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domingo, 10 de maio de 2015

As Relações Familiares e a Formação do Sujeito Emocional

Atualmente estou fazendo a pós-graduação em Psicopedagogia. E esta semana precisei redigir um texto como uma das avaliações de disciplina.

Achei o assunto tão relevante que resolvi compartilhar com vocês o texto enviado:

Aluna: Cristine Costa Cabral
Atividade Avaliativa 1
Módulo: Família: Relações, Vínculos e Aprendizagem

As Relações Familiares e a Formação do Sujeito Emocional

Este módulo trata da importância da família como base estrutural para as demais relações sociais, emocionais e de aprendizagem que acompanharão o sujeito ao longo de sua vida, nas demais instituições fora da família, como escola, trabalho, etc. Estudou-se as questões das particularidades que envolve cada família, tendo hoje em dia não mais a família nuclear patriarcal como único modelo. E como esta, no papel de primeira ensinante, é fator implicador do desenvolvimento da aprendizagem na escola.
“Criança não faz o que a gente diz, criança faz o que a gente faz.” Esta frase é uma constante nos meus diálogos. Seja numa roda de amigos (que sejam ou não pais), seja em atendimento clínico, seja em palestras ou cursos. Foi a forma mais sintética que encontrei para ressaltar a importância que os pais (e demais adultos que convivem com as crianças) têm na educação e desenvolvimento infantil.
Essa questão vai desde as questões mais simples como incentivar a criança a comer de forma mais saudável, o que se torna praticamente inviável quando os pais não possuem hábitos alimentares adequados. Até as questões mais básicas da educação social, como o uso das “palavrinhas mágicas”. Como uma criança aprenderá a pedir por favor, se em casa ninguém pede nada usando esta palavra, seja de mãe pra filho, seja de pai para mãe?
A escola sofre com a falta de educação básica. O que antes as crianças aprendiam em casa (regras de comportamento social, regras de etiqueta básica, etc.), hoje em dia esta demanda está sendo destinada à escola. As causas deste evento são tão diversificadas quanto os modelos de família da atualidade. Seja por que, nos primeiros anos de vida, a criança ficou aos cuidados de uma babá que praticamente não falava com a criança, deixando-a a maior parte do tempo em frente à televisão, seja por que a mesma ficou sob os cuidados de avós condescendentes, que ao menor gemido da criança já corriam para prover qualquer coisa que esta pudesse vir a desejar.
Este tipo de educação já vem sendo denominada por alguns estudiosos como “Crianças Terceirizadas”. Ou seja, com a enorme demanda de tempo destinado ao trabalho, os pais cada vez mais estão menos tempo presentes e vêm terceirizando a educação, contratando babás, professores particulares, psicólogos, escola de tempo integral, cursos de línguas, escolinhas de esporte, etc. E o mais básico da estrutura humana está sendo colocado em segundo plano: o afeto, a atenção, o carinho, a dedicação, a educação de valores, a imposição de limites...
Como conclusão o que posso colocar é que a parceria entre a escola e a família é essencial. Ambas têm papel fundamental na formação do cidadão, porém se esta não oferece modelos adequados de comportamento, de valores, de limites, pouco aquela pode fazer.
A curto prazo o problema não parece ser tão grave... alguns dias de suspensão, ou mudar constantemente de escola, ou colocar numa escola pública como punição ou como uma forma dos pais dissessem “lavo minhas mãos, não gastarei mais meu dinheiro com a sua educação, se você não quer ser educado”. Porém a médio e longo prazo as consequências são gravíssimas: mais e mais professores sendo agredidos (verbal e fisicamente) e adoecidos, incapacidade dos jovens de gerar vínculos sociais adequados e consequentemente mais sofrimento emocional, mais agressividade, mais depressão, risco social do desenvolvimento de conflitos com a lei, visto que se a autoridade dos pais e professores não é reconhecida, existe a probabilidade de que a autoridade legal e jurídica também não seja, dentre outras consequências de maior ou menor gravidade.

