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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Quando os adultos temem unicórnios

Sabe a expressão "procurar chifre em cabeça de cavalo"? Pois é como eu vejo alguns adultos...

Diálogo com minha filha. (Troquei os nomes das crianças para proteger os coleguinhas de classe, não que tenham feito algo reprovável, mas por não ter conversado com as mães deles sobre o assunto.)

- Mãe, o João deu um beijo no José.
- Sim meu amor, amigos se beijam.
- Mas são dois meninos.
- Tudo bem, anjo, você não beija as suas amiguinhas?
- Eles vão se apaixonar?
- Assim: criança não se apaixona, criança não pode namorar, nem menino com menino, nem menina com menina e nem menina com menino. Quando crescer cada um escolhe.
- Mas a tia não gostou que eles se beijaram.
- Onde foi o beijo?
- Na bochecha. 

E agora? Tive de brincar, para não demonstrar meu descontentamento. Complicado quando uma "autoridade de ensino" tem uma opinião contrária à sua.

- Tia bobinha. hehehehe

Procuro de todas as formas dar uma educação inclusiva, sou contra qualquer tipo de preconceito e entendo que esses pequenos episódios do dia a dia são as melhores oportunidades de ensinar o respeito a toda e qualquer pessoa. Mas é complicado ir contra a maioria.

Até entendo a postura da professora. Afinal numa situação onde várias crianças que têm orientações diferentes, pais com opiniões diferentes é complicado. E reproduzir o discurso padrão é mais simples, principalmente se ela mesma tiver essa convicção. 

Explica, mas não justifica.

O que me incomodou muito foi o fato uma coisa simples, uma brincadeira, ou demonstração de carinho se tornar um "caso". Esse foi o assunto da manhã aqui em casa. Não sei se as outras crianças ficaram tão intrigadas quanto a minha filha, mas não é para tanto.

A maldade está na cabeça dos adultos, são eles que ficam procurando chifre em cabeça de cavalo e temem que essas brincadeiras sejam indícios de algum tipo de comportamento homossexual. (Já escrevi sobre esse tema no post Será que ele é...?)

Um beijo na bochecha não tem qualquer significado isoladamente, mas pode desencadear um série de comportamentos preconceituosos na cabecinha das crianças e assim teremos mais uma geração de pessoas que não sabem respeitar as diferenças.

E se por acaso alguns daqueles alun@s (@ é a forma de incluir os dois gêneros na mesma palavra) vier a se descobrir homossexual um dia? Certamente irá lembrar do olhar da professora, do riso dos colegas e começará o sofrimento desta pessoa. E se nenhum deles nunca vier a se descobrir gay, o comportamento de rir, de fazer piadas, ou fazer cara feia com demonstrações de carinho públicas homossexuais permanecerá.

Muitas mães e pais temem que seus filhos sejam homossexuais, alguns por questões religiosas, mas a grande maioria por ser uma condição (não é escolha, ou opção) que implica em sofrimento. E nenhuma mãe quer ver um@ filh@ sofrer. Mas fazem os filhos de outras mães sofrerem quando reproduzem comportamentos preconceituoso inconscientemente (embora existam muitas pessoas que são conscientemente preconceituosas, olhando apenas para a própria opinião e ignorando o sofrimento alheio, infelizmente)

Homossexualidade (não mais homossexualismo, fui corrigida no outro post sobre o assunto. O "ismo" dá ideia de doença, o "lidade" de identidade) não me é incômodo nem para conviver, muito menos para falar sobre o assunto. Respeito-@s muito. Principalmente aquel@s que sofreram muitos preconceitos, inclusive na família, mas que andam de cabeça erguida, assumid@s e sem fingimentos.

O que me incomoda (e muito!) é essa brincadeira de "namoradinho". Sou absolutamente contra a adultização, já que namorar é coisa que só gente grande faz. Existe também uma boa dose de machismo implícito nesse tipo de brincadeira, já que é "engraçado" se o menininho tenta "pegar" as meninas, mas se for a menininha a querer beijar os todos os meninos a brincadeira já não é tão engraçada. 

Sem falar que é uma medida protetiva contra pedófilos, que muitas vezes se dizem "namorados apaixonados" para seduzir e enganar.

Criança não namora! Com ninguém! Ponto final.

