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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Mal entendido, ou Mau entendido?

Não, não vou escrever sobe regras gramaticais não. Vou falar sobre como confusões acontecem por motivos banais.

Faço parte de um grupo virtual que conta com mais de dez mil membros. E sabe como é... onde tem muita gente, as opiniões são diferentes e sempre tem algum "bate-boca". É mais ou menos assim:
Alguém vem e pergunta:

- Azul é bonito?
E as respostas vão surgindo:
- Sim, é lindo.
- Todos os tons são lindos.
Até que aparece alguém:
- Eu gosto mais de verde, é a cor da natureza, é a cor da vida.
- Mas azul é a cor do céu é a cor da tranquilidade...
O que poderia ser visto como simples opinião particular passa a ser visto como uma "indireta".
- Quer dizer que por eu gostar de verde não posso ser uma pessoa tranquila?
E como o tom já passa alguma ideia de rispidez, a outra rebate:
- Não foi isso que eu quis dizer, mas pela sua resposta já dá para saber que você não é lá tão tranquila assim.
E está montado o "barraco":
- Olhe, você nem me conhece para saber se eu sou ou não tranquila, o que eu sou ou deixo de ser. Isso é muito é falta de louça na sua pia... blá blá blá.

Infantil, não?! Agora acredite, ou não, isto tem se tornado rotina... os assuntos são dos mais importantes como amamentação, parto, creche, aos mais banais, se a pessoa escreveu corretamente, se se expôs demais, etc, etc, etc.

Mas isso não é "privilégio" deste grupo. O mundo virtual está cheio de coisas assim e que acabam invadindo o mundo real. Por exemplo: Tem gente que não pode ler um "Tem gente que..." que já se sente provocado, como se todo comentário de uma determinada pessoa fosse uma indireta e se ofende, vai tomar satisfações, ou se afasta... triste, não?!

Quando pensei no título desse post foi lembrando das várias situações que surgiram por MAL entendido mesmo. As vezes é uma questão de escrita. Uma vírgula esquecida pode mudar todo o contexto do que se queria dizer. Outras vezes é uma questão de inabilidade de quem está escrevendo. A pessoa pensa A, escreve B e quem leu, entendeu C, pensou D e escreveu E... confuso, não?!

Mas acontece também a questão do MAU entendido. Em vez de ver o lado bom do comentário, ou pensar que pode ter interpretado diferente, ou mesmo que a pessoa não se expressou bem, ou ainda que, mesmo que seja uma indireta, que não necessariamente é para você, já que não é a única pessoa que irá ler aquilo. Ou seja, usar de bondade. Se ficar difícil, uma "cegueira seletiva" pode ajudar a evitar atritos desnecessários e muitas vezes com pessoas que nunca viu (nem vai ver) na vida.

E mais importante de tudo é o RESPEITO. Respeito às diferenças: de opiniões, de estilo de vida, de gostos, de filosofia, de religião, de time de futebol... seja lá do que for. Principalmente se a questão é de gosto. Se uma gosta de rapadura e a outra prefere petit gateau. Ok. São gostos diferentes e ponto final. Ninguém é melhor, nem pior que ninguém. Todos somos seres humanos e devemos ser tratados como tal. 

Seria bom que a geração da minha filha crescesse num mundo onde o respeito fosse prioridade. Mas como conseguir um mundo melhor, se tem pais que não dão o exemplo? 

Cristine Cabral

No post de Janeiro "Mãe NÃO é tudo igual." falo um pouco mais sobre maternidade e diferenças.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Mamãe, eu quero...

Antes fosse mamar... Atividade que cumpria com o maior prazer, uma das melhores sensações que já tive na vida.

Agora, aos 3 anos e meio, tudo que vê quer. E olha que ela praticamente não é exposta a comerciais infantis. O canal que ela passa mais tempo assistindo é a TV Cultura, pois não tenho tv a cabo e neste canal passa as animações preferidas por ela. (Peixonalta, Dora Aventureira, Cocoricó, Sid, o Cientista). O programa que assistimos é o Quintal da Cultura, onde os apresentadores nunca aparecem com "recadinhos" no meio do programa e estão ajudando até a diminuir o medo dela por palhaços.