A educação de cada criança não é uma questão só da família, ou só da escola, é uma questão de todos, é uma questão social. Quando estivermos na terceira idade, é nas mãos destas crianças que nós e toda a sociedade estaremos.

Deixem nos comentários que nota dariam heheheh. Vamos ver se os meus professores concordam com vocês.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Não há inteligência. Há inteligênciassssss!

Quando era criança eu nunca era incluída entre os alunos inteligentes, não me destacava nas notas, era tímida demais para me manifestar em sala e a proporção que a dificuldade foi aumentando, a timidez que me impedia de esclarecer dúvidas, fez com que meu rendimento diminuísse e eu passei a ser qualificada de aluna desinteressada, "insuficiente", que não era esforçada, etc.

Logo nos primeiros semestres do curso de Psicologia uma "crise existencial" se instalou. Muitas vezes assuntos eram debatidos longamente entre professor e alunos que não conseguiam entender, algo que eu havia entendido na primeira explicação. Porém isso não era motivo de orgulho, mas sim de insegurança, pois provavelmente eu estaria enganada e tinha entendido errado, pois (para mim mesma) não era uma aluna inteligente. Então me esforçava para tentar enxergar o meu erro. 

E para mim era ainda mais estranho quando a palavra inteligente chegava a mim como um elogio. Logo pensava: "Essa pessoa me conheceu agora, logo vai perceber que não sou tão inteligente assim."

Ainda hoje não consigo elencar este adjetivo entre as minhas qualidades. Mas sei que não sou tão "burra" quanto achava que era. Embora a palavra burra nunca tivesse sido usada, era assim que me sentia.

É comum ouvir a pergunta: "E el@ é inteligente?" No entanto a pergunta adequada seria: "Em quais inteligências el@ se destaca?"

Pois fiquem sabendo que existem NOVE tipos de inteligência.

Lógico-matemática

A capacidade de confrontar e avaliar objetos e abstrações, discernindo as suas relações e princípios subjacentes. Habilidade para raciocínio dedutivo e para solucionar problemas matemáticos. Possuem esta característica matemáticos. 

Linguística

Caracteriza-se por um domínio e gosto especial pelos idiomas e pelas palavras e por um desejo em os explorar. É predominante em poetas, escritores, e linguistas, como J.K. Rowling, T. S. Eliot, Noam Chomsky, J. R. R. Tolkien, W. H. Auden,Fernando Pessoa,Machado de Assis entre outros.

Musical

Identificável pela habilidade para compor e executar padrões musicais, executando pedaços de ouvido, em termos de ritmo e timbre, mas também escutando-os e discernindo-os. Pode estar associada a outras inteligências, como a lingüística, espacial ou corporal-cinestésica. É predominante em compositores, maestros, músicos, críticos de música como por exemplo, Ludwig van Beethoven, Leonard Bernstein, Midori, John Coltrane, Mozart, Maria Callas, Jimmy Page.

Espacial

Expressa-se pela capacidade de compreender o mundo visual com precisão, permitindo transformar, modificar percepções e recriar experiências visuais até mesmo sem estímulos físicos. É predominante em arquitetos, artistas, escultores, cartógrafos, navegadores e jogadores de xadrez, como por exemplo Michelangelo, Frank Lloyd Wright, Garry Kasparov, Louise Nevelson, Helen Frankenthaler, Oscar Niemeyer.

Corporal-cinestésica

Traduz-se na maior capacidade de controlar e orquestrar movimentos do corpo. É predominante entre atores e aqueles que praticam a dança ou os esportes, como por exemplo Cristiano Ronaldo, Marcel Marceau, Martha Graham, Michael Jordan, Pelé, Eusébio, Messi.

Intrapessoal

Expressa na capacidade de se conhecer, estando mais desenvolvida em escritores, psicoterapeutas e conselheiros, como por exemplo, Sigmund Freud.

