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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Amando ser amadora

Caras leitoras (e eventuais leitores),

Iniciei um novo projeto e estou me aventurando pelos ares do YouTube. Ainda é tudo muito novo e estou apenas engatinhando nesta nova seara digital, mas, como tudo na vida, é praticando que a gente aprende.

Agradeço a visita dos que forem lá dar uma olhadinha.



Beijos, Cristine Cabral



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Vamos falar sobre sexo

Não consigo entender porque qualquer coisa relacionada a sexo ganha uma proporção tão grande, já que é algo que todo mundo faz...

Com amor, ou sem amor, mas faz.
Antes ou depois do casamento, mas faz. 
Com uma única pessoa a vida inteira, ou com várias na mesma semana, mas faz. 
Com alguém do sexo oposto, ou alguém do mesmo sexo, mas faz. 
Com o intuito único e exclusivo para reprodução, ou por pura diversão, mas faz.

Exceto celibatários, monges e pessoas assexuadas, todo mundo faz.

Sexo é uma função biológica cuja relevância é muito individual. Para algumas pessoas é a melhor coisa da vida, para outras não tem nenhuma importância. E mesmo essas que não dão importância têm formas diferentes de lidar. Lembro de ter visto em um filme, há muito tempo, que tinha o diálogo de uma prostituta com um padre que ela dizia: “Sexo tem o mesmo significado para nós dois, é algo sem importância, tanto que você passa a vida sem fazer com ninguém e eu faço com qualquer um.”


Então porque falar para as crianças sobre isso é o fim do mundo? Respostas possíveis:

- Porque ainda está muito cedo. Baseado em quê se calcula que é cedo? A minha referência é a curiosidade da criança. Se ela pergunta é porque já está na hora de saber. Claro que fazendo as devidas adaptações de linguagem e passando o conteúdo aos poucos. Minha filha acabou de fazer 6 anos, mas ela sabe que ela saiu da minha barriga por um corte, mas que tem outros bebês que saem pelo “pipi”. Que nos dias em que estou mais impaciente é porque está perto do “sangue do pipi” chegar.

Quando minha filha me pediu uma irmã, tive que explicar que era muito complicado, pois eu e o pai dela somos separados. Que os amiguinhos da escola estavam ganhando irmãos, porque os pais continuavam casados. Que para que ela tivesse uma irmã, primeiro a mamãe tinha que ter um namorado, para depois fazer um bebê com ele. Mas se o pai dela encontrasse uma namorada e tivesse um bebê com ela, esse bebê também seria irmã.

Muita coisa já foi explicado, apenas a anatomia do ato sexual ainda não foi informado. E só não expliquei porque ela não perguntou. (Isso vale também para explicar às crianças sobre homossexualidade, não precisa entrar na questão anatônica, basta falar em namoro, em amor que elas entendem muito mais fácil que muitos adultos preconceituosos)


- Porque se explicar, vai influenciar. Bom, deixa eu te contar uma coisa: sua criança já está sendo influenciada o tempo inteiro. Olhe os outdoors no caminho de casa para a escola, escute com atenção as letras de música, que mesmo que você cuide que não toque em casa, mas que tios e primos mais velhos escutam, que o vizinho ouve, se atente para novelas, comerciais, vídeo clipes, etc. A erotização está por toda parte e é usada e abusada pelo marketing, da venda de biquínis, a venda de carros. E não adianta tentar proteger seu filho do mundo. É preciso ensiná-lo a viver nesse mundo.

- Porque criança pequena sabendo sobre tudo desestabiliza a família. De todas as possíveis respostas essa é a mais insana. O que desestabiliza família é a mentira e traição (e não estou falando só entre os pais, mentir para os filhos também é muito sério). É uma geração tentar impor sua forma de ver e viver a vida a outra geração (tanto a anterior, quanto a posterior) sem o devido respeito. É desrespeitar e isolar um membro da família por ser homossexual.


A melhor prevenção é a educação e a informação. Se você não fala sobre sexo com seu filho, alguém vai falar. E você vai perder a oportunidade de repassar os valores morais que espera que ele tenha. Para as pessoas mais religiosas, vai perder a oportunidade de passar os dogmas da sua religião. Vai deixar de alertar para os riscos de doenças e de gravidez indesejada. Vai deixar de ser a referência de fonte de sabedoria e conhecimento.


E por último e mais sério de todos: quanto mais ingênua é uma criança, mais fácil ser vítima de um pedófilo. Na postagem Projeta seus filhos há um texto, cujo autor nunca consegui a referência (se souber deixe nos comentários), com dicas importantíssimas. Uma leitura obrigatória.

Feliz 2016!