Quanta coisa por causa de um beijo... quanto preconceito implícito. As crianças não têm maldade e reproduzem o que vêem e ouvem. São espelhos dos adultos que a cercam. Estes menininhos provavelmente têm pais carinhosos que beijam os próprios pais (avós da criança), beijam irmãos e amigos e só. Não chega nem a ser assunto em casa, já que na casa deles tem beijo para todo mundo, vindo de todo mundo.Carinho não faz mal. Preconceito faz.


Por um mundo com mais respeito e menos preconceito.


Amem (é sem acento mesmo)

Cristine Cabral

Para continuar lendo sobre preconceitos: Livre estou, livre estou...





sábado, 9 de agosto de 2014

Feliz Aniversário MAMÃE!!!!!!

Eu e ela em algum momento de 1976
Hoje é o aniversário da minha mãe e a melhor forma que encontrei de homenageá-la foi fazendo este post.

O que falar da nossa relação? Que tem altos e baixos? Sempre! Momentos mais próximos ou mais distantes? Sim. Assim como qualquer outro tipo de relação.

Eu já fiz raiva. Ela a mim. E quem nunca fez raiva a alguém?
Eu já a decepcionei. Ela a mim. E quem nunca decepcionou alguém?
Eu já a deixei triste. Ela a mim. E quem nunca deixou alguém triste?
Eu já a fiz muito feliz. Ela a mim. E quem nunca deu felicidade a alguém?
Eu já a deixei orgulhosa. Ela a mim. E quem nunca se orgulhou de alguém?

É assim! E quanto mais próxima, mais longa, mais conturbada pode ser a relação. Principalmente somada aos famosos conflitos de geração, diferenças de valores pessoais e personalidades marcantes e difíceis.

Eventualmente temos nossos desacordos e quando isso acontece nos recolhemos. Digerimos, ou ruminamos (depende da gravidade da situação) o que quer que seja e com algum tempo (maior ou menor de acordo com o que seja) voltamos ao normal. Sem DR (discutir a relação). Sem pingos nos “i’s” ou cortes nos “t’s”. 

Simples assim. Dessa forma resolvemos nossos conflitos. Em silêncio. (Depois que me tornei adulta, quando eu era criança minha mãe gritava um bocado, assim como boa parte das mães que cuidam das crianças, da casa, trabalham, etc.)

NÃO é a MELHOR forma, nem a forma CORRETA. É só a NOSSA forma. Funciona! E ponto final.

Sem DR, pois no fundo sabemos que não podemos mudar uma à outra (embora por muitos anos ela tenha tentado mudar várias coisas em mim. Mas isso é papel de mãe: tentar moldar os filhos àquilo que é considerado por ela o melhor).

Aceitamo-nos com cada um de nossos defeitos e os toleramos, pois sabemos que não podemos viver uma sem a outra.

Eu e ela em algum momento de 1976
Embora eu saiba que um dia teremos que nos separar definitivamente. Não há por que negar a realidade. (Como não pensar nisso, já que amanhã é o primeiro Dia dos Pais, sem meu pai?) Vivo na esperança que este dia demore bastante. Que só venha quando ela já for tataravó dos meus bisnetos. E que eu não vá antes dela. Não por egoísmo de achar que minha vida vale mais que a dela, mas para que ela não sofra a dor de me perder, já que nenhuma mãe jamais deveria passar pela dor de perder um filho.

A vida já levou meu pai, mas eu ainda tenho minha mãe. Foi ela que me alimentou, que cuidou de mim doente, que ensinou-me a caminhar com minhas próprias pernas (no sentido denotativo e conotativo), que me levou às festas (não só ir deixar e buscar, mas estar lá), quem eu podia chamar a qualquer hora do dia ou da noite, por qualquer imprevisto e tantas coisas mais...

Digo e repito: “Todo erro de mãe deve ser perdoado. Pois se mãe erra é tentando acertar.” (Abro este parêntese para deixar claro que aquelas que abandonam, ou agridem violentamente não têm o direito de receber este nome “MÃE”)

Eu e ela em algum momento de 2014
Certamente cometerei os meus erros como mãe, já que sou imperfeita como qualquer outro ser humano. E a minha relação com minha filha não terá a mesma forma, mas será igualmente cúmplice.