Interpessoal

Expressa pela habilidade de entender as intenções, motivações e desejos dos outros. Encontra-se mais desenvolvida em políticos, religiosos e professores, como por exemplo o Mahatma Gandhi e Adolf Hitler .

Naturalista

Traduz-se na sensibilidade para compreender e organizar os objetos, fenômenos e padrões da natureza, como reconhecer e classificar plantas, animais, minerais, incluindo rochas e gramíneas e toda a variedade de fauna, flora, meio-ambiente e seus componentes. É característica de biólogos, geólogos mateiros, por exemplo. São exemplos deste tipo de inteligência Charles Darwin,Rachel Carson, John James Audubon, Thomas Henry Huxley.

Existencial

Investigada no terreno ainda do "possível", carece de maiores evidências. Abrange a capacidade de refletir e ponderar sobre questões fundamentais da existência. Seria característica de líderes espirituais e de pensadores filosóficos como por exemplo Jean-Paul Sartre, Søren A. Kierkegaard, Frida Kahlo, Alvin Ailey, Margaret Mead, Bento XVI e o Dalai Lama.

(fonte: wikipedia)
Ou seja, eu era uma criança que possuía mais desenvoltura nas inteligências Intrapessoal, brincava sozinha a maior parte do tempo, mas isso não me incomodava. Era tímida demais para fazer amizades. Corporal-sinestésica no que diz respeito a dança, basta olhar que aprendo muita coisa e ainda hoje se me esforçar um pouco consigo, ou se tiver um bom professor, sou capaz de "encarar" qualquer ritmo. O engraçado é que não era tímida para apresentações de dança, desde que não tivesse que falar, não me importava. E principalmente a Linguística, nunca precisei estudar para as provas de português, redação (como era chamada na época) era minha aula preferida, muitos recreios eram na biblioteca, ou na sala de aula, lendo.
E ainda temos a Inteligência Emocional, mas esta é assunto para um outro post exclusivo.
Para concluir só deixo aqui o recado para que as mães (e os pais) conheçam seus filhos. Cuidem da auto-estima deles, cada um é capaz de alcançar um grande sucesso, porém será o sucesso DELE. É o que a própria criança sonha e tem capacidade e talento para alcançar.
É comum a frase: Respeite pai e mãe! Mas pai e mãe também devem respeito à individualidade de cada um de seus filhos.
Para continuar lendo sobre o assunto indico outros posts:

Cristine Cabral

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

"Atacaram" a minha filha na Escola


Vou começar o post de hoje com o diálogo que tive com Cristine sobre o que aconteceu com a minha filha na escola. Nos mudamos para cá no meio deste ano e desde agosto que ela começou a frequentar esta nova Escola.

8:31 
Taci: A Eduarda ontem chegou machucada da escola...
Contou que todos bateram nela. Até dormi mal...

Cris: E a professora o que disse?

Taci: Conversei com ela. Ela me disse que a professora protegeu ela e que deixou os amigos de castigo.
Ai foi aquela conversa noturna... Pedi para ela me contar caso acontecesse de novo ...
Expliquei que no início quando a gente não conhece os amigos acontece essas coisas ... Que aos poucos eles vão perceber que ela eh amiga.
Pq ela tava começando a dizer q não queria ir p escola que em Portugal era melhor e não era assim.

Cris: E ela disse o pq?

Taci: Ela disse que eles não querem ser amigos dela  (tem um líder.)
Acho que é disputa porque a duda lá (Na escola em Portugal) era o centro das atenções.

Cris: Hum...

Taci: Ela fala de um menino. Esse quem manda. (risos) 

Cris: E como ela entrou no meio do ano... a integração fica mais lenta.

Taci: Ela disse que ele falou AAATACARRRRR!!!! E começaram a bater nela, chutes, murros... Afeee

Cris: Ouw meu Deus.

Taci: Tadinha Cris, ela só contou porque na hora de dormir o pé estava doendo.

Cris: As meninas também?

Taci: Sim, disse que algumas mas também falou que tem um lá que protege ela. (risos)

Cris: Que bom que tem alguém.

