito que a maioria dos pais fazem isso, apenas repetem a tal frase por ser algo que faz parte do nosso dia-a-dia. Por que não mudar?

Esta é uma estratégia de substituição de pensamento negativos por pensamento positivos e tranquilizantes. Resulta, acreditem!

Claro que sou humana e tenho os meus dias de cansaço... mas fazer o que? Respirar fundo e tentar não misturar os assuntos (risos). Minha filha não tem culpa. Os filhos também têm os dias deles de cansaço e mau humor (risos), um bom momento para ensiná-los a lidar com as frustrações.

Acontece que geralmente quando os comportamentos inadequados resolver aparecer coincidem com os dias que estamos mais cansadas, gastas, stressadas... É difícil não se descontrolar, então uma dica para os momentos de birras, pitis é choramingos.

IGNORAR, por mais que custe para a mãe ficar ouvindo berros e dramas o melhor é mesmo ignorar..aos poucos a criança percebe que não funciona!

- Neste momento é importante que os pais evitem a discussão e o contato visual com a criança. 
- No início é comum a criança berrar ainda mais e mais alto! Se você ceder... já sabe, para a criança o berro vale a pena. Simples...eu berro, grito e consigo! Então se decidir usar esta técnica prepare os ouvidos e mentalizar-se para ser capaz de manter a sua decisão e ignorar.
-  Ignore e desvie a atenção para outra coisa.
- Ensine aos outros a ignorar, isto é, o pai também precisa estar preparado, bem como familiares e amigos.
- Dê atenção a comportamentos positivos, quando a criança se acalmar explique a ela que gosta de a ouvir falar assim sem choramingar. Elogiar o fato dela estar a portar-se bem. Sorria. :)

E como em todas as dicas apelo a prática do bom senso, se a birra consistir em algo que seja prejudicial a criança não ignore...

Uma coisa tenho certeza, e que toda mãe deve saber bem, é que todo dia é dia de ser mãe. Cada uma com a sua rotina, regras e valores. Como a Cristine referiu "Mãe Não é tudo igual", mas uma coisa temos em comum queremos sempre o melhor para os nossos filhos.

Saudações de terras lusas...

Frioooo...
Taciana Ferreira