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sábado, 11 de junho de 2016

"Mãe, tem um menino apaixonado por mim."



E eis que aos 6 anos de idade a rotina da minha filha passa a ser alterada pela "paixão" de um menino.
Não estou preocupada, nem com ciúmes, mas como não deixo nada passar sem antes analisar sob alguns aspectos, vamos lá:
- Mãe, o menino do 1o. ano F passa o recreio me seguindo, o tempo todo me olhando e eu não gosto disso.
Como não há qualquer invasão do espaço dela, não vou tomar qualquer atitude, as vivências são mais pedagógicas do que qualquer lição. E não há qualquer necessidade (até o momento) de "salvar" minha filha.
A primeira coisa que me veio a cabeça foi que algum adulto deve ter dito "Se você gosta dela, vai atrás." Se não disseram diretamente para ele, é muito provável que tenha ouvido essa frase na fala dos adultos, se referindo como a forma como os homens devem se comportar quando gostam de alguma mulher. Porém o pensamento de crianças nessa fase é puramente concreto, logo, "ir atrás" foi entendido de forma literal e assim ele passou a segui-la durante o recreio.
O que respondi ao comentário dela foi:
- O que você pode fazer é ir falar com ele e pedir por favor que pare de lhe seguir porque você não gosta.
O que ela fez no outro dia, mas que semanas depois ela veio me dizer que não adiantou nada, que onde ela está ele fica por perto, sempre olhando para ela.
Em tempos de debates sobre "Cultura do Estupro" (não entrarei nesse mérito aqui) fico pensando sobre as diferenças na educação com foco nas diferenças de gênero. 
Ao mesmo tempo em que esse menino se comporta assim com a minha filha, três amiguinhas dela estão "apaixonadas", mas o comportamento delas é de querer manter segredo e continuam tratando seus "amores" da mesma forma que tratam todos os outros amigos.
Não acredito na ideia de que tais comportamentos são inerentes ou instintivos de cada gênero, acredito que são reprodução da cultura na qual estas crianças estão sendo educadas. Por isso que dedico tanto tempo em observar e analisar cada pequeno comportamento.
Na prática não farei nada, mas não custa deixar o alerta aqui. Principalmente para as mães de meninos, para que procurem educá-los com menos machismo, que caso eles gostem de alguma menina, não digam "Vá atrás", digam "Converse com ela e veja se ela sente o mesmo." Mesmo por que imagino que não deva ser legal para esse menininho gostar da minha filha, admirá-la tanto e não ser correspondido. Já seria tempo de ele aprender que quando uma menina diz não, significa que ela não gosta dele, pelo menos não na mesma intensidade. Com uma conversa ele poderia encerrar essa "conquista" e se conformar e passar para uma outra possibilidade e quem sabe ser correspondido. Diminuiria o sofrimento dele e o incômodo dela.
Particularmente não gosto dessa conversa de namoro nessa fase. Embora sabia que é algo puro e inocente, encaro como sofrimento desnecessário para a idade. Pois quando se tem 6 anos, dificilmente alguém tem a sorte de gostar de alguém da mesma forma e intensidade, principalmente dentro de uma cultura onde meninos e meninas são educados de formas tão diferentes. 
A minha fala aqui em casa é "Criança não namora." Vejo isso também como prevenção contra pedófilos que muitas vezes seduzem se dizendo namorados apaixonados.
Por fim o que posso dizer é que é preciso ter tempo para ouvir o que suas crianças têm a dizer. É preciso atenção para o que se passa na vidinha deles. Pois o que parece bobagem para um adulto, pode ser a coisa mais importante que está acontecendo com eles no momento. E a forma como eles lidarão, poderá ser determinante para decisões futuras, quando a coisa for realmente "pra valer".

Cristine Cabral

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Vamos falar sobre sexo

Não consigo entender porque qualquer coisa relacionada a sexo ganha uma proporção tão grande, já que é algo que todo mundo faz...

Com amor, ou sem amor, mas faz.
Antes ou depois do casamento, mas faz. 
Com uma única pessoa a vida inteira, ou com várias na mesma semana, mas faz. 
Com alguém do sexo oposto, ou alguém do mesmo sexo, mas faz. 
Com o intuito único e exclusivo para reprodução, ou por pura diversão, mas faz.