Mas meu objetivo hoje não é falar sobre mídia, ou consumo e sim de individualidade.

 Mesmo não tendo tanto acesso às campanhas publicitárias, ela tem várias amiguinhas e sempre aparece frases como: "A Maria e a Lara fazem balé." "A Jamile tem uma Baby Alive." A Bruna teve um aniversário de princesa." Minha resposta para todas as frases desse tipo é sempre a mesma: "Sua amiguinha é uma pessoa diferente de você, que tem uma mãe diferente, uma família diferente." Claro que com um tom de voz bem maternal.

Alguém pode está pensando, mas assim ela não vai ficar excluída? O que pretendo é ensinar a diferença entre individualidade e individualismo. Evitar a regra do "todo mundo..."

Muitas mães de adolescentes detestam quando os filhos vêm pedir para fazer ou ter algo com o argumento do "Mas todo mundo vai (ou já tem)." Porém o que poucas lembram é que a é que a lei do "todo mundo" foi introjetada nos primeiro anos de vida com frases: "Senta menino, não está vendo que está todo mundo sentado?!" ou "Deixa de choro. Vocês está vendo algum amiguinho chorando?" O ideal seria dizer: "Sente-se que assim a gente consegue ver melhor o que está acontecendo e sem incomodar as pessoas." ou "Qual o motivo para tanto choro?" Ou seja, passar valores sociais como respeito às pessoas em volta, ou atenção particular ao que se passa com a criança naquela situação.

Cada pessoa é um ser único, cheio de qualidade e também de pontos que precisam ser melhorados. (Não gosto de usar o termo "defeito", parece algo que está quebrado e sem conserto, ou algo mal feito) Cada um com seus gostos, valores e preferências.

Se ensinamos nossos filhos que eles têm direito à individualidade, também estamos ensinando a respeitar a individualidade dos outros. 

As crianças naturalmente fazem amizades em questão de poucos minutos e normalmente não reparam nas diferenças sociais, ou físicas. Sua aceitação é incondicional. Mas esta, com o passar do tempo, vai sendo extinta. Os adultos antes de qualquer contato social, meio que avaliam o outro por meio de suas roupas, comportamento, deficiências, etc. É preciso conseguir identificar algo em comum com a outra pessoa para saber se "vale a pena" o contato, algum tipo de interesse. Assim muitas pessoas vivem numa eterna corrida para se tornarem "interessantes", uma eterna busca por status, para que o seu devido "valor" seja reconhecido pelos outros à sua volta.

Não preciso temer que a minha filha seja excluída por não ter os mesmos brinquedos. Pelo menos não nesta fase da vida dela. Até valorizo a questão da diversidade de brinquedos, pois se uma tem os que ela não tem e ela tem o que as outras não tem, juntando, a diversidade é bem maior e todas têm mais acesso a brinquedos diferentes. E ainda ensinamos a importância de compartilhar.

Quero ensinar a minha filha a importância do SER... ser amiga, ser gentil, ser disponível a ajudar e assim conseguir TER o que é mais importante: ter amigos fieis e desinteressados, ter respeito a todas as diferenças, ter uma vida feliz de fato. Uma felicidade que independe das coisas, uma felicidade verdadeira. Pois como já dizia Carlos Drummond de Andrade:

"Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade"

Cristine Cabral

sexta-feira, 29 de março de 2013

Se Deus quiser!


Tenho pensado já a um tempo em falar sobre religião apesar de considerar um assunto extremamente pessoal e delicado. Não quero ferir suscetibilidades e quero que fique claro que estou falando sobre o que EU sinto em relação a religião.

Meus pais são católicos e minha mãe é muito religiosa. Estudei em um colégio de freiras, mas desde cedo eu questionava muito os dogmas, os deveres...e os pecados. E lembro que quando adolescente não conseguia encontrar sentido em fazer uma confissão a um padre.

Cresci e aprendi a respeitar as escolhas dos outros e por curiosidade e até mesmo por busca pessoal conheci outras religiões... renovação carismática, espiritismo, budismo, umbanda...durante um período procurei explicação para muitas perguntas e na realidade nunca consegui encontrar as respostas que procurava. Consequentemente não encontrei uma religião com a qual eu me identificasse. Até que resolvi parar.

