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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

"Onde está a mãe dessa criança?"

Quantas vezes você ouviu essa pergunta?
Quantas vezes você fez essa pergunta?

Expressão ouvida/lida sempre que uma criança se torna centro das atenções... de forma negativa! Seja fazendo um escândalo, seja em uma situação de risco de vida eminente, seja por uma aparência suja, mal cuidada.

Mas já experimentou usar um pouco de empatia na hora de fazer essa pergunta?
Ou quem sabe perguntar também pelo PAI dessa criança?
Ou mesmo NÃO fazer essa pergunta e tentar ajudar de fato?

Já passou pela sua cabeça que a mãe da criança birrenta que faz escândalo no shopping é a mesma que trabalha fora o dia inteiro e as vezes ainda estuda a noite e quem passa o dia com a criança é uma babá com baixa instrução, ou uma vovó que só vive pro "bichinho"não ficar triste, não ficar com raiva, que deixa a criança fazer o que quer todos os dias da semana? (Para ler mais sobre, sugiro a postagem Ouwnnn...'o bichinho') A mesma mãe que se enche de culpa todos os dias que chega em casa e o filho está dormindo... A mesma mãe que não quer gastar o pouco tempo que tem com o filho, brigando com a criança.

Não estou dizendo que a birra passe a ser admirada como comportamento correto, mas quero levantar a bandeira da EMPATIA.

As vezes é mesmo desleixo materno. Mas de onde vem esse desleixo? Será que é uma mãe muito jovem que mal consegue cuidar de si mesma? Será que foi uma gravidez planejada? Será que essa mãe não culpa o filho por tudo que ela não pode mais fazer? Será que ela tem depressão pós-parto, ou depressão clássica? Ou será que ela realmente está se esforçando, mas não conseguiu (ainda)? Será que ela tem os mesmos conhecimentos sobre higiene, alimentação, desenvolvimento motor e cognitivo que você? Será que ela teve acesso ao mínimo de escolarização? Será que ela TEVE MÃE?

A maternidade não é um sentimento inato de todas as fêmeas da raça humana. Há alguns séculos esse sentimento sequer existia. A mortalidade infantil era enorme, de forma que o apego só vinha depois que o bebê "vingava". As crianças eram vistas como mini-adultos, sem que fosse preciso qualquer cuidado diferenciado, as ricas eram criadas e educadas por serviçais e mal tinham contato com os pais, enquanto as pobres se tornavam mão de obra assim que alcançavam o mínimo de autonomia e coordenação motora. Ainda hoje existem situações semelhantes, tanto na terceirização da educação que hoje em dia é delegado à escola, professores particulares, babás, psicólogos, psicopedagogos, etc. Quanto na exploração do trabalho infantil, desde os vendedores de balas, aos que estão expostos à trabalhos mais arriscados.

Não se nasce sabendo ser mãe. Muitas de nós brincaram de bonecas, ensaiando esse momento a vida inteira e ainda são cheias de dúvidas. Várias, quando brincavam de boneca, não eram a mãe, mas a professora, a doutora, ou em caso de bonecas tipo Barbie imitavam qualquer uma das profissões do mundo. E outras tantas sequer gostavam de bonecas.

Ser mãe não é uma tarefa fácil, para muitas. Tanto que muitas mulheres adiam o mais que podem a decisão de ter um filho, por medo de não conseguir desempenhar esse papel com "excelência" (termo muito usado na administração, mas impossível de alcançar na vida pessoal, principalmente nas relações pessoais).

Se naturalmente já não é fácil, imagine para quem está sob constante julgamento condenação pública???

Qual o limite entre a proteção e a super-proteção? Entre o cuidado e a paranoia?
Não ouso responder, pois eu também não sei. O que sei é que todas nós erramos ou iremos errar. Seja por desatenção, desinformação, ou super-proteção. Seja por insuficiência ou por excesso.

E depois surge a expressão "pagar com a língua"... Quem fala, paga, por que não usou da empatia na hora de falar.

Mais amor, por favor!

Que tal deixar para fazer essa pergunta quando vir uma criança com um bom comportamento e aproveitar para elogiar a mãe e sua cria? 

Cristine Cabral

Para continuar lendo sobre o assunto:


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Férias: Castigo para os pais?


Apesar de morar em Portugal e o ano escolar funcionar diferente do Brasil, todo ano a questão é a mesma em todo lado. Filhos de férias, o que fazer? Muitos pais trabalham os dois turnos e se vêem perdidos para preencher o tempo dos filhos, bem como conciliar os horários juntos e dar conta de tudo.