Exceto celibatários, monges e pessoas assexuadas, todo mundo faz.

Sexo é uma função biológica cuja relevância é muito individual. Para algumas pessoas é a melhor coisa da vida, para outras não tem nenhuma importância. E mesmo essas que não dão importância têm formas diferentes de lidar. Lembro de ter visto em um filme, há muito tempo, que tinha o diálogo de uma prostituta com um padre que ela dizia: “Sexo tem o mesmo significado para nós dois, é algo sem importância, tanto que você passa a vida sem fazer com ninguém e eu faço com qualquer um.”


Então porque falar para as crianças sobre isso é o fim do mundo? Respostas possíveis:

- Porque ainda está muito cedo. Baseado em quê se calcula que é cedo? A minha referência é a curiosidade da criança. Se ela pergunta é porque já está na hora de saber. Claro que fazendo as devidas adaptações de linguagem e passando o conteúdo aos poucos. Minha filha acabou de fazer 6 anos, mas ela sabe que ela saiu da minha barriga por um corte, mas que tem outros bebês que saem pelo “pipi”. Que nos dias em que estou mais impaciente é porque está perto do “sangue do pipi” chegar.

Quando minha filha me pediu uma irmã, tive que explicar que era muito complicado, pois eu e o pai dela somos separados. Que os amiguinhos da escola estavam ganhando irmãos, porque os pais continuavam casados. Que para que ela tivesse uma irmã, primeiro a mamãe tinha que ter um namorado, para depois fazer um bebê com ele. Mas se o pai dela encontrasse uma namorada e tivesse um bebê com ela, esse bebê também seria irmã.

Muita coisa já foi explicado, apenas a anatomia do ato sexual ainda não foi informado. E só não expliquei porque ela não perguntou. (Isso vale também para explicar às crianças sobre homossexualidade, não precisa entrar na questão anatônica, basta falar em namoro, em amor que elas entendem muito mais fácil que muitos adultos preconceituosos)


- Porque se explicar, vai influenciar. Bom, deixa eu te contar uma coisa: sua criança já está sendo influenciada o tempo inteiro. Olhe os outdoors no caminho de casa para a escola, escute com atenção as letras de música, que mesmo que você cuide que não toque em casa, mas que tios e primos mais velhos escutam, que o vizinho ouve, se atente para novelas, comerciais, vídeo clipes, etc. A erotização está por toda parte e é usada e abusada pelo marketing, da venda de biquínis, a venda de carros. E não adianta tentar proteger seu filho do mundo. É preciso ensiná-lo a viver nesse mundo.

- Porque criança pequena sabendo sobre tudo desestabiliza a família. De todas as possíveis respostas essa é a mais insana. O que desestabiliza família é a mentira e traição (e não estou falando só entre os pais, mentir para os filhos também é muito sério). É uma geração tentar impor sua forma de ver e viver a vida a outra geração (tanto a anterior, quanto a posterior) sem o devido respeito. É desrespeitar e isolar um membro da família por ser homossexual.


A melhor prevenção é a educação e a informação. Se você não fala sobre sexo com seu filho, alguém vai falar. E você vai perder a oportunidade de repassar os valores morais que espera que ele tenha. Para as pessoas mais religiosas, vai perder a oportunidade de passar os dogmas da sua religião. Vai deixar de alertar para os riscos de doenças e de gravidez indesejada. Vai deixar de ser a referência de fonte de sabedoria e conhecimento.


E por último e mais sério de todos: quanto mais ingênua é uma criança, mais fácil ser vítima de um pedófilo. Na postagem Projeta seus filhos há um texto, cujo autor nunca consegui a referência (se souber deixe nos comentários), com dicas importantíssimas. Uma leitura obrigatória.

Feliz 2016!