Cristine Cabral

Para continuar lendo sobre Educação Sexual:



segunda-feira, 2 de março de 2015

Filho X Grana


Algumas semanas atrás numa conversa com uma amiga ela me fez a seguinte pergunta: Como você pensa em ter outro filho? São muitas despesas! Não dá para ter outro filho não. Eu respondi que no momento que vivo com minha família realmente não pensamos em ter outro filho... agora!
A vinda do primeiro foi super planejada e a do segundo não pode ser diferente. Mas, em breve sim poderemos ter outro filho a partir de alguns ajustes no orçamento, acredito que em cerca de dois anos estamos "encomendando" mais um filho.
Minha amiga continuou surpresa, afirmando que para ela era impossível ter outro filho dado os gastos com o primeiro. Vai e volta acabo tendo essa conversa de dinheiro X filhos com várias pessoas. Elas dizem que são muitas despesas, que tudo é muito caro, que no mundo de hoje só podemos ter um filho, que dá muito trabalho etc.
Nessas horas lembro-me bem de outra amiga minha que sempre desejou muito ser mãe desde o início da adolescência e que me dizia: se as pessoas criam filhos,( isso mesmo no plural) com um salário mínimo eu tenho certeza que eu também consigo.
Bem, então para aqueles que estão lendo e que já passaram ou passam pelas mesmas interrogações de dinheiro X filhos, deixo aqui minha opinião e como opinião que é, você pode jogá-la fora por completa, aproveitar algumas partes, ou ainda tudo, ou seja, faça como quiser.
Sei que muitas famílias criam filhos com um salário mínimo ou um pouco mais, mas realmente não quero isso para mim e meus filhos. Quero poder levá-los a passeios culturais interessantes e enriquecedores, como cinema, teatro, livrarias...Poder viajar com eles e conhecer lugares e culturas novas e diferentes. E sei que com um salário mínimo ou um pouco mais, não conseguiria isso.
Quero que eles tenham acesso a boa educação, a escolas de qualidade, a um bom curso de línguas, ou ainda quem sabe uma escola bilíngue...aí acho que talvez já não dê...Mas, com certeza eles aprenderão pelo menos duas línguas além da sua língua pátria.
Quero poder proporcionar acesso a bons médicos, hospitais, enfim um bom plano de saúde. Uma alimentação balanceada, lazer com atividade física.
Quero que eles tenham acesso a livros, música, e que com tudo isso que falei acima, eles estejam em condições de competir por um lugar nesse mercado de trabalho louco e cruel tão afunilado. Principalmente, quero que sejam conscientes de suas escolhas e que façam algo que lhes dê prazer. Desejo que nunca trabalhem apenas pelo dinheiro ou para ter algo, ou para participar de um determinado grupo, que o trabalho deles tenha um sentido, um propósito de vida para eles, pois assim sei que terão grande chance de serem felizes.
Agora quanto custa tudo isso? Barato não é, mas também tenho certeza que não é preciso ganhar R$ 15.000,00 para conseguir isso.
Principalmente por que muitas dessas coisas que desejo para meus filhos requer tempo, disponibilidade dos pais. E para ganhar acima da média, ou muito acima da média do mercado,você deve investir muitas, e muitas, horas do seu tempo nesse projeto.
A escola de qualidade não necessariamente é a escola mais cara. E não se esqueça que nós pais temos um papel complementar ao da escola. Nossos filhos irão aprender na escola sim, mas também conosco em casa e com uma vida de estímulos e interação social que nós podemos proporcionar a eles. A escola tem que lhe agradar em estrutura física e de pessoal. Para mim enquanto psicóloga, penso ser muito importante a presença desse profissional na escola. A linha pedagógica também é de extrema relevância. A distância da sua casa, afinal você irá fazer esse caminho por muito tempo. Enfim, dá para pesquisar e escolher uma boa escola de valor intermediário. Não precisa ser a mais cara, nem a mais barata.
Os planos de saúde estão pela hora da morte, mas dá para pesquisar e também conseguir um bom plano sem ser o mais caro, ou dá para conseguir pagar o mais caro de repente... Afinal saúde tem que cuidar. E principalmente prevenir e prevenir na maioria das vezes saí bem em conta. Além do que sempre se pode poupar em determinados setores para poder investir em outros.
O mercado oferece inúmeras tentações para quem tem filhos, muitas delas podemos passar sem ou conseguir mais baratas etc.
"Meu filhos só usa fralda tal" pode ser...mas vc já testou outras? Mesma coisa para pomadas e tantas outras coisas que existem inúmeras opções... teste.  Existe um mundo de possibilidades para cada item que a criança usa e com preços inúmeros, também.
A propaganda é linda a maioria das mães que você conhece usa....mas, já se permitiu fazer um verdadeiro teste comparativo entre os produtos, esquecendo-se por um tempo de toda a propaganda vinculada na mídia? Seu filho pode ser um consumidor bem diferente dos demais e preferir outros produtos que não o da maioria. Contudo, você só saberá disso se permitir experimentar opções diferentes.
Será que precisa mesmo de um sapato combinando com cada roupa? Será que a festa de aniversário precisa mesmo ser "aquela" festa de aniversário? Sempre existem opções intermediárias e não é porque é mais barato que não é bom, que não presta.
Existe todo um jogo de mercado que leva a maioria de nós a querer comprar sempre o melhor do melhor, e dar tudo e mais um pouco para aquela pessoinha que nós mais amamos no mundo...Contudo, o melhor do melhor é muito relativo e cada família tem que descobrir o seu.
Acredito que quando deixamos de nos preocupar tanto ou de querer tantas coisas para nossos filhos que nem mesmo sabemos se eles querem, não precisamos trabalhar tantas horas mais, ficar ausente horas mais etc. E com isso conhecemos melhor nossos filhos, contribuímos mais para o seu desenvolvimento e uma família maior com irmãos com certeza faz parte também desse pacote.
É difícil não sucumbir ao encantador mundo do consumo e nem sempre conseguimos,
eu sei! Mas, não devemos parar de tentar de não nos deixar consumir.