Vinícius de Moraes dizia “O perdão também cansa de perdoar.” Mas uma mãe nunca cansa de perdoar. E os filhos, cansam? Eu, não!

Imagino que depois de ler isso, possivelmente depois de algumas lágrimas, ela não vá comentar, a não ser por escrito (pois pode esconder o choro  (se vier) atrás da tela do computador), já que tenho uma mãe de emoções (todas!) à flor da pele e de intensidade homéricas. Então não precisa dizer... eu sei! 

Feliz aniversário e muitos, muitos, muitos anos de vida! Amo-te! 


Cristine Cabral

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Lidando com a morte...

Há mais ou menos 15 dias atrás minha filha havia me perguntado:
- Mãe, como as pessoas vão para o céu?
Pergunta foi despertada pelo fato de um tio-bisavô ter falecido aos 106 anos naquela semana. A minha explicação foi:
- Assim, quando as pessoas morrem a alma vai para o céu e o que fica é o corpo que a gente enterra. A alma é uma coisa que existe dentro da gente, mas que não dá pra ver, nem pra pegar. Deu pra entender?
- Não!
- Bem... é como o amor... ele não fica dentro da gente? Mas a gente não vê, nem pega, mas sente dentro da gente... deu pra entender agora?
- Humrum...

Dias depois dessa conversa que veio a falecer foi o meu pai. E quem teve que lidar com a morte fui eu... E não tem como falar em morte, sem falar em religião. A minha resposta à minha filha, foi a mais simples, a que encontrei que pudesse ser compreendida por quem tem 4 anos e vive em uma família de orientação católica. Mas no meu caso é diferente... sou cética e questionadora. A fé é algo que se tem ou não. Não existe mais ou menos fiel. 

Tive educação católica, estudei em escola de freira, mas muita coisa fica sem resposta, ou a resposta não me satisfaz. Fazendo uma comparação com a parábola do Semeador, eu digo que sou semente que caiu nos espinhos, até brotou, mas não dá frutos. No meu caso os espinhos não são os pecados, mas o que leio, estudo e que faz com que esteja sempre perguntando como? por que? isso é biologicamente possível? foram levados em consideração o contexto socio-econômico para que esta afirmação seja correta? Porém não sou semente que caiu nas pedras, ou que foi comida pelos pássaros, pois estes afirmam com certeza que Deus não existe. Também não tenho essa certeza, pois assim como não há provas que Ele existe, não é possível provar que não existe.

Um amigo escreveu há alguns meses depois de passar pela mesma situação que ele não havia "perdido" o pai, pois ele tem a certeza de que um dia irão se reencontrar. Feliz dele por ter esta certeza... Para mim, são só dúvidas. Mas isso não significa angústia, ou sofrimento. Não ter todas as respostas faz parte da vida...

O que mais me conforta é que independente de quem esteja certo, meu pai está melhor agora do que estava nos últimos meses. Se os espíritas estiverem certos, ele está em um lugar de luz e dentro de algum tempo terá uma nova vida, uma nova oportunidade. Se os evangélicos estiverem certos, ele está aguardando pelo juízo final num lugar onde não há dor nem sofrimento (Se eu estiver falando alguma bobagem, favor me corrijam nos cometários). Até mesmo se os ateus estiverem certos e não houver nada, ele não tem o céu, mas também não tem o desconforto da internação, dos aparelhos e procedimentos, nenhuma dor física, ou emocional... Se os católicos estiverem certos, ele está no céu, cercado daqueles que conheceu e já partiram e isto inclui o meu avô e minha avó (que não cheguei a conhecer nenhum). E esta seria a possibilidade que mais me confortaria...

Minha avó Suzete e meu pai Cabral
Meu pai foi uma pessoa muito admirada e amada, como professor, colega de trabalho, vizinho, esposo, pai, avô... mas tenho certeza que o maior amor que ele teve foi como filho. Até onde eu sei, minha avó sofreu várias perdas de bebês até conseguir ter o meu pai, o único filho, criado cercado de toda a atenção, de todo cuidado. E este filho tão amado, perdeu a mãe muito cedo, não sei ao certo, mas acho que foi algo próximo dos 20 anos... 