Cristine Cabral

Para continuar lendo sobre Educação Sexual:



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

As meninas e o sexo

Minha filha é uma criança linda, não só aos meus olhos, pois sempre recebo elogios a sua beleza, inclusive com a frase "Eita, que quando ela for adolescente vai te dar trabalho... te prepara!" Frase comum, mas que me incomoda. E assim como tudo que me incomoda, parei para pensar de onde vem o incomodo...
Quando os meninos que são bonitos, essa frase não aparece. No máximo quando se pensa na adolescência dele o comentário é tipo "Vai ser o terror da menininhas!" Ou é a própria mãe admitindo que não quer nem imaginar como vai ser quando ele começar a namorar (já eu fico imaginando a sogra terrível que ela se tornará), que não quer nem pensar...

Pois eu penso! Embora não construa sonhos, nem gere expectativas. Minha filha é um ser humano com gostos diferentes do meu, que vai viver a adolescência dela em um mundo diferente do que eu vivi a minha, que vai sofrer influências diversas, além da educação que dou em casa e muitas outras coisas.

Por que ela me daria trabalho quando for adolescente? Só porque ela vai querer ter uma vida sexualmente ativa? Só porque a beleza dela irá despertar interesse nos meninos e em algumas meninas também? Eu só terei trabalho se for tentar evitar o inevitável: ela fazer sexo.

Lembro que há 25 anos atrás a minha geração foi o primeira a "ficar". Embora acredite que o "fenômeno" já devia acontecer antes, mas a minha geração foi a primeira a assumir o comportamento de beijar primeiro, perguntar o nome depois; a beijar alguém numa noite sabendo que no dia seguinte não haveria qualquer compromisso entre os dois "beijantes", a não ser o de repetir, caso tivesse sido interessante para ambos. Que problema era explicar isso para as mães!!! E para as avós??? Muitas achavam o "cúmulo do descaramento". Quantas de nós casou virgem? Quantas de nós casou com com o primeiro e único parceiro? Quantas de nós casou?

Cabe a mim, como mãe, alertá-la para as consequências de uma vida sexual ativa. Instruí-la quanto aos riscos de uma gravidez precoce, quanto a doenças sexualmente transmissíveis, que existem meninos que mentem só para conseguir sexo, assim como existem meninos que se apaixonam loucamente, tanto que podem se tornar inconvenientes. Que camisinha deve ser usada SEMPRE, mesmo depois de casada, pois traições são fatos (perdoáveis ou não) e com elas podem vir as DST's. Que sexo é algo muito bom, mas que exige responsabilidade. Que pode ser feito sem amor, mas com amor é muito melhor. Que príncipe encantado não existe, mas que existem caras legais cujos defeitos não serão problemas aos olhos dela. Que as mulheres têm tanto direito sobre seus corpos quanto os homens, mas que ainda tem gente que acha errado uma mulher ter tido vários parceiros, que "no meu tempo" se dizia que era "rodada" (espero sinceramente que esse termo seja esquecido nos próximos 10 anos).

Não sei que caminho ela irá escolher. Não sei se ela vai gostar de meninos, ou de meninas, ou dos dois. Não sei se ela será romântica para esperar se entregar a um grande amor. Não sei se ela será uma "feminist bitch". Só sei que estarei sempre a apoiá-la. Sem qualquer tristeza pelo fato "meu bebê" (já não uso essa expressão há anos, a não ser para implicar com ela :) ) estar se tornando uma mulher independente. Sei que vou estar disponível para dar colo quando a primeira desilusão amorosa vier... sem essa conversa de "Isso é besteira, você é muito nova para saber o que é o amor, você tem mais é que se dedicar aos estudos."

Quem estiver lendo isso pode até não concordar com a minha postura e não ouso dizer que é a coisa certa a fazer. O que exponho aqui é apenas a MINHA forma de ver o mundo e a vida... a minha forma de educar minha filha.

Não quero ser uma mãe necessária. Se eu sou necessária é porque ela ainda é dependente. Ela só aprenderá a voar com as próprias asas se eu der espaço. Sei que ela irá cair. Sei que irá doer (nela e em mim). Mas o erro faz parte da aprendizagem. A dor e o sofrimento fazem parte da vida (da dela e da minha) e quanto mais cedo a gente aprende a lidar com eles, menos a gente adquire cicatrizes emocionais. 

A palavra chave é RESILIÊNCIA, mas isso é assunto para um outro post.

Cristine Cabral

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Boa Mãe...