Vanessa Nascimento

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

"Onde está a mãe dessa criança?"

Quantas vezes você ouviu essa pergunta?
Quantas vezes você fez essa pergunta?

Expressão ouvida/lida sempre que uma criança se torna centro das atenções... de forma negativa! Seja fazendo um escândalo, seja em uma situação de risco de vida eminente, seja por uma aparência suja, mal cuidada.

Mas já experimentou usar um pouco de empatia na hora de fazer essa pergunta?
Ou quem sabe perguntar também pelo PAI dessa criança?
Ou mesmo NÃO fazer essa pergunta e tentar ajudar de fato?

Já passou pela sua cabeça que a mãe da criança birrenta que faz escândalo no shopping é a mesma que trabalha fora o dia inteiro e as vezes ainda estuda a noite e quem passa o dia com a criança é uma babá com baixa instrução, ou uma vovó que só vive pro "bichinho"não ficar triste, não ficar com raiva, que deixa a criança fazer o que quer todos os dias da semana? (Para ler mais sobre, sugiro a postagem Ouwnnn...'o bichinho') A mesma mãe que se enche de culpa todos os dias que chega em casa e o filho está dormindo... A mesma mãe que não quer gastar o pouco tempo que tem com o filho, brigando com a criança.

Não estou dizendo que a birra passe a ser admirada como comportamento correto, mas quero levantar a bandeira da EMPATIA.

As vezes é mesmo desleixo materno. Mas de onde vem esse desleixo? Será que é uma mãe muito jovem que mal consegue cuidar de si mesma? Será que foi uma gravidez planejada? Será que essa mãe não culpa o filho por tudo que ela não pode mais fazer? Será que ela tem depressão pós-parto, ou depressão clássica? Ou será que ela realmente está se esforçando, mas não conseguiu (ainda)? Será que ela tem os mesmos conhecimentos sobre higiene, alimentação, desenvolvimento motor e cognitivo que você? Será que ela teve acesso ao mínimo de escolarização? Será que ela TEVE MÃE?

A maternidade não é um sentimento inato de todas as fêmeas da raça humana. Há alguns séculos esse sentimento sequer existia. A mortalidade infantil era enorme, de forma que o apego só vinha depois que o bebê "vingava". As crianças eram vistas como mini-adultos, sem que fosse preciso qualquer cuidado diferenciado, as ricas eram criadas e educadas por serviçais e mal tinham contato com os pais, enquanto as pobres se tornavam mão de obra assim que alcançavam o mínimo de autonomia e coordenação motora. Ainda hoje existem situações semelhantes, tanto na terceirização da educação que hoje em dia é delegado à escola, professores particulares, babás, psicólogos, psicopedagogos, etc. Quanto na exploração do trabalho infantil, desde os vendedores de balas, aos que estão expostos à trabalhos mais arriscados.

Não se nasce sabendo ser mãe. Muitas de nós brincaram de bonecas, ensaiando esse momento a vida inteira e ainda são cheias de dúvidas. Várias, quando brincavam de boneca, não eram a mãe, mas a professora, a doutora, ou em caso de bonecas tipo Barbie imitavam qualquer uma das profissões do mundo. E outras tantas sequer gostavam de bonecas.

Ser mãe não é uma tarefa fácil, para muitas. Tanto que muitas mulheres adiam o mais que podem a decisão de ter um filho, por medo de não conseguir desempenhar esse papel com "excelência" (termo muito usado na administração, mas impossível de alcançar na vida pessoal, principalmente nas relações pessoais).

Se naturalmente já não é fácil, imagine para quem está sob constante julgamento condenação pública???

Qual o limite entre a proteção e a super-proteção? Entre o cuidado e a paranoia?
Não ouso responder, pois eu também não sei. O que sei é que todas nós erramos ou iremos errar. Seja por desatenção, desinformação, ou super-proteção. Seja por insuficiência ou por excesso.

E depois surge a expressão "pagar com a língua"... Quem fala, paga, por que não usou da empatia na hora de falar.

Mais amor, por favor!

Que tal deixar para fazer essa pergunta quando vir uma criança com um bom comportamento e aproveitar para elogiar a mãe e sua cria? 

Cristine Cabral

Para continuar lendo sobre o assunto:


domingo, 26 de janeiro de 2014

"Livre estou, livre estou..."

Desde que assisti à mais recente animação da Disney estou encantada com Frozen. Principalmente com a personagem Elsa. Embora muita gente já tenha assistido, não vou comentar toda a trajetória da personagem, pois eu também não gosto nada de spoiler (detalhes que estragam as surpresas). Por isso vou fazer meus comentários tendo por base a letra da música tema (que só parei de escutar depois que aprendi toda a letra ;-) )

Livre Estou

A neve branca brilhando no chão
Sem pegadas pra seguir
Um reino de isolamento
E a rainha está aqui

Elsa não tem modelos de pessoas próximas a ela que tenham vivido situação semelhante para dizer como agir, o que deve fazer. Quantas pessoas não se enquadram nesse contexto? Mães solteiras, mulheres que resolvem não instituir família, gays, lésbicas e outros...?