Hoje quando me perguntam que religião eu sigo, apenas digo que não tenho religião. Não quero com isso ser esquisita ou chocar os outros... apenas não fui "tocada" ou digamos "conquistada" por nenhuma.
Quando digo que não sou esquisita é porque consigo entrar em uma igreja, já fui várias vezes com minha mãe a Fátima, aqui em Portugal e acho tudo muito bonito, mas realmente não sigo.
É tanto que nunca sonhei em casar na Igreja e por isso só casei no civil, não faria algo só porque "todos" fazem, ou só para ficar bonito, isso sim seria agir de maneira inadequada.

Minha filha tem 4 anos e pensamos em batizá-la...depois da dúvida as coisas acabaram por não acontecer como queríamos e acabamos por desistir. Conversei com alguns colegas e descobri muitos adultos que não foram batizados e são boas pessoas e estão bem... Como sou prática e não gosto de remoer muito um assunto decidi que minha filha vai escolher se quer ser batizada como também quem serão os padrinhos para o seu batismo. Tenho mais dois irmãos e nenhum de nós teve sorte com os padrinhos (risos). Por isso...

Ainda tenho muita perguntas para encontrar a resposta e realmente fico admirada com o mundo em minha volta e o que conseguimos fazer com ele, mas também questiono os comportamentos religiosos onde as pessoas pregam uma coisa e fazem outra. Tenho visto ultimamente tanta ostentação e tanta esbanjamento que achei super interessante termos um Papa Franciscano, isso sim, está bem enquadrado. Acho que as pessoas deviam pensar um pouco mais no que andam a falar e fazer...vamos agir bem em vez de falar...  

Como pode em pleno século XXI tantas pessoas morrerem de fome??? E outras sociedades com sérios problemas de obesidade??? Preconceito, maus-tratos, violência... aberrações... e tanta morte em nome de religiões?!?!?

Daí que as vezes quando escuto a frase "Se Deus quiser", sempre penso... as coisas não dependem só de Deus, preciso fazer algo. Concordo que a fé para os que acreditem tem muita força, pois favorece o bem-estar e torna as pessoas mais otimistas, mas colocar a responsabilidade de tudo nas mãos de Deus é muito!

É Páscoa! Momento de partilha e convívio com a família... o que vemos? Muito apelo ao consumo e excessos ...será esse o verdadeiro sentido da Páscoa? A gula não é um pecado?



Saudações de terras lusas...

Uma Páscoa consciente!


Taciana Ferreira






terça-feira, 12 de março de 2013

Olhando para dentro


Eu trabalho com a abordagem Análise do Comportamento, que tem uma visão focal e tem base pragmática. O que leva a algumas pessoas de outras áreas a dizer que é uma abordagem fria e que não leva em consideração os sentimentos. O que não é verdade. Tanto não é que em algumas questões começamos pela identificação do que é que é sentido pela pessoa. Muitas vezes o trabalho começa por aí.


E você sabe o que sente?

Você consegue saber a diferença entre saudade, solidão, melancolia, angústia e tristeza? Muita gente denomina tudo isso, ou uma parte disso, de depressão. Caso o profissional não tenha a devida atenção de detalhar o que seja exatamente o que a pessoa sente, esta pode sair com uma receita de um anti-depressivo. 

Pode ser que na verdade o que a pessoa está sentindo é uma saudade de uma realidade que se foi e que trazia sentimentos maravilhosos e que não estão mais presentes. É uma tristeza pelo que se foi, mas que não impede da pessoa reconhecer as coisas boas do presente, só precisa focar.

Claro que existem os casos reais de depressão e que precisam sim de medicação. O que chamo atenção é para um diagnóstico feito às pressas. Ou as vezes quem tem pressa é o cliente. Quer só um remédio que o ajude a dormir (ou acordar, ou para as duas coisas) para que continue sua rotina no "automático", que não tenha que "perder tempo" cuidando "dessas coisas".