Conversando com algumas amigas recentemente falei para uma delas: "Mas eu não sou uma mãe boa". Ela estranhou, claro! Como poderia dizer isso de mim mesma? Tentei explicar da mesma forma que tentarei fazer aqui.
Na realidade sou uma boa mãe, sei disso. Mas, não sou uma mãe boa. E isso me é dito por pessoas diferentes (amigos, marido pediatra, professora, tia, etc.) de diversas formas, às vezes em tom de brincadeira, às vezes em tom de ironia, às vezes sério....Mas, então que tipo de mãe eu sou?...
Eu sou uma mãe que ensinou desde o primeiro dia o filho a dormir sozinho no quarto dele. Sou uma mãe que não pegou no colo o filho imediatamente- nem da primeira vez que ele chorou na maternidade,  nem até o momento. Sempre, espero para reconhecer que tipo de choro é, e se for de manha... realmente “des-sensibilizo” ele, ou seja, não o pego no colo, e aguardo até ele parar para lhe dar atenção ou colocar no colo.
Sou uma mãe que ensinou o filho a dormir sozinho no berço e não no colo. E posso dizer que apesar de ser muito bom. Vez ou outra- quando não estamos em casa e com seu berço ou cama a disposição- fico pensando que teria sido útil nesses momentos tê-lo ensinado a dormir também no colo de mãe ou pai...Mas, depois penso que fiz realmente o melhor.
Eu sou uma mãe que tirou a mamadeira do filho e o deixou com o copo de transição para tomar leite, quando ele tinha um ano e três meses. Suco e água ele já tomava no copo há tempos que nem lembro....
Eu sou uma mãe que pouquíssimas vezes- não chega a completar os dedos de uma mão- levou o filho para o próprio quarto e o fez dormir com ela e o marido. Talvez, pelo fato de que apesar do aconchego de pai e de mãe, tanto ele quanto nós dormimos melhor cada um em seu quarto- afinal foi assim que acostumamos desde o primeiro dia- e talvez por ele ter a certeza de que em muitos outros momentos podemos ficar aconchegados que não aquele...
Eu sou uma mãe que não corre para segurar o filho quando ele cai, espera primeiro para ver qual vai ser a reação dele.
Eu sou uma mãe que deixa o filho no berço sozinho, brincando, e vai tomar um banho tranquilo, pois sei que ele estará seguro ainda que sozinho.
Eu sou uma mãe que nunca deu a comida muito “mastigada para o filho”. Lembro da minha mãe ver meu filho comer banana aos pedaços e ficar horrorizada, afirmando com veemência que eu teria que amassar se não ele iria engasgar....Não adiantou eu explicar que ele foi aprendendo a mastigar desde que iniciou a alimentação complementar e que não iria engasgar pois sabia mastigar....Recebi um baita discurso e depois mais uma vez a frase “Você é uma mãe ruim”.
Enfim, o que quero dizer é que realmente desde que meu filho nasceu incentivo ao máximo sua independência e autonomia, porque sei como profissional, como ser humano e hoje também como mãe que isso é o melhor para ele. É claro, que não é fácil. É claro que ouço muitas críticas e também recebo muitos olhares admirados como se nem eu nem meu filho fôssemos desse planeta.  E sim, às vezes, tenho em mim o desejo que ele fosse mais dependente um pouco, me pedisse mais colo...Mas, depois esse meu desejo passa....Principalmente quando o vejo ganhando mais autonomia e confiança. E, principalmente, percebendo que ele está sabendo discernir que para o mais importante, para o que mais precisar, sempre terá  o meu colo.
Então, já estou quase acostumada com a frase “Você não é uma boa mãe”. E, em certa medida, a aceito, pois realmente sou uma mãe mais dura, mais firme, uma mãe que é capaz de ouvir o filho chorar por quase 10 minutos e esperar do outro lado do porta, com o coração na mão, para ver se ele consegue se acalmar sozinho.... o que talvez não me qualifique como uma mãe boa...Mas, tenho certeza de que sou uma boa mãe. Afinal, todas nós somos as melhores mães que nossos filhos poderiam ter, sejamos mães boas (mais sensíveis, ou apegadas ou seja como for) ou mais duras e firmes....Somos boas mães.
Não existe um único tipo de maternidade, nem um único tipo de criança. Contudo, você e eu somos as melhores mães que nossos filhos podem ter, pois somos suas mães.Por isso, posso dizer que não sou uma mãe boa, mas sim sou uma boa mãe.