Se por um lado e diante de tantos "prós" é provável que muitos pais cheguem a considerar a férias dos filhos um castigo. Como ouvi um desabafo de uma mãe em uma loja de brinquedos com os três filhos a dizer: " Que castigo! Não vejo a hora das aulas voltarem para esses meninos terem o que fazer!".  A mãe estava comprando vários brinquedos educativos (ao menos) para entreter os filhos. Bom, a ideia é boa mas comprar brinquedos as quantidades e despachar para os filhos sem ter tempo, nem paciência para brincar com eles é jogar dinheiro fora. Ah e também aumentar a pilha de brinquedos esquecidos dentro de casa, o que eu chamo de "tralha".

Por outro lado é possível aproveitar as férias para curtir os seus filhos. Para os que tem menos tempo, tudo passa por um uma questão de se programar, separar os tempos livres e tentar usufruir o máximo da companhia das crianças. Já para os que tem mais tempo a "cobrança" aumenta, afinal os filhos vão estar o tempo todo a sua volta pedindo atenção! Não se desespere, nessas horas é preciso usar a criatividade. Em casa; vários programas infantis dão dicas de atividades, jogos e entretenimento paras as crianças, sem falar da internet com "n" sites infantis. Jogos ao ar livre, andar de bicicleta, pôr a meninada a gastar energia é sempre uma boa. É comum nesse período haver programação infantil livre, cinema infantil, teatro, nos jornais é possível encontrar essas informações. 

Sabemos que os pais são os modelos dos filhos, ou seja, muito do que eles fazem aprendem em casa com os pais. Ensinar os filhos a desenvolver competências sociais é sempre importante. Porque não aproveitar as férias para isso? Aqui vão algumas dicas do livro, Os Anos Incríveis: Guia de Resolução de problemas para Pais de crianças dos 2 aos 8 anos (Stratton, 2010).

Ensine as crianças a dar inicio a uma conversa e a entrar em um grupo

Esta é uma das primeiras competências sociais que se deve ensinar a crianças pequenas. As crianças precisam aprender como abordar um grupo, como esperar para uma abertura numa conversa e como pedir para participar numa atividade. É preciso praticar essas competências com a ajuda dos pais. Isto pode ser feito recorrendo a dramatizações.

Brinque sempre com o seu filho para modelar e estimular competências sociais

Os pais devem encorajar e elogiar as crianças quando estas demonstram saber brincar com os amigos. Durante estes períodos, demonstre e pratique como se joga à vez, como se partilha, se espera e se cumprimenta os outros. Elogiar o filho sempre que agir corretamente. Recorde-se que as crianças aprendem pelo seu exemplo, visto que o seu papel é modelar como se brinca em colaboração.


Convide colegas do seu filho para a sua casa - e supervisione as brincadeiras 

Projete atividades de colaboração, fazer uma experiência, montar quebra cabeça, jogar, etc. Supervisione as brincadeiras e esteja atento a sinais de que as interações possam estar a ficar fora de controle.

Ajude o seu filho a controlar a raiva

Quando uma criança começa a ficar perturbada devido a raiva, medo, ansiedade ou agressividade não consegue recorrer a competências  de resolução de problemas ou quaisquer outras competências sociais. É necessário promover nas crianças estratégias de controle emocional. A "técnica da tartaruga" põe a criança a imaginar que tem uma carapaça e que é preciso se recolher. Quando a criança recolhe para a sua carapaça inspira 3 vezes e diz: "Para. Inspira profundamente. Acalma-te". Em seguida ela visualiza uma cena de tranquilidade e diz a si própria: " Eu consigo me acalmar e sou capaz."

Desenvolva a empatia

Um relação calorosa e confiante entre pais e filhos contribui imenso para aumentar dos filhos construírem amizades saudáveis. O reforço da auto-imagem da criança como uma pessoa como valor, capaz de ser amiga, a aceitação e confiança em si própria influência na forma com que a criança deseja a aprovação dos seus pares. Procure ser um exemplo e um treinador. :)

Por fim e espero que não esteja cansado!

Leia com atenção, os filhos não são TRABALHO. Entenda que você não presta serviço aos seus filhos (risos). Sim, é preciso ter cuidado, tempo, carinho, dedicação e também cansa. O que se faz com amor faz-se bem. Quem AMA cuida. O afeto e o reconhecimento que se recebe são revigorantes.

Sinta o prazer de ser pai ou mãe...

Saudações de terras lusas!


Taciana Ferreira