A saudade em si, não necessariamente é algo ruim. Já cantava Luiz Gonzaga: 

"Se a gente lembra só por lembrar
O amor que a gente um dia perdeu
Saudade inté que assim é bom
Pro cabra se convencer
Que é feliz sem saber
Pois não sofreu"


Precisamos reconhecer o que sentimos para que possamos avaliar melhor o que provoca tais sentimentos e qual a melhor forma de agir em cada situação. Principalmente nas situações que trazem sentimentos desagradáveis que são bem mais marcantes. Biologicamente registramos com muito mais facilidade as situações ruins do que as boas.


Imagine que você diariamente, por anos e anos, passou por uma rua florida, cheirosa, com pessoas simpáticas, sempre com música alegre tocando. Só de lembrar (ou mesmo imaginar) isso trás uma sensação de bem estar. Agora o que aconteceria se você for assaltada? E se o assaltante tenha sido extremamente violento e ameaçador? Na próxima vez que chegar na esquina da dia rua, antes mesmo de visualizar qualquer coisa, que sensação virá?


Então, bastou um episódio desagradável para "apagar" inúmeros deles agradáveis.

E as vezes acontece do sentimento voltar de uma forma que numa visão superficial parece inexplicável. Digamos que no seu trabalho tenha as mesmas plantas que a rua em que foi assaltada e assim que chega ao trabalho volta a sensação de insegurança, angústia e medo. Seu vizinho sempre toca a mesma música que ouvia quando passava por aquela rua. Se esses sentimentos e emoções vierem de uma forma muito intensa, pode achar que está com uma Síndrome do Pânico, pois após o assalto vive sentindo medo em lugares que normalmente eram seguros e agradáveis, quando na verdade é um caso de Estresse pós-traumático.

E dá pra voltar a se sentir bem de novo na tal rua? Dá sim. Mas para isso tem que voltar a passar lá diariamente. Porém o que a maioria das pessoas faz é passar a evitar o que trás a sensação ruim e abre mão de tudo o que foi bom ali. 

O que descrevi aqui foi só uma ilustração, no dia a dia as coisas não são tão simples assim. Principalmente para as mulheres que ainda estão submetidas às variações hormonais. As vezes a "depressão" é só TPM, ou a sensação de melancolia e angústia é carência no período de ovulação. Por isso a importância de "olhar para dentro". 

Sabendo o que é e de onde vem fica mais fácil saber o que fazer e qual a melhor forma de fazer. E sabendo isso podemos também ensinar nossos filhos. Está nas nossas mãos criar uma geração mais equilibrada emocionalmente.

"O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós."  Jean-Paul Sartre

Cristine Cabral

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

"Quem AMA, cuida".


No texto passado, "Férias: Castigo para os pais?" referi que os pais não trabalham para os filhos. Gostava de explorar melhor no texto que segue esta citação. Por que digo isso? Porque não é difícil escutar no dia-a-dia comentários sobre o trabalho que os filhos dão...são a 3a jornada de trabalho de uma mulher. Ou a expressão: "Ô menino para dar trabalho!".

Desde que a Maria Eduarda nasceu como toda mulher, no meu caso casada precisei me adaptar a nova rotina. Organizar as tarefas diárias, casa, estudos, trabalho, maridão e assumir o meu papel de mãe. Ser mãe foi uma escolha, eu quis juntamente com o meu marido e assumimos está dádiva de corpo e alma. Daí eu não achar que tenho trabalho com a minha filha. Eu não trabalho para ela. Eu faço porque gosto, tenho responsabilidade e isso é uma rotina diária de uma mãe. Uma frase que resume facilmente onde quero chegar e foi referida no texto passado e não me canso de falar é: "Quem ama cuida". :)
Adoro esta foto eu e minha pequena com 7 dias! Saudades...


Mas por que eu querer retirar essa expressão "que filho dá trabalho" do meu dia-a-dia? Por ser algo visto como negativo, carregado de "cansaço"...quando se diz isso, já antecipamos uma carga para as costas. E como sinto prazer de estar com a minha filha, me dedico a ela...simplesmente. E acredito que a maioria dos pais fazem isso, apenas repetem a tal frase por ser algo que faz parte do nosso dia-a-dia. Por que não mudar?

Esta é uma estratégia de substituição de pensamento negativos por pensamento positivos e tranquilizantes. Resulta, acreditem!