Vanessa Nascimento

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Amoras Amassadas


Essa historinha ouvi há muito tempo, não lembro onde, nem quem me contou. Mas me acompanha sempre, principalmente nos atendimentos infantis. Mais ainda quando o motivo da queixa provem do comportamento dos pais.

"Era uma vez, uma mulher que criava cinco filhos sozinha. Eram muito pobres e moravam em uma localidade rural afastada do movimento da cidade.

A única distração que ela e as crianças tinham era no final da tarde irem colher amoras selvagens que cresciam por perto do terreno onde moravam. 

Cada um colhia o que podia e quando chegava em casa a mãe juntava todas as frutas e dividia igualmente para todos. Deixava as melhores para as crianças e ficava sempre com todas as amoras amassadas.

Certo dia a mãe ficou doente e não pôde ir para a colheita, mas as crianças foram, fizeram a colheita e dividiram tal qual a mãe fazia todos os dias, deixando para a mãe doente todas as amoras amassadas"

Há quem possa dizer que as crianças foram insensíveis por não darem à mãe doente as melhores frutas. A questão é que a mãe nunca explicou o por quê de ela sempre ficar com as amassadas. As crianças só fizeram o que cresceram vendo a mãe fazer.

Sempre que vejo uma mãe levando a mochila do filho, em pé no ônibus enquanto a criança vai sentada, deixando de comer no lugar que ela gosta para comer no lugar onde tem (ou dá de brinde) brinquedos lembro dessa história e me pergunto: será que ela sabe que está "comendo amoras amassadas"? 

Não tem nada de errado em querer dar o melhor para os filhos e ficar com a parte menos "doce". Desde que se deixe claro o por quê de estar fazendo isso. Qual a mensagem que se quer ensinar às crianças. Porque você pode achar que está ensinando "Podemos abrir mão de algumas coisas pelas pessoas que amamos", mas a criança pode está entendendo "Você é mais importante do que eu." O que não deixa de ser... aos olhos de muitas mães os filhos são mesmo mais importantes, mas o que não é educativo é a criança crescer achando que todos que estão à sua volta estão ali para servi-la. O mundo não irá tratar seu filho como a pessoa mais importante do recinto.

E você anda comendo somente as frutas amassadas? 