Taci: Ai fui passar pomada nas ronchas. Enfim, tentando não passar meu desgosto...
A parte boa é que hoje ela acordou super bem. 

Cris: Teve um novato q passou por isso na sala da Nadine, mas no caso dele, é que era mais calmo e não acompanhava os outros meninos.

Taci: Ela hoje encontrou uma forma de chamar atenção levou para a escola uma máscara de princesa. Foi logo chamando atenção de todos (risos). Ai entrou na sala de peito cheio. 

Cris: Guerreirinha.
Taci: Srsrs ufa... Uma estratégia que ela encontrou para ser o centro das atenções.

Cris: Hehehehehe

Taci: Exato. Fiquei mais tranquila.

Cris: Que bom.

Taci: Mas falei com a professora que não tinha dado muita importância para não virar drama, mas pedi para ficarem atentas, claro.

Cris: Exercício pra vida.

Taci: Cris ela pediu p eu n contar a ninguém nem para a professora.(risos) Interessante não é? Então pedi para a professora não falar nada e assim a Duda não perde a confiança em mim.

Cris: Muitas mãe iriam fazer confusões, brigar com a tia ou com a mãe das outras crianças.

Taci: Pois é mas isso nem pensar! Seria ridículo me trocar com criança. 

Cris: Certamente...

Eu preferia não estar aqui para contar esse acontecimento mas achei que poderia ser importante partilhar a minha experiência com outras mães. Esta não será a primeira nem a última vez que temos estes acontecimentos em escolas. E agressão não se corrige com agressão, certo?
A sua atitude para com o seu filho é que vai fazer toda a diferença. 

Primeiro tentei entender o porque do "ATACAR" e como os adultos tinham reagido. Agiram corretamente protegeram-na e castigaram as crianças que bateram na Duda. Também expliquei a minha filha que ela ainda estava em fase de adaptação a nova escola e que com o tempo ela vai começar a fazer novos amigos, ma para isso ela precisa continuar a ser como ela é simpática, amiga e querida. Mas porque? Porque eu não queria que ela ficasse assustada com a escola ou com medo dos colegas de sala. Nem se sentisse "a coitadinha". Passei segurança ao dizer a ela que eu iria estar atenta e que caso acontecesse de novo ela tinha que me contar. 

Foi fácil? Não, definitivamente não, mas precisamos pensar muito bem em como agir antes de partir para à briga, pois à tendência é complicar ainda mais a situação. Ah e por favor não se troquem com crianças (risos) POR FAVOR! Permita o seu filho a adquirir essa competência, pois você não vai estar sempre ao lado dele para fazer esse tipo de coisa, correto?

De qualquer forma agora estou mais tranquila...Ser mãe é um desafio diário que nos torna mais fortes e realizadas. A reação de hoje da minha guerreirinha com a sua Máscara de Princesa mostrou-me o quanto ela é capaz de dar a volta por cima. E isso faz mais do que parte da vida...

Não a Violência, eu digo NÃO!

E vocês o que teriam feito?

Um bom fim de semana a todas(os)!

Taciana Ferreira















terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Estudante disfuncional, ou genial?


Imagine que tem uma classe com 9 alunos: Elis, Pablo, Ronaldo, Getúlio, Chico, Charles, Jean, Sheldon e J.K.

- Elis está cantando baixinho uma música incompreensível.
- Pablo, ao descuido do professor, está pintando a parede do fundo da sala.
- Ronaldo não para quieto, pois no próximo período tem aula de Educação Física.
- Getúlio está preocupado em montar sua chapa para o grêmio estudantil e não prestou atenção em nenhuma palavra do professor.
- Chico, apesar de muito introspectivo, está sempre conversando baixinho, preocupado com os problemas dos colegas.
- Charles, diariamente, traz um inseto novo para impressionar os rapazes e assustar as meninas.
- Jean está rabiscando coisas absurdas à margem do caderno.
- Sheldon parece distante, enquanto resolve problemas de física na aula que é de geografia.
- J.K. está escrevendo sem parar em pedaços de papel amassado.

