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domingo, 26 de janeiro de 2014

"Livre estou, livre estou..."

Desde que assisti à mais recente animação da Disney estou encantada com Frozen. Principalmente com a personagem Elsa. Embora muita gente já tenha assistido, não vou comentar toda a trajetória da personagem, pois eu também não gosto nada de spoiler (detalhes que estragam as surpresas). Por isso vou fazer meus comentários tendo por base a letra da música tema (que só parei de escutar depois que aprendi toda a letra ;-) )

Livre Estou

A neve branca brilhando no chão
Sem pegadas pra seguir
Um reino de isolamento
E a rainha está aqui

Elsa não tem modelos de pessoas próximas a ela que tenham vivido situação semelhante para dizer como agir, o que deve fazer. Quantas pessoas não se enquadram nesse contexto? Mães solteiras, mulheres que resolvem não instituir família, gays, lésbicas e outros...?

A tempestade vem chegando e já não sei
Não consegui conter, bem que eu tentei
Não podem vir, não podem ver
Sempre a boa menina deve ser
Encobrir, não sentir
Nunca saberão
Mas agora vão

Por mais bem guardado que um segredo seja, eventualmente ele vem à tona. Mesmo que a família, os amigos, a "sociedade" diga que a pessoa "tem que ser", ela nunca será de fato, se aquilo não fizer parte da identidade dela. Um dia a máscara cai e com isso vem a tempestade de acusações, julgamentos e condenações.

Livre estou, livre estou
Não posso mais segurar
Livre estou, livre estou
Eu saí pra não voltar
Não me importa o que vão falar
Tempestade vem
O frio não vai mesmo me incomodar

Passado o susto a pessoa consegue perceber as vantagens de assumir ser o que é. O "frio" no olhar de julgamento dos outros não vai incomodar, pois ele sempre esteve presente, mesmo que com o foco desviado para outra "vítima", ou por meio de uma aceitação falsa, pois a pessoa sabe que não merece aquela aprovação por algo que é fingido.

De longe tudo muda
Parece ser bem menor
Os medos que me controlavam
Não vejo ao meu redor
É hora de experimentar
Os meus limites vou testar
A liberdade veio enfim
Pra mim

O medo das consequências aversivas, é sempre muito maior que elas de fato. Só quem já experimentou uma liberdade pós-prisão (física, emocional, ou psicológica) sabe de verdade o que é isso (eu sei)... O tom da música nesse trecho se eleva de tal forma que me elevei junto. Viva a liberdade!

Livre estou, livre estou
Com o céu e o vento andar
Livre estou, livre estou
Não vão me ver chorar
Aqui estou eu
E vou ficar
Tempestade vem
O meu poder envolve o ar e vai ao chão
Da minha alma flui em fractais de gelo em profusão
Um pensamento se transforma em cristais
Não vou me arrepender do que ficou pra trás

Sair da zona de conforto é arriscado, dá medo, mas quando a pessoa realmente vivencia a autenticidade percebe que o que ficou pra trás deixou lições, porém não há porque se arrepender.

Livre estou, livre estou
Com o Sol vou me levantar
Livre estou, livre estou
É tempo de mudar
Aqui estou eu
Vendo a luz brilhar
Tempestade vem
O frio não vai mesmo me incomodar

E sempre é tempo de mudar, gritar aos sete ventos quem você é de fato. 

Estou absolutamente apaixonada. Os autores da Disney sempre atualizam sua visão social dos personagens, não sei até que ponto de forma proposital, ou é apenas um reflexo das mudanças.

A Elsa encontra a felicidade na liberdade, mesmo estando sozinha em um palácio de gelo. Mas um palácio que ela mesma construiu, ela não precisou de fada madrinha, ou príncipe. A força e a magia sempre esteve com ela.

Claro que a tempestade não afeta apenas a pessoa em fase de mudança, a família e as pessoas mais próximas também são afetadas.
(Se você odeia de verdade todo tipo de spoiler, pare de ler agora. heheheh Mas se um cometário superficial não lhe incomoda, continue)
Elsa também teve maturidade suficiente para voltar e tentar minimizar as consequências e só então descobrir que o amor é a resposta para qualquer dificuldade.