segunda-feira, 2 de março de 2015

Filho X Grana


Algumas semanas atrás numa conversa com uma amiga ela me fez a seguinte pergunta: Como você pensa em ter outro filho? São muitas despesas! Não dá para ter outro filho não. Eu respondi que no momento que vivo com minha família realmente não pensamos em ter outro filho... agora!
A vinda do primeiro foi super planejada e a do segundo não pode ser diferente. Mas, em breve sim poderemos ter outro filho a partir de alguns ajustes no orçamento, acredito que em cerca de dois anos estamos "encomendando" mais um filho.
Minha amiga continuou surpresa, afirmando que para ela era impossível ter outro filho dado os gastos com o primeiro. Vai e volta acabo tendo essa conversa de dinheiro X filhos com várias pessoas. Elas dizem que são muitas despesas, que tudo é muito caro, que no mundo de hoje só podemos ter um filho, que dá muito trabalho etc.
Nessas horas lembro-me bem de outra amiga minha que sempre desejou muito ser mãe desde o início da adolescência e que me dizia: se as pessoas criam filhos,( isso mesmo no plural) com um salário mínimo eu tenho certeza que eu também consigo.
Bem, então para aqueles que estão lendo e que já passaram ou passam pelas mesmas interrogações de dinheiro X filhos, deixo aqui minha opinião e como opinião que é, você pode jogá-la fora por completa, aproveitar algumas partes, ou ainda tudo, ou seja, faça como quiser.
Sei que muitas famílias criam filhos com um salário mínimo ou um pouco mais, mas realmente não quero isso para mim e meus filhos. Quero poder levá-los a passeios culturais interessantes e enriquecedores, como cinema, teatro, livrarias...Poder viajar com eles e conhecer lugares e culturas novas e diferentes. E sei que com um salário mínimo ou um pouco mais, não conseguiria isso.
Quero que eles tenham acesso a boa educação, a escolas de qualidade, a um bom curso de línguas, ou ainda quem sabe uma escola bilíngue...aí acho que talvez já não dê...Mas, com certeza eles aprenderão pelo menos duas línguas além da sua língua pátria.
Quero poder proporcionar acesso a bons médicos, hospitais, enfim um bom plano de saúde. Uma alimentação balanceada, lazer com atividade física.
Quero que eles tenham acesso a livros, música, e que com tudo isso que falei acima, eles estejam em condições de competir por um lugar nesse mercado de trabalho louco e cruel tão afunilado. Principalmente, quero que sejam conscientes de suas escolhas e que façam algo que lhes dê prazer. Desejo que nunca trabalhem apenas pelo dinheiro ou para ter algo, ou para participar de um determinado grupo, que o trabalho deles tenha um sentido, um propósito de vida para eles, pois assim sei que terão grande chance de serem felizes.
Agora quanto custa tudo isso? Barato não é, mas também tenho certeza que não é preciso ganhar R$ 15.000,00 para conseguir isso.
Principalmente por que muitas dessas coisas que desejo para meus filhos requer tempo, disponibilidade dos pais. E para ganhar acima da média, ou muito acima da média do mercado,você deve investir muitas, e muitas, horas do seu tempo nesse projeto.
A escola de qualidade não necessariamente é a escola mais cara. E não se esqueça que nós pais temos um papel complementar ao da escola. Nossos filhos irão aprender na escola sim, mas também conosco em casa e com uma vida de estímulos e interação social que nós podemos proporcionar a eles. A escola tem que lhe agradar em estrutura física e de pessoal. Para mim enquanto psicóloga, penso ser muito importante a presença desse profissional na escola. A linha pedagógica também é de extrema relevância. A distância da sua casa, afinal você irá fazer esse caminho por muito tempo. Enfim, dá para pesquisar e escolher uma boa escola de valor intermediário. Não precisa ser a mais cara, nem a mais barata.
Os planos de saúde estão pela hora da morte, mas dá para pesquisar e também conseguir um bom plano sem ser o mais caro, ou dá para conseguir pagar o mais caro de repente... Afinal saúde tem que cuidar. E principalmente prevenir e prevenir na maioria das vezes saí bem em conta. Além do que sempre se pode poupar em determinados setores para poder investir em outros.
O mercado oferece inúmeras tentações para quem tem filhos, muitas delas podemos passar sem ou conseguir mais baratas etc.
"Meu filhos só usa fralda tal" pode ser...mas vc já testou outras? Mesma coisa para pomadas e tantas outras coisas que existem inúmeras opções... teste.  Existe um mundo de possibilidades para cada item que a criança usa e com preços inúmeros, também.
A propaganda é linda a maioria das mães que você conhece usa....mas, já se permitiu fazer um verdadeiro teste comparativo entre os produtos, esquecendo-se por um tempo de toda a propaganda vinculada na mídia? Seu filho pode ser um consumidor bem diferente dos demais e preferir outros produtos que não o da maioria. Contudo, você só saberá disso se permitir experimentar opções diferentes.
Será que precisa mesmo de um sapato combinando com cada roupa? Será que a festa de aniversário precisa mesmo ser "aquela" festa de aniversário? Sempre existem opções intermediárias e não é porque é mais barato que não é bom, que não presta.
Existe todo um jogo de mercado que leva a maioria de nós a querer comprar sempre o melhor do melhor, e dar tudo e mais um pouco para aquela pessoinha que nós mais amamos no mundo...Contudo, o melhor do melhor é muito relativo e cada família tem que descobrir o seu.
Acredito que quando deixamos de nos preocupar tanto ou de querer tantas coisas para nossos filhos que nem mesmo sabemos se eles querem, não precisamos trabalhar tantas horas mais, ficar ausente horas mais etc. E com isso conhecemos melhor nossos filhos, contribuímos mais para o seu desenvolvimento e uma família maior com irmãos com certeza faz parte também desse pacote.
É difícil não sucumbir ao encantador mundo do consumo e nem sempre conseguimos,
eu sei! Mas, não devemos parar de tentar de não nos deixar consumir.