Quem tem fé tem certeza, eu tenho esperança... de que agora meu pai esteja nos braços da pessoa que mais o amou e que tiveram tão pouco tempo de convivência, mas que agora têm toda a eternidade para estarem juntos, falarem tudo que não tiveram tempo de falar e ele deve estar falando de cada um que deixou aqui e que ela não conheceu, começando pelos netos... e que eu um dia possa estar lá com eles e finalmente conhecer a minha avó.

Choro enquanto escrevo... mas esta tristeza vai passar daqui a pouco, pois acima da minha tristeza está a certeza de que ele está bem, esteja onde estiver. A tristeza vai passar, mas a lembrança não, nem a saudade. É possível sentir saudade e não sofrer...

E o melhor remédio contra a tristeza é a alegria... Alegria de ver minha filha saudável, assim como as outras pessoas da família, alegria de ter amigos presentes (mesmo que quilômetros, ou mesmo um oceano nos separe), alegria pelos bebês que acabaram de nascer e pelos que estão a caminho. 

Então se você me ver sorrindo não é por falta de amor ao meu pai, é por excesso de amor pela vida (minha e de quem eu amo).

Cristine Cabral

segunda-feira, 18 de março de 2013

Filho do Coração

Uma de nossas leitoras sugeriu que falássemos sobre adoção. E fez algumas questões, mas antes de responder especificamente, preferi falar um pouco para as pessoas que ainda estão pensando sobre o assunto. Na próxima semana falo sobre outras questões relacionadas ao assunto.

Primeiro gostaria de dizer que acho o gesto de adotar uma criança um ato nobre, mas que por isso deve ser tomado com muita cautela. Antes de dar entrada nos papeis para realizar uma adoção nos conformes da lei é essencial que saiba responder a seguinte questão: Por que você quer adotar?

Cuidado se a resposta for parecida com qualquer uma das seguintes:
- Para finalmente me sentir feliz.
- Para ter uma pessoa que sempre estará do meu lado.
- Para poder ter um filho e não "estragar" meu corpo.
- Por que toda mulher tem que ser mãe.


Não vou discorrer sobre cada uma, mas alerto que as duas primeiras podem ser referir também aos filhos "paridos". Ninguém merece nascer tendo como "carga" a função de fazer uma outra pessoa feliz. Não devemos atrelar a nossa felicidade a nada exterior a nos mesmas, nem filho, nem trabalho, nem cônjuge. Seja feliz com você mesma, depois você pode somar, dividir, multiplicar essa felicidade a de outras pessoas.


Outro alerta. Não pense na "maldição do sangue". Quando os filhos apresentam mau comportamento é comum ouvir mães dizerem: "Ele puxou isso do pai." E no caso dos adotados a "culpa" vai para o sangue. Certa vez assistir um realit show de educação infantil que um menino de 4 anos cresceu ouvindo que ele "tinha sangue ruim", ao ponto de ver na tv algo sobre transfusão de sangue e foi pedir para a mãe: "Vamos lá, mãe. Nesse lugar você vai poder trocar o meu sangue e vou ficar um menino bom." Fiquei de coração partido.

Não nego que existam predisposições genéticas, mas estas só se manifestam se encontram ambiente propício para isso.

Os comportamentos das crianças são reflexo da educação que recebem. Alguns obedecem regras e limites mais facilmente do que outras, mas cabe aos pais ter paciência e amor suficiente para impor limites, transmitir valores e ter comportamento adequado que seja uma boa referência. Sejam pais biológicos, ou adotados.

Cuidado com muitas expectativas. Toda criança é um ser único, que tem sua própria personalidade, tem o direto de escolher seu próprio caminho, não tem a obrigação de seguir o caminho que os pais traçaram, seja qual for a forma em que passou a pertencer a família. Uma mãe que gesta um filho, não tem como escolher a cor dos cabelos, dos olhos, da pele, com quem vai parecer e ela o ama seja como for, inclusive se tiver alguma deficiência física ou mental. Abra seu coração e, se for o caso, não vá "escolher" seu filho, permita-se ser escolhida. 