Em uma palavra, como definiria essa turma? Que postura você acha que o professor deveria tomar? E se seu filho fosse um deles, que posição tomaria a respeito?

Agora pense de novo:
E se Elis fosse Elis Regina, Pablo fosse Picasso, Ronaldo fosse gaúcho, Getúlio fosse Vargas, Chico fosse Xavier, Charles fosse Darwin, Jean fosse Paul Sartre, Sheldon fosse Cooper e J.K fosse Rowling?

Você estaria frente a uma turma "normal", "adversa", "indisciplinada"? Ou seriam alunos desenvolvendo diferentes tipos de inteligências e, talvez, um dia fossem reconhecidos mundialmente por suas habilidades, cada um em sua área? (Situação copiada do facebook do blog Lendo.org)

Muitas vezes as crianças chegam em nossas clínicas trazidas pelos pais com queixas de serem distraídos, desinteressados,dispersos, ou “hiperativos”. Quando na verdade só são “desconhecidos” para os pais.
Já falei isso em diversas postagens: Conheça seu filho! Saiba do que ele gosta, que habilidades tem, quem são os amigos, que fazem quando estão juntos.

Não quero dizer com isso que a educação formal deva ficar de lado. Não é isso! Não é por que seu filho tem potencial para ser um grande jogador de futebol, que vai tirá-lo da escola para que ele treine mais horas por dia. É uma questão de oportunizar, de organizar o tempo.

Explicando melhor. Lembre-se dos dissabores que tem na sua vida profissional, todas as profissões e posições hierárquicas enfrentam desafios e situações complicadas. Mas quando acontecem situações assim, você tem como lembrar do que te mantém neste trabalho, que recompensa você ganha por fazê-lo bem feito, seja o reconhecimento, seja o sorriso do cliente satisfeito, ou só mesmo o salário no fim do mês. Agora imagine passar por tudo sem vislumbrar nenhuma recompensa, só por que alguém lhe disse que era sua obrigação e que é bom para o seu futuro. Futuro esse que parece longínquo, incerto e chato.
 
Ninguém pensa, sente, ou sonha exatamente da mesma forma que outra pessoa. É preciso respeitar a individualidade de cada ser humano.

Claro que nem todas as crianças e adolescentes se dão mal na escola, estas realmente gostam da atividade de estudar, ou são boas seguidoras de regras, ou vivem sob a pressão de ameaça de punição. Já atendi uma criança (não vou especificar se era menino, ou menina para preservar a questão do sigilo), mas para ela (a criança) tirar um 10,00 tinha como conseqüência pura e simplesmente a sensação de alívio. Agora pense, se um 10,00 é só alívio do tipo: “Ufa! Consegui...” o que será necessário para que sinta real alegria? Quando vai poder se orgulhar?

Voltando à nossa classe de talentos. Se você reconheceu que seu filho tem interesses além do conteúdo formal da escola, oportunize situações e momentos em que possa extravasar, praticar, vivenciar o que realmente gosta de fazer. Isso facilitará muito no hábito da disciplina, a ter paciência de esperar a hora certa de fazer o que se quer fazer, de saber que cumprida a obrigação se tem a certeza da diversão.

Repito: conheça seu filho. A escola pode até ajudar a identificar possíveis talentos suprimidos, mas isso depende muito da qualidade da escola, da sua proposta pedagógica, da quantidade de alunos. Porém para a escola, por mais atenciosa que seja a equipe multidisciplinar de professoras, pedagogas, psicólogas, não é possível ter o olhar individualizado que só os pais podem ter. Mesmo que a criança passe o dia na escola, cada professora só passa 1 ano com uma turma de alunos, por mais atenciosa que seja ela não foi testemunha de desenvolvimento da criança até o momento em que se encontra. E mesmo que fosse possível, não é papel dela.