Vanessa Nascimento

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Quando os adultos temem unicórnios

Sabe a expressão "procurar chifre em cabeça de cavalo"? Pois é como eu vejo alguns adultos...

Diálogo com minha filha. (Troquei os nomes das crianças para proteger os coleguinhas de classe, não que tenham feito algo reprovável, mas por não ter conversado com as mães deles sobre o assunto.)

- Mãe, o João deu um beijo no José.
- Sim meu amor, amigos se beijam.
- Mas são dois meninos.
- Tudo bem, anjo, você não beija as suas amiguinhas?
- Eles vão se apaixonar?
- Assim: criança não se apaixona, criança não pode namorar, nem menino com menino, nem menina com menina e nem menina com menino. Quando crescer cada um escolhe.
- Mas a tia não gostou que eles se beijaram.
- Onde foi o beijo?
- Na bochecha. 

E agora? Tive de brincar, para não demonstrar meu descontentamento. Complicado quando uma "autoridade de ensino" tem uma opinião contrária à sua.

- Tia bobinha. hehehehe

Procuro de todas as formas dar uma educação inclusiva, sou contra qualquer tipo de preconceito e entendo que esses pequenos episódios do dia a dia são as melhores oportunidades de ensinar o respeito a toda e qualquer pessoa. Mas é complicado ir contra a maioria.

Até entendo a postura da professora. Afinal numa situação onde várias crianças que têm orientações diferentes, pais com opiniões diferentes é complicado. E reproduzir o discurso padrão é mais simples, principalmente se ela mesma tiver essa convicção. 

Explica, mas não justifica.

O que me incomodou muito foi o fato uma coisa simples, uma brincadeira, ou demonstração de carinho se tornar um "caso". Esse foi o assunto da manhã aqui em casa. Não sei se as outras crianças ficaram tão intrigadas quanto a minha filha, mas não é para tanto.

A maldade está na cabeça dos adultos, são eles que ficam procurando chifre em cabeça de cavalo e temem que essas brincadeiras sejam indícios de algum tipo de comportamento homossexual. (Já escrevi sobre esse tema no post Será que ele é...?)

Um beijo na bochecha não tem qualquer significado isoladamente, mas pode desencadear um série de comportamentos preconceituosos na cabecinha das crianças e assim teremos mais uma geração de pessoas que não sabem respeitar as diferenças.

E se por acaso alguns daqueles alun@s (@ é a forma de incluir os dois gêneros na mesma palavra) vier a se descobrir homossexual um dia? Certamente irá lembrar do olhar da professora, do riso dos colegas e começará o sofrimento desta pessoa. E se nenhum deles nunca vier a se descobrir gay, o comportamento de rir, de fazer piadas, ou fazer cara feia com demonstrações de carinho públicas homossexuais permanecerá.

Muitas mães e pais temem que seus filhos sejam homossexuais, alguns por questões religiosas, mas a grande maioria por ser uma condição (não é escolha, ou opção) que implica em sofrimento. E nenhuma mãe quer ver um@ filh@ sofrer. Mas fazem os filhos de outras mães sofrerem quando reproduzem comportamentos preconceituoso inconscientemente (embora existam muitas pessoas que são conscientemente preconceituosas, olhando apenas para a própria opinião e ignorando o sofrimento alheio, infelizmente)

Homossexualidade (não mais homossexualismo, fui corrigida no outro post sobre o assunto. O "ismo" dá ideia de doença, o "lidade" de identidade) não me é incômodo nem para conviver, muito menos para falar sobre o assunto. Respeito-@s muito. Principalmente aquel@s que sofreram muitos preconceitos, inclusive na família, mas que andam de cabeça erguida, assumid@s e sem fingimentos.

O que me incomoda (e muito!) é essa brincadeira de "namoradinho". Sou absolutamente contra a adultização, já que namorar é coisa que só gente grande faz. Existe também uma boa dose de machismo implícito nesse tipo de brincadeira, já que é "engraçado" se o menininho tenta "pegar" as meninas, mas se for a menininha a querer beijar os todos os meninos a brincadeira já não é tão engraçada. 