Agora se você concordou com tudo que disse, se sente madura e preparada para ser mãe, se tem amor e felicidade suficiente para você e uma (ou mais) pessoas... se chegou nesse ponto do texto pensando "ai como eu queria ser mãe, pena que não tenho dinheiro suficiente para isso." Peço que repense. Lembre-se que dar um lar a uma criança que não tem e dar tudo o que nem todo o dinheiro do mundo pode comprar: amor de mãe. Claro que dificuldades financeiras sempre complicam, mas se souber educar bem a sua criança, esta saberá reconhecer que mesmo que o material falte alguma coisa o lado sentimental, emocional, psicológico, social compensará e valerá mais do que uma vida em uma instituição, na qual mesmo que tenha sido muito feliz lá, aos 18 anos o vínculo é necessariamente quebrado.

Se for algo que pretende considerar, pense, pense muito e quando tiver certeza, pense mais uma vez. Pois imagine como se sente uma criança que é devolvida. Como é ser rejeitada mais de uma vez... 

Cristine Cabral

sexta-feira, 1 de março de 2013

Eu quero a minha Mãeeeeee!!!

A semana passada foi daquelas! Na terça a Eduarda começou com uma crise de tosse antes do jantar e só parou depois de vomitar várias vezes. Como tenho muita alergia respiratória e quase sempre estou "fungando" no início achei que teria sido algo diferente que passou aqui por casa...talvez o gato, alguma roupa de lã, o frio... O chato é que a tosse e o mal estar continuou durante a madrugada, ela começou a ficar ofegante, com dificuldades para falar de tanto tossir e com muita expectoração.
Bem, como ela tinha passado por duas crises nas semanas anteriores não foi difícil chegar a conclusão de que tudo isso era resultados de gripes mal curadas... O frio daqui não ajuda nada, muitas mudanças de tempo...
A noite foi longa e logo quando acordamos resolvi levá-la a urgência infantil. Com doença não e brinca. Realmente ela tinha muita expectoração (peito cheio) e foi logo fazer inalação. Examinaram novamente acharam que ainda tinha algo nos pulmões e ela foi encaminhada para o Raio X. Eu sou calma, mas nessas horas bate sempre a insegurança, medo, receio, fraqueza.. enfim.. uma mistura de emoções. Após o Raio X ela foi novamente encaminhada para fazer novamente inalação. Entretanto em urgência vão sempre chegando mais crianças. É definitivamente um ambiente desagradável, ver crianças em sofrimento é muito difícil.  Sinto imenso e sofro junto com as crianças e os pais. Uma mãe estava a chorar porque o filho tinha que ficar internado, que dó! Tentei consolá-la...mas é difícil...sou mãe entendo perfeitamente.
Tenho colegas que trabalham com Psicologia Hospitalar e admiro muito o trabalho feito na área. Como Psicóloga e ser humano este é um limite pessoal. Ainda bem que existem pessoas com esta força!
Depois de passar quase o dia inteiro no hospital a Eduarda foi novamente examinada e liberada para ir para casa. Ufa.... mesmo assim eu e meu marido resolvemos não levá-la a creche por uma semana. Para ela poder se recuperar e diminuir a possibilidade de uma recaída. Rotina diária completamente alterada.
Acontece que eu também não estava bem de saúde, minhas crises de rinite e laringite e "ites" e "ites" fazem de mim uma pessoa constantemente "gripada". Meu marido também ficou, por isso a semana foi PESADA. Noites mal dormidas...preocupações... A casa ficou de cabeça para baixo e as prioridades deixaram de ser prioridades. Na realidade a "única" prioridade era ter a minha filha bem de saúde.
Mesmo com trinta e cinco anos nessas horas bate um desespero e só penso: " EU QUERO A MINHA MÃE!!!". Como seria tudo mais fácil com ela por perto. Seu apoio, força, dedicação e amor... Depois penso como tenho sorte de ter a minha MÃE, porque nem sempre ter mãe significa ter MÃE, correto? Mesmo do outro lado do Atlântico só em pensar nela já me sinto mais confortável, minha mãe é tão maravilhosa, tão forte e presente que as forças não demoram por voltar! Ufa! Um exemplo de mulher, mãe e amiga... dona Irene, gente boa! (risos). Espero poder transmitir esse sentimento a minha filha, de amor aos Pais... a importância do vínculo familiar, pois família é um bem precioso. E também tenho que citar o papai para ele não ficar com ciúmes, não é sr Alcides? Outro amor de pessoa...e um vovô camarada.