A tempestade vem chegando e já não sei
Não consegui conter, bem que eu tentei
Não podem vir, não podem ver
Sempre a boa menina deve ser
Encobrir, não sentir
Nunca saberão
Mas agora vão

Por mais bem guardado que um segredo seja, eventualmente ele vem à tona. Mesmo que a família, os amigos, a "sociedade" diga que a pessoa "tem que ser", ela nunca será de fato, se aquilo não fizer parte da identidade dela. Um dia a máscara cai e com isso vem a tempestade de acusações, julgamentos e condenações.

Livre estou, livre estou
Não posso mais segurar
Livre estou, livre estou
Eu saí pra não voltar
Não me importa o que vão falar
Tempestade vem
O frio não vai mesmo me incomodar

Passado o susto a pessoa consegue perceber as vantagens de assumir ser o que é. O "frio" no olhar de julgamento dos outros não vai incomodar, pois ele sempre esteve presente, mesmo que com o foco desviado para outra "vítima", ou por meio de uma aceitação falsa, pois a pessoa sabe que não merece aquela aprovação por algo que é fingido.

De longe tudo muda
Parece ser bem menor
Os medos que me controlavam
Não vejo ao meu redor
É hora de experimentar
Os meus limites vou testar
A liberdade veio enfim
Pra mim

O medo das consequências aversivas, é sempre muito maior que elas de fato. Só quem já experimentou uma liberdade pós-prisão (física, emocional, ou psicológica) sabe de verdade o que é isso (eu sei)... O tom da música nesse trecho se eleva de tal forma que me elevei junto. Viva a liberdade!

Livre estou, livre estou
Com o céu e o vento andar
Livre estou, livre estou
Não vão me ver chorar
Aqui estou eu
E vou ficar
Tempestade vem
O meu poder envolve o ar e vai ao chão
Da minha alma flui em fractais de gelo em profusão
Um pensamento se transforma em cristais
Não vou me arrepender do que ficou pra trás

Sair da zona de conforto é arriscado, dá medo, mas quando a pessoa realmente vivencia a autenticidade percebe que o que ficou pra trás deixou lições, porém não há porque se arrepender.

Livre estou, livre estou
Com o Sol vou me levantar
Livre estou, livre estou
É tempo de mudar
Aqui estou eu
Vendo a luz brilhar
Tempestade vem
O frio não vai mesmo me incomodar

E sempre é tempo de mudar, gritar aos sete ventos quem você é de fato. 

Estou absolutamente apaixonada. Os autores da Disney sempre atualizam sua visão social dos personagens, não sei até que ponto de forma proposital, ou é apenas um reflexo das mudanças.

A Elsa encontra a felicidade na liberdade, mesmo estando sozinha em um palácio de gelo. Mas um palácio que ela mesma construiu, ela não precisou de fada madrinha, ou príncipe. A força e a magia sempre esteve com ela.

Claro que a tempestade não afeta apenas a pessoa em fase de mudança, a família e as pessoas mais próximas também são afetadas.
(Se você odeia de verdade todo tipo de spoiler, pare de ler agora. heheheh Mas se um cometário superficial não lhe incomoda, continue)
Elsa também teve maturidade suficiente para voltar e tentar minimizar as consequências e só então descobrir que o amor é a resposta para qualquer dificuldade.

Por isso mães (e pais) procurem conhecer de fato os seus filhos, deixem SUAS expectativas e sonhos de lado, para poder enxergar a força e a magia exclusiva de cada indivíduo. A resposta que os pais da Elsa encontraram para o problema foi o isolamento, o medo e a super-proteção. No entanto a chave do problema era o amor e a aceitação incondicional. 

Amem!

Cristine Cabral 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Príncipes e Princesas! Mas o que é mesmo ser um príncipe ou uma princesa???



O post de hoje resolvi fazer diferente. É um texto que escrevi para meu filho recentemente, explicando a ele o porquê de chamá-lo de príncipe. Depois de pronto, considerei uma boa alternativa para partilhar com vocês. É um texto destinado ao Nicolas mas que pode ser muito bem aproveitado por todos! Ele segue abaixo.
Nicolas, hoje a mamãe recebeu um lindo conjunto de macacão que comprou pela internet. Na realidade foram dois conjuntos, mas um deles é mais especial porque eu o escolhi para ser a primeira roupa que você vai usar ao nascer.
Ele é lindo! Branquinho com detalhes em azul e de ursinho. O macacão vem com um agasalho por cima que tem um ursinho com uma linda coroa e no detalhe da perna diz em francês: Eu sou um príncipe!


Isso me fez pensar que muitas mães e pais chamam seus filhos e filhas de príncipes e princesas. Acredito que várias devem ser as razões para isso... como, por exemplo, que toda família é um reino, com o rei e a rainha e que seus filhos são seus príncipes ou a princesas. Outra razão que me parece ser bem comum é considerar o filho ou a filha de uma beleza dignas da realeza segundo o senso comum.
E porque tanta importância, ou questionamentos acerca do que levam os pais a chamarem seus filhos(as) de príncipes (ou princesas)? É algo tão natural, tão comum afinal de contas. Contudo, para mim as palavras e o porque de dizê-las, seu significados e significantes, tem sim muita importância, afinal elas nos constroem em grande medida.