Todas nós queremos o melhor para os nossos filhos. Fazemos o que achamos que é melhor para o futuro deles. Mas atenção: pense em ajudar a seu filho a ser mais feliz HOJE.

... e seja você também mais feliz hoje. Do amanhã, ninguém sabe...

De uma mãe/psicóloga feliz!!!!

Cristine Cabral

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Uma estranha no ninho

Quem pensa diferente da maioria das pessoas ou vive se justificando, ou permite que os outros pensem o que quiserem pensar... eu faço parte do segundo grupo.

A forma como eu penso e faço algumas coisas dá margem à várias interpretações (erradas, na maioria das vezes). As vezes nem minha mãe, ou a Taciana entendem. Esta quando não entende, não me julga, fala o que ela sentiu sobre a tal coisa e me pergunta o que há. E o mais importante: escuta. Pois esse é o problema de quem vive se justificando... dependendo do ouvinte a justificativa não surtirá qualquer efeito... Ela pode até não aceitar, ou não concordar com o meu ponto de vista, mas entende e respeita... e por isso somos amigas a mais de 20 anos.

Vou colocar dois exemplos significativos:

Várias vezes, em contextos diferentes, já mencionei que considero a possibilidade de a Nadine vir a estudar em uma escola pública. Os "julgadores de plantão" logo me "crucificam", mas eu já estou acostumada. Vou explicar aqui, não para me justificar, mas por estar dando um exemplo e mostrando que não existe só um caminho a seguir.

Quando eu falo isso é algo somente para quando ela tiver mais de 14 anos, com alguma maturidade para analisar as consequências e quando eu tiver segurança que independente do meio em que ela se encontre, vai saber fazer as escolhas certas. Como já expliquei nos posts Sonhos de Mãe e Seu filho não é seu! tenho minha cabeça aberta para toda e qualquer escolha que a Nadine venha a fazer no nível profissional. Pode ser que ela venha a ter talento para artes ou esportes. Alguém já deve estar pensando "mas educação vem sempre em primeiro lugar!" e concordo plenamente com a frase, só não concordo que educação seja só o conteúdo que a escola passa, educação é muito, muito mais. 

Bom, mas voltando às possibilidades... pode ser que aos 14, 15 anos ela resolva que quer trabalhar e legalmente isso é possível por meio da Lei do Jovem Aprendiz. E estudando em escola pública há mais chances, pois aqui no caso o preconceito é inverso "Filhinho de papai de escola particular não vai ter disposição pra trabalhar direito". Falo como profissional que fazia Recrutamento e Seleção e que dava aulas aos jovens. E posso afirmar com toda certeza, alguns daqueles meninos tem características que nenhuma escola particular vai ensinar... suas realidades, suas necessidades, os tornaram jovens determinados, dispostos, de bom caráter. São meninos e meninas que estudam de verdade na escola, que fazem o curso (obrigatório por lei para poder ser Aprendiz) e têm seus turnos de trabalho. Então quando olho para alunos de escola pública não vejo só "essa gente" que algumas mães têm medo de "misturar" seus filhos. Para os "julgadores de plantão" é mais fácil achar que eu sou uma mãe desinteressada no desenvolvimento da minha filha, ou mesmo preguiçosa, que não quer trabalhar e fazer sacrifícios pra dar "tudo do bom e do melhor".

Só ressaltando: o que escrevi é algo que PODE ser... que não sei se VAI acontecer... são só possibilidades.

Outra situação melindrosa é o fato de eu me dar bem com o pai da minha filha. Acredito que deva haver até especulações que ainda estamos juntos... Como eu disse lá em cima: não me importo com o que pensam.

Mas então vem a exclamação: "Mas isso não é normal!" ... é... infelizmente não é normal. O normal é ver pais separados e que não podem ficar no mesmo ambiente, é haver desconforto, ou mesmo brigas e acusações e as crianças no meio... é normal noivas terem problemas para arrumar o altar já que pai e mãe não ficam no mesmo ambiente, é normal crianças ouvirem as mães nunca falarem o nome do pai e sim "aquele traste", é normal as crianças serem usadas para tentar atrapalhar o novo relacionamento do ex.