Por isso mães (e pais) procurem conhecer de fato os seus filhos, deixem SUAS expectativas e sonhos de lado, para poder enxergar a força e a magia exclusiva de cada indivíduo. A resposta que os pais da Elsa encontraram para o problema foi o isolamento, o medo e a super-proteção. No entanto a chave do problema era o amor e a aceitação incondicional. 

Amem!

Cristine Cabral 

terça-feira, 12 de março de 2013

Olhando para dentro


Eu trabalho com a abordagem Análise do Comportamento, que tem uma visão focal e tem base pragmática. O que leva a algumas pessoas de outras áreas a dizer que é uma abordagem fria e que não leva em consideração os sentimentos. O que não é verdade. Tanto não é que em algumas questões começamos pela identificação do que é que é sentido pela pessoa. Muitas vezes o trabalho começa por aí.


E você sabe o que sente?

Você consegue saber a diferença entre saudade, solidão, melancolia, angústia e tristeza? Muita gente denomina tudo isso, ou uma parte disso, de depressão. Caso o profissional não tenha a devida atenção de detalhar o que seja exatamente o que a pessoa sente, esta pode sair com uma receita de um anti-depressivo. 

Pode ser que na verdade o que a pessoa está sentindo é uma saudade de uma realidade que se foi e que trazia sentimentos maravilhosos e que não estão mais presentes. É uma tristeza pelo que se foi, mas que não impede da pessoa reconhecer as coisas boas do presente, só precisa focar.

Claro que existem os casos reais de depressão e que precisam sim de medicação. O que chamo atenção é para um diagnóstico feito às pressas. Ou as vezes quem tem pressa é o cliente. Quer só um remédio que o ajude a dormir (ou acordar, ou para as duas coisas) para que continue sua rotina no "automático", que não tenha que "perder tempo" cuidando "dessas coisas".

A saudade em si, não necessariamente é algo ruim. Já cantava Luiz Gonzaga: 

"Se a gente lembra só por lembrar
O amor que a gente um dia perdeu
Saudade inté que assim é bom
Pro cabra se convencer
Que é feliz sem saber
Pois não sofreu"


Precisamos reconhecer o que sentimos para que possamos avaliar melhor o que provoca tais sentimentos e qual a melhor forma de agir em cada situação. Principalmente nas situações que trazem sentimentos desagradáveis que são bem mais marcantes. Biologicamente registramos com muito mais facilidade as situações ruins do que as boas.


Imagine que você diariamente, por anos e anos, passou por uma rua florida, cheirosa, com pessoas simpáticas, sempre com música alegre tocando. Só de lembrar (ou mesmo imaginar) isso trás uma sensação de bem estar. Agora o que aconteceria se você for assaltada? E se o assaltante tenha sido extremamente violento e ameaçador? Na próxima vez que chegar na esquina da dia rua, antes mesmo de visualizar qualquer coisa, que sensação virá?


Então, bastou um episódio desagradável para "apagar" inúmeros deles agradáveis.

E as vezes acontece do sentimento voltar de uma forma que numa visão superficial parece inexplicável. Digamos que no seu trabalho tenha as mesmas plantas que a rua em que foi assaltada e assim que chega ao trabalho volta a sensação de insegurança, angústia e medo. Seu vizinho sempre toca a mesma música que ouvia quando passava por aquela rua. Se esses sentimentos e emoções vierem de uma forma muito intensa, pode achar que está com uma Síndrome do Pânico, pois após o assalto vive sentindo medo em lugares que normalmente eram seguros e agradáveis, quando na verdade é um caso de Estresse pós-traumático.

E dá pra voltar a se sentir bem de novo na tal rua? Dá sim. Mas para isso tem que voltar a passar lá diariamente. Porém o que a maioria das pessoas faz é passar a evitar o que trás a sensação ruim e abre mão de tudo o que foi bom ali. 

O que descrevi aqui foi só uma ilustração, no dia a dia as coisas não são tão simples assim. Principalmente para as mulheres que ainda estão submetidas às variações hormonais. As vezes a "depressão" é só TPM, ou a sensação de melancolia e angústia é carência no período de ovulação. Por isso a importância de "olhar para dentro". 