Claro que sou humana e tenho os meus dias de cansaço... mas fazer o que? Respirar fundo e tentar não misturar os assuntos (risos). Minha filha não tem culpa. Os filhos também têm os dias deles de cansaço e mau humor (risos), um bom momento para ensiná-los a lidar com as frustrações.

Acontece que geralmente quando os comportamentos inadequados resolver aparecer coincidem com os dias que estamos mais cansadas, gastas, stressadas... É difícil não se descontrolar, então uma dica para os momentos de birras, pitis é choramingos.

IGNORAR, por mais que custe para a mãe ficar ouvindo berros e dramas o melhor é mesmo ignorar..aos poucos a criança percebe que não funciona!

- Neste momento é importante que os pais evitem a discussão e o contato visual com a criança. 
- No início é comum a criança berrar ainda mais e mais alto! Se você ceder... já sabe, para a criança o berro vale a pena. Simples...eu berro, grito e consigo! Então se decidir usar esta técnica prepare os ouvidos e mentalizar-se para ser capaz de manter a sua decisão e ignorar.
-  Ignore e desvie a atenção para outra coisa.
- Ensine aos outros a ignorar, isto é, o pai também precisa estar preparado, bem como familiares e amigos.
- Dê atenção a comportamentos positivos, quando a criança se acalmar explique a ela que gosta de a ouvir falar assim sem choramingar. Elogiar o fato dela estar a portar-se bem. Sorria. :)

E como em todas as dicas apelo a prática do bom senso, se a birra consistir em algo que seja prejudicial a criança não ignore...

Uma coisa tenho certeza, e que toda mãe deve saber bem, é que todo dia é dia de ser mãe. Cada uma com a sua rotina, regras e valores. Como a Cristine referiu "Mãe Não é tudo igual", mas uma coisa temos em comum queremos sempre o melhor para os nossos filhos.

Saudações de terras lusas...

Frioooo...
Taciana Ferreira



terça-feira, 27 de novembro de 2012

Uma estranha no ninho

Quem pensa diferente da maioria das pessoas ou vive se justificando, ou permite que os outros pensem o que quiserem pensar... eu faço parte do segundo grupo.

A forma como eu penso e faço algumas coisas dá margem à várias interpretações (erradas, na maioria das vezes). As vezes nem minha mãe, ou a Taciana entendem. Esta quando não entende, não me julga, fala o que ela sentiu sobre a tal coisa e me pergunta o que há. E o mais importante: escuta. Pois esse é o problema de quem vive se justificando... dependendo do ouvinte a justificativa não surtirá qualquer efeito... Ela pode até não aceitar, ou não concordar com o meu ponto de vista, mas entende e respeita... e por isso somos amigas a mais de 20 anos.

Vou colocar dois exemplos significativos:

Várias vezes, em contextos diferentes, já mencionei que considero a possibilidade de a Nadine vir a estudar em uma escola pública. Os "julgadores de plantão" logo me "crucificam", mas eu já estou acostumada. Vou explicar aqui, não para me justificar, mas por estar dando um exemplo e mostrando que não existe só um caminho a seguir.

Quando eu falo isso é algo somente para quando ela tiver mais de 14 anos, com alguma maturidade para analisar as consequências e quando eu tiver segurança que independente do meio em que ela se encontre, vai saber fazer as escolhas certas. Como já expliquei nos posts Sonhos de Mãe e Seu filho não é seu! tenho minha cabeça aberta para toda e qualquer escolha que a Nadine venha a fazer no nível profissional. Pode ser que ela venha a ter talento para artes ou esportes. Alguém já deve estar pensando "mas educação vem sempre em primeiro lugar!" e concordo plenamente com a frase, só não concordo que educação seja só o conteúdo que a escola passa, educação é muito, muito mais. 