Morar longe, ou seja, do outro lado do Atlântico da nisso. Somos só nós os três, viva! E antes de ser psicóloga sou um pessoa mais que comum...também sofro, sinto medo... essas coisas de gente "normal"... (risos). Sem falar em saudades...

O importante é que passamos por mais uma batalha. Mais fortes? Talvez...ver um filho doente destrói qualquer coração, haja força para os pais!

Saúde para todos!

Saudações de terras lusas...

Taciana Ferreira

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

De volta para casa...

Passaram-se dois meses desde que escrevi a última postagem. Estive no Brasil e como ir a minha terra Natal é sempre tão corrido, por mais tempo que passe lá nunca consigo fazer tudo. Voltar para Portugal é sempre um misto de tristesa e alegria. Deixo amigos e família e toda a alegria do jeito brasileiro de ser e volto para casa, meu lugar, minha rotina, meus animais, minha horta e as novas amizades que consegui durante estes 6 anos em Portugal. Meu nome é saudade.
Cada lugar tem seu encanto e desencanto, não gosto de ficar fazendo comparações porque me considero uma pessoa flexível e tento me adaptar onde quer que esteja. Isto facilita e muito. Quero passar esta competência para a minha filha, afinal estamos em um mundo com as "porteiras" abertas hoje estou aqui amanhã sabe-se lá...
Como todo este discurso onde quero chegar? Bem, costumo fazer um balanço do que fiz durante o ano que passou e estabeleço metas para o ano seguinte.
Desde que concluí o curso de Psicologia decidi que queria ficar ativa tanto no Brasil quanto em Portugal. Como terminei o curso em Portugal tive que dar entrada na documentação para a revalidação do meu Diploma no Brasil, coisa que achei um tanto quanto absurdo. Afinal somos irmãos ou não? E vamos a burocracia... 6 meses o tempo para este serviço! Resultado, quero ser funcionária pública.
Depois de ver tantas oportunidades para Psicólogo no Brasil, decidi...vou estudar para concurso! Comprei algumas apostilas, pedi dicas aos meus irmãos e cunhados concurseiros e vou em frente. Ser Psicóloga em Portugal neste momento está complicado, por conta da crise não há grande perspectiva de trabalho...
Por isso aguardem, farei resumos dos textos que irei estudar para poder partilhar com vocês.

Outra coisa que acho que ainda não citei aqui é que meu marido é produtor de vinhos verdes aqui em Guimarães, onde moramos. Eu adoro, nós adoramos e os outros adoram (risos). Uma paixão que tem crescido cada vez que entendo mais desta arte. Tenho trabalhado na divulgação dos mesmos e a meta 2013 é entrar no mercado Brasileiro. Os Vinhos Verdes são leves e fresquinhos combinam com o clima quente.

E a Eduarda? A Eduarda curtiu cada minuto no Brasil, adorou ficar em volta de toda e família e me perguntava sempre sobre os avós, tios, tias, primos e primas... quem era quem... É muito bom ser rodeada por amor, isso ela tem de sobra na terrinha da mamãe. Quero que ela cresça valorizando a importância do vínculo familiar em nossas vidas, assim como foi e é para mim. Passamos mais tempo aqui que lá, mas ela não esquece...sempre que volta ao Brasil lembra de tudo e todos, ou seja, o que é bom não é deixado para trás. Por mais que a distância seja grande estão todos em nossas memórias e corações.

Ah outra meta, me dedicar mais ao Psicomães como a Cris! (risos)

Feliz 2013!!!

Saudações de terras lusas...

Taciana Ferreira




terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Reconhecimento é bom e todo mundo gosta

Cena:  Uma mãe num shopping e o filho de 7 anos quer que ela compre um brinquedo, para conseguir o menino começa a falar alto e a sapatear e para fazê-lo parar a mãe diz:
- Para com isso! Está todo mundo olhando para você!

Tudo normal, o problema está que, nesse caso, o menino adora aparecer, adora ser o centro das atenções, então o que a mãe pensa ser uma ameaça de punição torna-se um sinalizador de reforço. Principalmente se a criança souber que em público a mãe não fará uso da força física, caso ela seja adepta da palmada. Então a birra dele provavelmente vai aumentar, depois de ouvir essa frase.