Essas reflexões levaram-me então a pensar nos meus motivos e os de seu pai Nicolas, para chamá-lo de príncipe. Então, filho, aqui vai uma breve explicação do porque para nós você é um príncipe.
Nós acreditamos que um príncipe muito acima de ser belo, deve ser um ser humano bom , que preza pelo bem comum em suas ações, que preocupa-se com o bem estar do outro tanto quanto o seu próprio bem estar. É aquele que não faz ao outro o que não quer que o outro lhe faça. É uma pessoa que possuí respeito e cuidado para com os mais velhos. É um homem educado e gentil para com todos, e que sabe que o mais importante não está na superfície, na aparência das pessoas, mas sim dentro delas, em sua alma e seu caráter. Um príncipe entende que esses valores são muito importantes do que beleza, classe social, cor ou religião.
Um príncipe, para nós seus pais, é um ser humano que busca sempre a justiça, que procura ser honesto e justo em tudo aquilo que faz, simplesmente porque acredita que é o correto a se fazer. Um príncipe não mente! Nem para si mesmo ou para qualquer outro, porque a mentira não pode trazer nada de bom nem justo.
Ele trata as mulheres com gentileza, respeito e amabilidade, porque assim merecem ser tratadas as damas, as princesas e as rainhas que partilham dos mesmos valores de um príncipe como você.
Ao escolher uma mulher para dedicar seu amor a ela,  a respeita, cuida dela, como uma joia rara que foi presente de Deus. Mas, a escolha muito bem! Pois, nem todos são educados para serem verdadeiros príncipes ou princesas. Acredito que eu e seu pai lhe educaremos para que você saiba distinguir as verdadeiras princesas das falsas.
Então, Nicolas, por tudo isso que lhe dissemos você é um príncipe! Porque você será educado para ser um homem que preza pela justiça, que pratica a bondade, que busca em suas ações o que é correto e bom para todos além de si mesmo. Será educado para respeitar e ser gentil com os mais velhos, e com todos. Independente de qualquer critério superficial, porque você aprenderá que o mais importante são os valores que as pessoas carregam dentro de si e que constituem o seu caráter. Você é um príncipe porque será um homem cheio de sabedoria e inteligência e saberá usá-las em seu cotidiano e não apenas em questões teóricas.
Eu e seu pai nos esforçamos para praticar esses valores todos os dias. É verdade que nem sempre conseguimos, pois somos seres humanos falhos, com defeitos, mas sempre nos esforçamos para conseguir ser como um rei e uma rainha devem ser. Esforçar-se para fazer o certo é sempre o mais importante!
Nunca acredite se lhe disserem o contrário! Eu e seu pai somos muito felizes e você é fruto desse amor muito feliz que vivemos nesses mais de 14 anos juntos. Acredite em nós! Príncipe!
Vanessa Nascimento

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Que fazer?

Há pouco tempo assisti um vídeo na internet no qual um pastor evangélico justificava por que a esposa deve ser submissa ao marido. Segundo ele (que não guardei o nome), a esposa deve estar "sob a missão" do marido. Que antes da moça se casar, deve avaliar bem qual a missão dele, para saber se o candidato a marido é mesmo uma boa escolha.

Não pretendo debater conceitos religiosos, ou feministas. Só falei sobre o vídeo, por que este me fez pensar, não na missão de um possível candidato a marido, mas sim na MINHA missão.

Ser feliz? Mas já sou feliz! Pois concordo com o Einstein:
Trabalhar, cuidar da casa, ganhar mais dinheiro? Isso é obrigação, é necessidade que o sistema nos impõe. Cuidar e educar minha filha é prazer, já está incluído na felicidade.

Voltei ao resultado do meu teste das Âncoras de Carreira que descrevi na postagem "Mãe NÃO é tudo igual" para pensar um pouco mais sob outra ótica. Minhas duas principais âncoras são: "Dedicação a uma causa" e "Autonomia e Independência".

Bom, autonomia e independência, já adquiri alguma, não tanto quanto desejo, mas ainda não seria o foco mais importante. 

E qual é a causa a qual me dedico? Educação!!! Sim. Não só a educação da minha filha, ou a minha própria, mas a dos meus pequenos clientes, dos pais deles, algumas vezes, dos "clientes grandes", de algumas de vocês que eventualmente pedem ajuda, uma dica, ou orientação...