Sabendo o que é e de onde vem fica mais fácil saber o que fazer e qual a melhor forma de fazer. E sabendo isso podemos também ensinar nossos filhos. Está nas nossas mãos criar uma geração mais equilibrada emocionalmente.

"O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós."  Jean-Paul Sartre

Cristine Cabral

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

"Quem AMA, cuida".


No texto passado, "Férias: Castigo para os pais?" referi que os pais não trabalham para os filhos. Gostava de explorar melhor no texto que segue esta citação. Por que digo isso? Porque não é difícil escutar no dia-a-dia comentários sobre o trabalho que os filhos dão...são a 3a jornada de trabalho de uma mulher. Ou a expressão: "Ô menino para dar trabalho!".

Desde que a Maria Eduarda nasceu como toda mulher, no meu caso casada precisei me adaptar a nova rotina. Organizar as tarefas diárias, casa, estudos, trabalho, maridão e assumir o meu papel de mãe. Ser mãe foi uma escolha, eu quis juntamente com o meu marido e assumimos está dádiva de corpo e alma. Daí eu não achar que tenho trabalho com a minha filha. Eu não trabalho para ela. Eu faço porque gosto, tenho responsabilidade e isso é uma rotina diária de uma mãe. Uma frase que resume facilmente onde quero chegar e foi referida no texto passado e não me canso de falar é: "Quem ama cuida". :)
Adoro esta foto eu e minha pequena com 7 dias! Saudades...


Mas por que eu querer retirar essa expressão "que filho dá trabalho" do meu dia-a-dia? Por ser algo visto como negativo, carregado de "cansaço"...quando se diz isso, já antecipamos uma carga para as costas. E como sinto prazer de estar com a minha filha, me dedico a ela...simplesmente. E acredito que a maioria dos pais fazem isso, apenas repetem a tal frase por ser algo que faz parte do nosso dia-a-dia. Por que não mudar?

Esta é uma estratégia de substituição de pensamento negativos por pensamento positivos e tranquilizantes. Resulta, acreditem!

Claro que sou humana e tenho os meus dias de cansaço... mas fazer o que? Respirar fundo e tentar não misturar os assuntos (risos). Minha filha não tem culpa. Os filhos também têm os dias deles de cansaço e mau humor (risos), um bom momento para ensiná-los a lidar com as frustrações.

Acontece que geralmente quando os comportamentos inadequados resolver aparecer coincidem com os dias que estamos mais cansadas, gastas, stressadas... É difícil não se descontrolar, então uma dica para os momentos de birras, pitis é choramingos.

IGNORAR, por mais que custe para a mãe ficar ouvindo berros e dramas o melhor é mesmo ignorar..aos poucos a criança percebe que não funciona!

- Neste momento é importante que os pais evitem a discussão e o contato visual com a criança. 
- No início é comum a criança berrar ainda mais e mais alto! Se você ceder... já sabe, para a criança o berro vale a pena. Simples...eu berro, grito e consigo! Então se decidir usar esta técnica prepare os ouvidos e mentalizar-se para ser capaz de manter a sua decisão e ignorar.
-  Ignore e desvie a atenção para outra coisa.
- Ensine aos outros a ignorar, isto é, o pai também precisa estar preparado, bem como familiares e amigos.
- Dê atenção a comportamentos positivos, quando a criança se acalmar explique a ela que gosta de a ouvir falar assim sem choramingar. Elogiar o fato dela estar a portar-se bem. Sorria. :)

E como em todas as dicas apelo a prática do bom senso, se a birra consistir em algo que seja prejudicial a criança não ignore...

Uma coisa tenho certeza, e que toda mãe deve saber bem, é que todo dia é dia de ser mãe. Cada uma com a sua rotina, regras e valores. Como a Cristine referiu "Mãe Não é tudo igual", mas uma coisa temos em comum queremos sempre o melhor para os nossos filhos.

Saudações de terras lusas...

Frioooo...
Taciana Ferreira