Meu objetivo hoje é falar sobre o que nós, analistas do comportamento, chamamos de reforço positivo. É o ganho por emitir determinado comportamento. (Ressaltado que trabalhamos com probabilidades, não com causa e efeito. O ser humano é muito complexo para que se consiga analisar todas as variáveis envolvidas)

Já ouvi de um pai na clínica a seguinte frase: "Não vou recompensar meus filhos por eles fazerem o que é obrigação.". Ok. É uma escolha, é uma forma de educar... a mais comum podemos dizer. Porém neste caso, não são os reforçadores que incentivam o comportamento, mas sim a tensão da esquiva por uma possível punição. 

É necessário atenção sobre como o comportamento será reforçado, por ser algo muito particular. Exemplo: Numa empresa quem tem boas ideias tem o privilégio de apresentá-las pessoalmente à diretoria. Ok. Mas nesse caso o funcionário que for tímido, jamais apresentará suas ideias por melhores que sejam, ou vai passá-las para um outro ganhar os méritos.

Fomos educados numa sociedade punitiva, onde o erro chama muito mais atenção do que o acerto, assim as pessoas ficam muito mais atentas às possíveis punições do que aos possíveis reforçadores. Mas isso não justifica que façamos o mesmo com nossos filhos. Elogio é bom e todo mundo gosta.

Exemplo: eu mesma muitas vezes não estou com vontade ou com inspiração para escrever aqui. Poderia deixar para lá... afinal não receberia nenhuma punição. Mas então imagino que se eu tivesse um chefe chato no meu pé, conseguiria arrumar tempo, inspiração, vontade, etc. Assim como se fosse para ganhar dinheiro (o reforçador arbitrário universal). E então lembro de como me faz bem escrever o que eu penso e sinto, lembro de como fico toda feliz quando leio algum comentário aqui, lembro da satisfação que tenho quando vejo a linha das estatísticas subindo... 

Ou seja, não é um ganho imediato, instantâneo, é a longo prazo. E isso as crianças não entendem, principalmente as menores de 5 anos e os adolescentes (em alguns casos). Para conseguir que a criança consiga o sucesso pleno é preciso que os passos dados sejam reconhecidos. Exemplo: Tirar a fralda. Usar o banheiro é algo complexo: 1- perceber se há vontade, 2- controlar os esfíncteres, 3- localizar o local adequado e a distância, 4- chegar até o banheiro ainda controlando a vontade, 5- tirar a roupa, 6- sentar-se (ou ficar em pé no caso do xixi dos meninos), 7- liberar a saída, 8- limpar-se (normalmente a última conquista a ser alcançada), 9- vestir-se, 10- dar descarga, 11- lavar as mãos. Fica tudo mais tranquilo para o pequeno aprendiz se ele vê cada pequena conquista ser comemorada, do que ter que fazer tudo isso para evitar que a mãe fique decepcionada, por que não conseguiu, ou mesmo chateada, ou zangada por que fez sujeira na roupa.

Não é tarefa fácil... se as vezes é difícil perceber o que reforça a mim mesma, imagine perceber o dos outros e pior ainda no caso de uma mãe que não é psicóloga e que tem filhos extremamente diferentes.

Mas vale o esforço, pois é muito melhor viver na expectativa das coisas boas que estão por vir, do que na eterna tensão de se esquivar das punições.

Gostaria muito de poder passar para vocês uma lista de comportamentos e reforçadores, mas isso não existe! Pois além das diferenças entre as pessoas, existe as mudanças que a pessoa sofre ao longo da vida... Então o que posso dizer é que observem seus filhos, vejam o que os fazem felizes, conversem, perguntem, compartilhem com eles toda conquista, mesmo que seja o campeonato de futebol de botão do condomínio, participem da vida dos seus filhos, só assim vocês vão conhecê-los melhor. E só assim eles vão ter 100% de confiança para compartilhar com você os medos, as dúvidas e os erros, pois ele saberá que encontrará apoio e conforto e não crítica e punição.

Esse assunto é bastante complexo, mas aos poucos vou explicando. Caso ainda não tenha lido e queira ler um pouco mais, recomendo o outro post sobre o assunto: Punir, só, não resolve 

Com calma e paciência as coisas vão dando certo... ;-)

Cristine Cabral