Então lembrei deste texto que usava em treinamentos na época em que trabalhava com Psicologia Organizacional:

"O Menino e o Bombeiro
A mãe ao lado da cama de seu filho de 6 anos, que estava doente de leucemia terminal. Como qualquer outra mãe, ela gostaria que ele crescesse realizasse seus sonhos. Junto dele pegou-lhe na mão e perguntou:
- Filho, o que gostaria de ser quando crescer?
- Mãe, eu sempre quis ser um bombeiro!
A mãe sorriu e disse:
- Vamos ver o que podemos fazer.
Mais tarde, naquele mesmo dia, ela foi ao Corpo de Bombeiros local e contou ao Chefe dos Bombeiros a situação do seu filho e perguntou se seria possível menino dar uma volta no carro dos bombeiros, a volta da cidade.
O Chefe dos bombeiros, comovido, disse:
- NÓS PODEMOS FAZER MAIS QUE ISSO!
Se você estiver com o seu filho pronto às sete horas da manhã, daqui a uma semana, nós fazemos o menino bombeiro honorário, por todo o dia. Ele pode vir para o quartel, comer conosco e sair para atender às chamadas de emergência. E se você nos der as medidas dele, nós conseguimos um uniforme completo.
Uma semana depois, o chefe dos bombeiros pegou no menino, vestiu-lhe o uniforme de bombeiro e levou-o do hospital até caminhão de bombeiros.
O menino ficou sentado na parte de trás do caminhão, e foi até o quartel. Parecia que estava no céu...
Ocorreram três chamadas e o menino acompanhou todas as três.
Em cada chamada, o menino foi em veículos diferentes: no auto-tanque, ambulância dos paramédicos e até no carro do comandante dos bombeiros.

Todo o amor e atenção que foram dispensados ao menino acabaram por dar mais força, a ponto de ele viver três meses a mais que o previsto.
Hospital da Criança: o pequeno Joel, que está internado com quadro de desnutrição, recebe o uniforme do Corpo de Bombeiros. Seu sonho é se tornar um bombeiro(Foto: Governo do Maranhão)
Uma noite, todas as suas funções vitais começaram a cair dramaticamente e a mãe decidiu chamar ao hospital, toda família.
Então, ela lembrou-se da emoção que o menino tinha passado como um bombeiro, e pediu à enfermeira que ligasse para o chefe dos bombeiros, e perguntou se seria possível enviar um bombeiro para o hospital, naquele momento trágico, para ficar com o menino.
O chefe dos bombeiros respondeu:
- NÓS PODEMOS FAZER MAIS QUE ISSO!
Nós estaremos aí em cinco minutos. Mas faça-me um favor. Quando ouvir as sirenes e vir as luzes de nossos carros, avisem no sistema de som que não se trata de um incêndio apenas o corpo de bombeiros vindo visitar mais uma vez, um dos seus mais distintos integrantes. E também se poderia abrir a janela do quarto dele?
- Obrigado!
Cinco minutos depois, uma ambulância e um caminhão com escada chegaram ao hospital.
Estenderam a escada até o andar onde estava o menino, e 16 bombeiros subiram.
Com a permissão da mãe, eles o abraçaram, seguraram, disseram que o amavam.
Com a voz fraquinha, o menino olhou para o chefe perguntou:
- Chefe, eu sou mesmo um bombeiro?
- Sim, um dos melhores - disse ele.
Com estas palavras, o menino sorriu e fechou seus olhos para sempre."
(Autor Desconhecido. Obs.: Se você ao ler essa história souber a fonte, por favor, nos informe para colocarmos nesse artigo os devidos créditos.)

Já li centenas de vezes e ainda me emociono. As vezes chego a chorar... mesmo conhecendo quase decorado. 

Por fim, encontrei onde e como eu poderia FAZER MAIS. Comecei a trabalhar numa escola infantil pública, como voluntária. Há algum tempo já vinha pensando nisso, mas depois de toda essa reflexão, coincidiu de numa conversa informal com a diretora da escola, consegui perceber as demandas e ver onde poderia atuar.

No primeiro dia de trabalho, já vi que vou ajudar bastante e que vou ganhar muito... em experiência, em conhecimento.

E você? Já pensou sobre a sua missão?

Cristine Cabral

terça-feira, 25 de junho de 2013

Sala de espera

Ontem levei a minha pequena à pediatra que atrasou os atendimentos, somado a isso cheguei mais cedo do que a hora marcada, assim ficamos um certo tempo na sala de espera. Enquanto não entrava fiquei observando o comportamento das outras crianças e seus pais.

Quando chegamos só havia uma menina na sala, mais ou menos 1 ano e meio, brincava com um puff sozinha enquanto pai e mãe tinham os olhos grudados em seus respectivos celulares. Depois de um tempo o pai guardou o dele e sempre que a mãe tentava ver algo ele punha o dedo no celular dela. Até que ela deu um tapinha no ombro dele enquanto dizia "Para abestado!"

Em seguida chegou um menino, mais ou menos da mesma idade. Uma criança muito simpática que sorria para todos e logo se aproximou da menininha começaram a interagir sempre sob os olhos atentos da mãe dele. Brincaram um tempo e ele começou a jogar umas pecinhas de madeira, a mãe logo tomou a atitude de dizer que não era assim que brincava e o levou para o outro lado da sala onde não havia brinquedos.

Pouco antes da menininha entrar no consultório chegou outra mãe com um casal de filhos, acompanhada de outra pessoa (avó das crianças, tia, ou só uma amiga mesmo) a menina devia ter entre cinco e seis anos e o menino não mais que um. A menina sentou-se e ficou quieta com as coisas que havia em cima da mesa, enquanto o pequeno brincava com os outros dois menores. Dentre as distrações que havia para as crianças, tinha um bloco de desenhos para colorir, a mãe do casal contou algumas folhas, destacou e pôs em baixo da bolsa. Achei muito interessante quando a menina viu e disse "Mamy, isto é para as outras crianças. Não podemos levar. É daqui da mesa para quem quiser." e a resposta foi "Mas tem bastante filha. Estou levando para você colorir em casa." A menina continuou argumentando e só se deu por satisfeita quando a mãe disse que iria perguntar a recepcionista se podia levar. O comentário da acompanhante para mim foi "Essa menina é um caso sério." e eu respondi "Não, ela é um caso CERTO."