Bom, mas voltando às possibilidades... pode ser que aos 14, 15 anos ela resolva que quer trabalhar e legalmente isso é possível por meio da Lei do Jovem Aprendiz. E estudando em escola pública há mais chances, pois aqui no caso o preconceito é inverso "Filhinho de papai de escola particular não vai ter disposição pra trabalhar direito". Falo como profissional que fazia Recrutamento e Seleção e que dava aulas aos jovens. E posso afirmar com toda certeza, alguns daqueles meninos tem características que nenhuma escola particular vai ensinar... suas realidades, suas necessidades, os tornaram jovens determinados, dispostos, de bom caráter. São meninos e meninas que estudam de verdade na escola, que fazem o curso (obrigatório por lei para poder ser Aprendiz) e têm seus turnos de trabalho. Então quando olho para alunos de escola pública não vejo só "essa gente" que algumas mães têm medo de "misturar" seus filhos. Para os "julgadores de plantão" é mais fácil achar que eu sou uma mãe desinteressada no desenvolvimento da minha filha, ou mesmo preguiçosa, que não quer trabalhar e fazer sacrifícios pra dar "tudo do bom e do melhor".

Só ressaltando: o que escrevi é algo que PODE ser... que não sei se VAI acontecer... são só possibilidades.

Outra situação melindrosa é o fato de eu me dar bem com o pai da minha filha. Acredito que deva haver até especulações que ainda estamos juntos... Como eu disse lá em cima: não me importo com o que pensam.

Mas então vem a exclamação: "Mas isso não é normal!" ... é... infelizmente não é normal. O normal é ver pais separados e que não podem ficar no mesmo ambiente, é haver desconforto, ou mesmo brigas e acusações e as crianças no meio... é normal noivas terem problemas para arrumar o altar já que pai e mãe não ficam no mesmo ambiente, é normal crianças ouvirem as mães nunca falarem o nome do pai e sim "aquele traste", é normal as crianças serem usadas para tentar atrapalhar o novo relacionamento do ex.

Eu não quero essa "normalidade" para mim, nem para a minha filha. Não adianta ficar pensando "E se eu tivesse feito isso?", ou "E se ele não tivesse feito aquilo?" O que passou, passou! O passado fica no passado. Perdoar não é esquecer. É simplesmente seguir em frente... 

Felizmente, no que diz respeito à tarefa de ser pai não tenho queixas. Ele é atencioso, cuidadoso, responsável. O que foi ruim pode até ter sido bem maior do que o que foi bom (tanto que acabou.)... mas não apaga o que foi bom. As características que eu vi e gostei antes de casar ainda estão lá. Mas então deve estar se perguntando: "Se está tudo tão bem, por que não voltar?" :) 

Para evitar mais especulações esclareço: Por que a confiança acabou. Nunca fui ciumenta... não tenho paciência para ficar fiscalizando, procurando falhas, imaginando "será que ele está fazendo o que disse que ia estar fazendo?" Então se é para estar sempre desconfiada, sempre com sentimento de "que pode ser que..." estar fazendo acusações, que poderiam ou não serem verdadeiras... prefiro a paz de espírito da convivência amigável e esta cooooom muita certeza é bem mais saudável para a minha pequena. 

Não é fácil conviver com julgamentos e críticas, veladas ou escancaradas... mas eu continuo fazendo o que acho que seja melhor para mim e para minha filha. Sigo meu coração, sigo as teorias psicológicas nas quais acredito... com equilíbrio vou construindo a minha felicidade e da minha pequena (enquanto ela não souber fazer isso sozinha)

Então é isso... resumindo: Eu NÃO sou normal! :)

Cristine Cabral

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Travou...




"Esta mensagem de erro normalmente é causada por uma operação ilegal gerada por um processo que por algum motivo perdeu os dados ou o endereço de memória onde estavam guardados os dados. O sistema tenta aceder a esta informação, que é necessária para a continuidade do processo, mas que simplesmente não existe ou não é encontrada, fazendo com que gere um erro.

Por vezes a zona de memória onde está a informação foi utilizada por outro processo ou driver e quando o sistema tenta aceder essa mesma zona, encontra a informação errada." 

Não... não mudamos o tema do blog. Não nos tornamos um blog sobre Tecnologia da Informação. 