Eu não quero essa "normalidade" para mim, nem para a minha filha. Não adianta ficar pensando "E se eu tivesse feito isso?", ou "E se ele não tivesse feito aquilo?" O que passou, passou! O passado fica no passado. Perdoar não é esquecer. É simplesmente seguir em frente... 

Felizmente, no que diz respeito à tarefa de ser pai não tenho queixas. Ele é atencioso, cuidadoso, responsável. O que foi ruim pode até ter sido bem maior do que o que foi bom (tanto que acabou.)... mas não apaga o que foi bom. As características que eu vi e gostei antes de casar ainda estão lá. Mas então deve estar se perguntando: "Se está tudo tão bem, por que não voltar?" :) 

Para evitar mais especulações esclareço: Por que a confiança acabou. Nunca fui ciumenta... não tenho paciência para ficar fiscalizando, procurando falhas, imaginando "será que ele está fazendo o que disse que ia estar fazendo?" Então se é para estar sempre desconfiada, sempre com sentimento de "que pode ser que..." estar fazendo acusações, que poderiam ou não serem verdadeiras... prefiro a paz de espírito da convivência amigável e esta cooooom muita certeza é bem mais saudável para a minha pequena. 

Não é fácil conviver com julgamentos e críticas, veladas ou escancaradas... mas eu continuo fazendo o que acho que seja melhor para mim e para minha filha. Sigo meu coração, sigo as teorias psicológicas nas quais acredito... com equilíbrio vou construindo a minha felicidade e da minha pequena (enquanto ela não souber fazer isso sozinha)

Então é isso... resumindo: Eu NÃO sou normal! :)

Cristine Cabral

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Consulta psicológica x Pais

Tenho recebido alguns pedidos de ajuda para crianças de 2 e 3 anos com problemas de comportamento na creche. 
As queixas são: Uma criança que chora a manhã inteira, outra que morde tudo e uma que  não quer se alimentar... 
Considero cada caso com crianças um desafio, porque? O sucesso do acompanhamento não depende só do Psicólogo... envolve a escola, os educadores e principalmente os pais. O pedido de ajuda é feito geralmente pelas educadoras e antes de chamar os pais observo as crianças em sala. Geralmente os pais são receptivos e demonstram vontade em resolver o problema.
A questão é que promover melhorias e bem estar implicam em mudanças de comportamento. E é aqui onde quero chegar... nem sempre os pais estão preparados para isto e acham que é dever e obrigação da Psicóloga resolver o problema dos filhos...

Quando isso acontece e acredito que todos os colegas concordam comigo...temos um caso que caminha para o fracasso. Como dizia um professor de consulta, " Estamos a gastar saliva e não vai resultar".
Ou seja, costumo ser franca com os pais e explico que temos um trabalho em conjunto e que o papel deles é tão importante como o meu. Mais claro do que isso e melhor!?!? Acompanhar as melhorias e contribuir para o bem estar das crianças.

É fácil esclarecer esta questão pondo a situação de outra maneira. Será  que uma hora por semana da criança com uma terapeuta é o suficiente para resolver todos os problemas de uma família inteira? Isso resolve com adultos que já tem capacidade cognitiva suficiente para perceber suas angústias, transmitir o que sente em palavras e inteligência para aceitar o que o terapeuta dá como retorno.

Com a criança é tudo bem diferente. Uma criança não acha que tem um problema a ser resolvido, tal como; "Sim. Quando eu quero alguma coisa faço um escândalo, esperneio, bato, mordo e no final alguém sempre me dá o que eu quero." 
Claro que uma criança não tem consciência disso, ela só se utiliza de estratégias que sabe que funciona e que traz o resultado que ela espera.

Assim sendo, uma terapia infantil exige bastante de uma psicóloga, mas exige tanto, ou mais dos responsáveis.

Texto de hoje escrito a 4 mãos e a distância ;)