Atenção!!!!! Estas situações não qualificam as mães em boas ou más, nem em melhores ou piores. Não se pode julgar quem quer que seja por uma única observação de menos de uma hora.

Meu objetivo neste post é chamar atenção aos modelos que são oferecidos às crianças. No primeiro caso, não será surpresa nenhuma se a criança chamar algum amiguinho de "abestado", ou aprenda a "implicar" para conseguir atenção. Mas a segunda menina já demonstra que o modelo da mãe não é o único determinante do comportamento de uma criança. 

Confesso que fiquei interessada em saber como a menina aprendeu a ter esta consideração com as outras crianças, pois a mãe e a acompanhante disseram que é uma constante, até mesmo nas festas de aniversário a menina não deixa que as pessoas se apossem de muitos doces. Sempre com o argumento que pode faltar para outras pessoas. Ali não era o local e nem o momento para uma coleta de informações para posterior análise funcional e tive que me contentar com as informações espontâneas das adultas e dos comportamentos possíveis de serem observados.

Fica a minha admiração àquela menina que não só demonstrou empatia com pessoas que ela nem conhecia, como não se importou de corrigir o comportamento da mãe na frente de estranhos e a firmeza de não abrir mão da sua opinião. Espero que ela cresça com esses valores, que seja um bom modelo para o irmãozinho (e para a mãe também, por que não?). E gostaria muito de encontrar mais adultos que pensassem e se comportassem como ela. Nossa sociedade está carente de pessoas quem pensem nos outros antes de pensar em si mesmas ou nos seus parentes.

Cristine Cabral

P.S. A minha filha ficou o tempo todo ao meu lado, também observando as crianças. Que será que ela achou?

terça-feira, 21 de maio de 2013

Mentira tem perna curta.

E aos 3 anos e meio, mais curta ainda.

Semana passada a Dine mentiu pela primeira vez. Mas antes de falar mais sobre o episódio gostaria de fazer algumas considerações.

Minha filha é uma menina cheia de imaginação. Por ser filha única passa muito tempo brincando sozinha, mas não para de falar um minuto. Quem a conhece pessoalmente pode até se admirar, pois é muito tímida com outras pessoas, mas em casa é uma tagarela. Toda hora é uma história diferente, é mãe das bonecas, ou professora. As vezes vira a Mônica e passa correndo pela casa gritando "Volta aqui seu moleque." Agitando alguma coisa, como se fosse o Sansão.

As vezes quando peço pra ela fazer alguma coisa e ela responde: "Já fiz." e eu "Como é que é?!", e ela "Hahaha, estou brincando mamãe."

As duas situações anteriores não considero mentira. Mas como saber a diferença? Pelo objetivo. Na primeira situação a imaginação está trabalhando e isto é muito importante para o desenvolvimento cognitivo, emocional, etc. No segundo exemplo o objetivo não é me enganar e sim fazer uma graça. Só algo para nos fazer rir.

O episódio da semana passada foi algo deliberado, ela contou para a professora que EU tinha dito que ela não podia tomar banho na escola, pois estava tossindo. A professora acreditou piamente, pois minha pequena é conhecida como "boa de recado". Primeiro, ela não estava tossindo coisa nenhuma, segundo que quando está assim tão mal a ponto de não poder tomar um banho na escola, eu nem deixo que ela vá. Resumindo: ela não queria fazer algo e para escapar resolveu contar uma mentira. Ou seja, o objetivo era sim enganar a professora.

Algumas pessoas podem estar pensando: "Ah, mas um banho não é grande coisa... Isso dá pra deixar passar." Não! Não dá para deixar passar não! Pois nessa idade o pensamento ainda não é capaz de perceber os nuances do comportamento moral. Para as crianças pequenas as regras devem ser claras e bem definidas e não baseadas no "depende". 

Eu, particularmente, tenho total aversão a qualquer tipo de mentira, mesmo as socialmente aceitas como
quando alguém pergunta uma opinião sobre o novo corte de cabelo. Caso não seja do meu agrado, prefiro dizer algo como: "Não é bem do meu estilo. Mas se você ficou feliz, então está ótimo." E principalmente se minha opinião não foi pedida, ficou quieta, também não preciso ser deliberadamente desagradável, ou inconveniente. Mesmo por que gosto é algo pessoal e não se discute.   

Não quero dizer que sou santa, nem que sou um livro aberto. Muitas coisas eu omito, pois é um direito meu. Outras eu posso estar enganada, passar uma informação que no momento acredito ser verdadeira, mas que pode não ser bem assim. E muitas, muitas, muitas vezes a verdade não é um fato, é só uma questão de opinião, de ponto de vista. Duas ou mais versões podem ser verdadeiras, dependendo de quem conta e do que se sente. Mas inventar ou manipular uma informação para obter um benefício próprio, considero desonestidade. E disso o Brasil está cheio, em todos os nuances possíveis.