É que na hora de escrever hoje, foi assim que me senti... Travou! Deu erro na memória devido ao excesso de informação... Lista de compras da semana, Psicologia Social Crítica, Cardápio do dia com o que ainda tem, Habermas, Lista de comprar para o aniversário da pequena na escola, Teoria Crítica, Administração do Tempo, Crítica ao consumismo desenfreado, Problemas de outras pessoas as quais não tenho como ajudar e que de alguma forma me afetam, Escola de Frankfurt, Análise Funcional, Administração de conflitos, Administração financeira, Interrupções no meio de um raciocínio que estava indo as mil maravilhas,Todas as ideias de assuntos relevantes e interessantes para o blog, Trilha sonora da Galinha Pintadinha simultaneamente ao "instrumental" do notebook de brinquedo, Dificuldade de concentração que me acompanha desde sempre, Faxina e demais serviços domesticos...

Tudo junto e misturado e temperado com uma boa dose de ansiedade, um bocado de excitação, com cobertura de felicidade. :)

Pois apesar de tudo isso que está rodando na minha cabeça, tudo isso me deixa muito feliz... feliz por ter minha pequena para cuidar e amar, feliz por estar adquirindo mais e mais conhecimento, feliz por ter tantas ideias boas que fica difícil escolher uma só.

Poderia estar estressada, irritada, mas escolho ver o lado bom de cada coisinha...

Agora vou reiniciar o sistema, deixar o cooler esfriar a CPU e quando voltar passar para uma outra tarefa que não exija tanto da máquina. Uma por vez já que o sistema operacional está em fase de atualização e não está com desempenho tal eficiente quanto de costume.

"Estamos em manutenção para melhor servi-las"


Cristine Cabral

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Mãe de primeira viagem

A maternidade é algo que encanta e sempre encantará muitas pessoas o que vem a seguir a ela é que nem sempre é tão encantador. Costumo dizer que repetiria tudo para ter minha filha, mas que foi duro foi! Mudei e amadureci muito nos primeiros meses e apesar  de já ter 31 anos quando a Eduarda nasceu não tinha muita experiência com crianças.
Devem estar a se perguntar; mas afinal foi bom ou não foi? (risos). Sim foi! Hoje já consigo rir do primeiro mês com a Duda em casa ela chorava até 1h da manhã todos os dias até descobrirmos que o meu leite não estava sendo suficiente.
Como moro fora não pude contar com o suporte social da família, mas tive a Grande, Grande sorte de ter meus pais aqui comigo. Sou e serei eternamente grata pela presença deles.
Muitas mulheres se sentem inseguras com as mudanças do corpo, como o relacionamento com os maridos... com isso e aquilo e mais isso que nem conseguem curtir a gravidez. Acho que com tantas mudanças sociais a maternidade tem deixado de ser vista como algo que é "natural" para se tornar um "bichinho de sete cabeças". Mas como? Bem, antes dos filhos nascerem escuto pessoas antecipando todas as mudanças, todo o trabalho que vão ter, no sono que vão perder ...  que me pergunto, mas afinal querem ter filhos ou não??!
Percebem onde quero chegar!?! Acompanho alguns casos de negligência e violência contra a criança e cada vez mais penso...existem pessoas que deveriam ser proibidas de terem filhos. Sério!

Eu tive alguns problemas, os pontos da cesariana inflamaram, tive mastite e por isso só consegui amamentar a Duda até os 3 meses... contudo nada conseguiria superar o meu amor pela minha filha e alegria de ser mãe.
O tempo que tenho com ela e quando estou com ela não considero trabalho e sim responsabilidade, cuidado, eu quis ser mãe assumi esse compromisso e para mim o que faço para ela é natural. E sei que muitas pessoas também partilham desse pensamento, que bom!
Meu marido também meu deu muito apoio e recordo que foi ele quem deu o primeiro banho na Eduarda. Somamos imensa alegria e amor em nossas vidas.
E quanto as dúvidas com relação ao relacionamento do casal, claro que muda, mas essa mudança pode ser vista com maturidade e cumplicidade. Algumas mães deixam os maridos de "lado" para estar com o filho, uma dica é envolver o pai em algumas tarefas ou atividades diárias da criança.
Porque não a hora do casal? Durante a semana eu saía do curso e ia almoçar com o meu marido...
Apesar de não termos babá conseguimos ter as nossas horas e também adoramos estar com a nossa filha. Por diversas vezes tentei sair só com o Tino e ele dizia; "mas a Eduarda gosta tando de estar conosco". (risos).
Mamães de primeira viagem... não existe receita de bolo para o funcionamento de um casal... mas se houver amor e principalmente cumplicidade (diálogo) tudo fica mais fácil...

Saudações de terras lusas.

Taciana Ferreira



terça-feira, 9 de outubro de 2012

Crianças Responsáveis


As crianças não fazem o que nós dizemos para elas fazerem. O primeiro método de aprendizagem é por meio da imitação. Em outras palavras: se quer que seu filho tenha um determinado comportamento, primeiro você é quem tem que fazer.

Como você acha que seu filho se sentiria se você comesse um hamburgão, com batatas fritas e refrigerante, enquanto exige que seu pequeno tome uma sopa de abobrinha? Se sempre que você vai arrumar a casa o faz se queixando, reclamando, xingando quem desarrumou, como acha que seu pequeno vai realizar tal tarefa quando for a vez dele?
Nadine no Brasil

Tanto eu quanto a Taciana, já postamos fotos das nossas pequenas realizando tarefas domésticas. E sempre apareceu a “piada” do “Isso é trabalho infantil!”

Nenhuma de nós 2 temos empregadas. Taciana por morar em Portugal, não é da cultura de lá. E eu por entender que essa mudança cultural já está às nossas portas, pois assim como na Europa e Estados Unidos, em breve empregada doméstica será um luxo, por ser uma prestação de serviço cada vez mais cara. Não a toa que sempre ouço queixas de como é difícil encontrar uma boa empregada, o perfil do nosso país está mudando (não vou desenvolver nenhuma análise sociológica educacional aqui, apenas é um fato.)

Assim sendo o fato de nossas pequenas quererem lavar louças, ou varrer casas não é nada mais que uma imitação do comportamento que elas vêm constantemente em casa. E se elas passam a ver isso como algo da rotina (como escovar os dentes) não será uma “obrigação” penosa e sim só mais uma tarefa que faz parte do dia a dia.

Claro que aos 2, 3 anos não colocamos as pequenas para assumir estas tarefas, mas se elas demonstram interesse e se oferecem para “ajudar”, permitimos, mesmo que isso nos “atrapalhe” um pouco, pois é mais fácil tirá-las do caminho e terminar logo o que estamos fazendo, já que sempre temos um monte de coisas para resolver. Porém se gastamos alguns minutos ensinando e permitindo que elas “ajudem” teremos várias consequências excelentes: desenvolvemos nelas o hábito dos cuidados domésticos, dentro de alguns anos ganharemos uma ajuda extra, fortalecemos o vínculo e a identificação mãe-filha. Com poucos minutos elas se cansam e vão procurar outra atividade, mas a experiência fica como algo natural e espontâneo.

Maria Eduarda em Portugal
OBS. Estou sempre falando em FILHA, porque é o nosso caso, ambas temos meninas, no entanto tudo aqui vale também para os MENINOS.

Então, qual a idade adequada para ensinar responsabilidade aos pequenos? Desde sempre... terminou de brincar, sempre tem que guardar os brinquedos. “Mas ele só tem 1 aninho... é tão pequeno...”

Você se lembra como foi que criou o hábito de tomar banho todos os dias? Não, né! Assim ele se sentirá com relação à organização dos brinquedos. Você toma banho por obrigação, ou por gostar da sensação de estar limpa? Assim também será com ele, que com o tempo gostará da sensação de estar em um ambiente organizado.

Cuidado com trocas artificiais, por exemplo: “Se você for tomar banho, te dou um sorvete.” Os comportamentos devem ter suas consequências naturais e que acompanhem a pessoa ao longo da vida. Ou você quer que sua nora tenha que oferecer um sorvete ao seu filho para que ela tenha um marido “limpinho” (risos)????

Nos comportamentais chamamos essas trocas artificiais de reforçamento arbitrário, posteriormente pretendo escrever sobre isso aqui também, para que entendam melhor. Mas por hoje a mensagem é: seja VOCÊ o que você deseja que seu filho seja. Quer ter um pequeno leitor, então leia com ele, quer que ele coma verduras, então coma com ele, quer que ele seja organizado, então arrume com ele, não quer que ele bata nos amiguinhos, então não bata nele... (outro tema para, outro texto ;-) )

Cristine Cabral