Nossa sociedade tem muitos tons de cinza (nenhuma menção ao livro (risos) que por sinal ainda não li) no que diz respeito ao que é honestidade... Quando se fala em gente desonesta se vem logo à mente os políticos que sonegam impostos, os estelionatários que aplicam golpes, pois aí se fala em grandes quantias. E quando o troco vem a mais e a pessoa percebe, mas não devolve ao caixa? E quando a pessoa pede para aquele amigo que trabalha no local para dar uma "ajudinha para agilizar" e passar na frente dos outros?

Meu objetivo como mãe é criar uma filha com valores morais adequados e EU tenho que ser o maior exemplo dela. Nas menores coisas como jogar o lixo no lixeiro, ou como, quando estiver dirigindo em um engarrafamento, não fechar um cruzamento (mesmo que o apressadinho de traz morra de buzinar), se pode ensinar muito sobre cidadania, direito individual e coletivo, leis e regras sociais e morais.

Educação é mais que conteúdo que a escola passa, é mais do que aprender a falar inglês antes dos 15 anos de idade. Educar é criar cidadãos. É orientar adequadamente as pessoas que daqui a uns anos serão os nossos médicos, engenheiros, políticos, etc. 

A frase da imagem abaixo resume o meu objetivo geral no post de hoje.












Cristine Cabral 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Mamãe, eu quero...

Antes fosse mamar... Atividade que cumpria com o maior prazer, uma das melhores sensações que já tive na vida.

Agora, aos 3 anos e meio, tudo que vê quer. E olha que ela praticamente não é exposta a comerciais infantis. O canal que ela passa mais tempo assistindo é a TV Cultura, pois não tenho tv a cabo e neste canal passa as animações preferidas por ela. (Peixonalta, Dora Aventureira, Cocoricó, Sid, o Cientista). O programa que assistimos é o Quintal da Cultura, onde os apresentadores nunca aparecem com "recadinhos" no meio do programa e estão ajudando até a diminuir o medo dela por palhaços.

Mas meu objetivo hoje não é falar sobre mídia, ou consumo e sim de individualidade.

 Mesmo não tendo tanto acesso às campanhas publicitárias, ela tem várias amiguinhas e sempre aparece frases como: "A Maria e a Lara fazem balé." "A Jamile tem uma Baby Alive." A Bruna teve um aniversário de princesa." Minha resposta para todas as frases desse tipo é sempre a mesma: "Sua amiguinha é uma pessoa diferente de você, que tem uma mãe diferente, uma família diferente." Claro que com um tom de voz bem maternal.

Alguém pode está pensando, mas assim ela não vai ficar excluída? O que pretendo é ensinar a diferença entre individualidade e individualismo. Evitar a regra do "todo mundo..."

Muitas mães de adolescentes detestam quando os filhos vêm pedir para fazer ou ter algo com o argumento do "Mas todo mundo vai (ou já tem)." Porém o que poucas lembram é que a é que a lei do "todo mundo" foi introjetada nos primeiro anos de vida com frases: "Senta menino, não está vendo que está todo mundo sentado?!" ou "Deixa de choro. Vocês está vendo algum amiguinho chorando?" O ideal seria dizer: "Sente-se que assim a gente consegue ver melhor o que está acontecendo e sem incomodar as pessoas." ou "Qual o motivo para tanto choro?" Ou seja, passar valores sociais como respeito às pessoas em volta, ou atenção particular ao que se passa com a criança naquela situação.

Cada pessoa é um ser único, cheio de qualidade e também de pontos que precisam ser melhorados. (Não gosto de usar o termo "defeito", parece algo que está quebrado e sem conserto, ou algo mal feito) Cada um com seus gostos, valores e preferências.

Se ensinamos nossos filhos que eles têm direito à individualidade, também estamos ensinando a respeitar a individualidade dos outros. 

As crianças naturalmente fazem amizades em questão de poucos minutos e normalmente não reparam nas diferenças sociais, ou físicas. Sua aceitação é incondicional. Mas esta, com o passar do tempo, vai sendo extinta. Os adultos antes de qualquer contato social, meio que avaliam o outro por meio de suas roupas, comportamento, deficiências, etc. É preciso conseguir identificar algo em comum com a outra pessoa para saber se "vale a pena" o contato, algum tipo de interesse. Assim muitas pessoas vivem numa eterna corrida para se tornarem "interessantes", uma eterna busca por status, para que o seu devido "valor" seja reconhecido pelos outros à sua volta.

Não preciso temer que a minha filha seja excluída por não ter os mesmos brinquedos. Pelo menos não nesta fase da vida dela. Até valorizo a questão da diversidade de brinquedos, pois se uma tem os que ela não tem e ela tem o que as outras não tem, juntando, a diversidade é bem maior e todas têm mais acesso a brinquedos diferentes. E ainda ensinamos a importância de compartilhar.

Quero ensinar a minha filha a importância do SER... ser amiga, ser gentil, ser disponível a ajudar e assim conseguir TER o que é mais importante: ter amigos fieis e desinteressados, ter respeito a todas as diferenças, ter uma vida feliz de fato. Uma felicidade que independe das coisas, uma felicidade verdadeira. Pois como já dizia Carlos Drummond de Andrade:

"Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade"

Cristine Cabral