Sem falar que é uma medida protetiva contra pedófilos, que muitas vezes se dizem "namorados apaixonados" para seduzir e enganar.

Criança não namora! Com ninguém! Ponto final.

Quanta coisa por causa de um beijo... quanto preconceito implícito. As crianças não têm maldade e reproduzem o que vêem e ouvem. São espelhos dos adultos que a cercam. Estes menininhos provavelmente têm pais carinhosos que beijam os próprios pais (avós da criança), beijam irmãos e amigos e só. Não chega nem a ser assunto em casa, já que na casa deles tem beijo para todo mundo, vindo de todo mundo.Carinho não faz mal. Preconceito faz.


Por um mundo com mais respeito e menos preconceito.


Amem (é sem acento mesmo)

Cristine Cabral

Para continuar lendo sobre preconceitos: Livre estou, livre estou...





terça-feira, 1 de outubro de 2013

5? 8? 12 Filhos? Como essas mães conseguiam?

Família Andrade da Cidade de Bom Repouso Minas Gerais
Crédito da foto: http://viverembomrepouso.blogspot.com.br/
Não precisa ser a pessoa mais bem informada para saber que a taxa de natalidade vem diminuindo ao longo dos anos. E as mães de hoje frequentemente se perguntam: "Como alguém conseguia dar conta de 10 crianças se para dar conta de 2 fico exausta?"

As crianças são crianças independente da cultura ou da época, mas o ambiente no qual estão inseridas é que molda o comportamento destas e de suas mães.

Antigamente quando uma mulher se descobria grávida do seu 1° filho seu enxoval se resumia à algumas dúzias de fraldas de pano, alguns cueiros e roupinhas normalmente confeccionadas e bordadas por ela mesma ao por uma das avós. Como o 2° não demorava muito então não havia necessidade de refazer tudo, no máximo substituir as peças mais gastas. 

Também não passavam muito tempo se preocupando com todas as coisas que hoje em dia fazem parte da nossa rotina. Não havia a necessidade de calcular se a cada refeição as crianças estavam consumindo a quantidade adequada de nutrientes, se a proporção de carboidratos e proteínas estavam corretas. Bastava saber que as crianças não estavam com fome.

Quanto ao consumo de frutas, para que estimular, se isso já era parte da diversão? Subir nas árvores frutíferas e consumir direto do pé. As bactérias não eram um problema, bastava passar a mão, ou na roupa, ou no máximo uma lavada rápida na água da torneira.

Conservantes e corantes? Absolutamente inúteis, visto que todas as guloseimas eram preparadas em casa. Bolos, compotas, doces e biscoitos acabavam na mesma hora e a cor não importava, já que se sabia que estaria gostoso.

Pisada correta? Cava do pé? Se o menino não mancava é por que estava normal. Curva de crescimento? Bastava saber que as roupas e calçados não serviam mais... sinal que cresceu e engordou.

Gastar dinheiro com brinquedos. Bastava ensinar as meninas a fazerem bonecas de pano, ou de sabugo de milho, os meninos a fazerem carrinhos, de rolimã ou não, cavalinhos de cabo de vassouras. E só se davam o trabalho de ensinar os mais velhos se não tivesse nenhum primo mais crescido para essa função. Fora as brincadeiras inventadas. Não havia criança "hiperativa", pois por mais agitada que fosse havia espaço de sobra para gastar todas as energias correndo, subindo em árvores, tomando banho em rios, açudes, ou no mar.

E a proporção que as crianças iam crescendo isto significava ajuda nas tarefas. Seja no trabalho pesado no caso das mais pobres, ou no trabalho doméstico para as meninas com algum poder aquisitivo, enquanto para os meninos era a aprendizagem de um ofício. A filha de 15 anos cuidava da irmãzinha de 2 anos. O filho de 18 anos já ajudava financeiramente nas contas da casa.

Preocupação com o futuro também não era uma constante. Não havia tempo, pois estavam ocupadas em educar seus filhos, transmitindo os valores adequados, dentre os quais o respeito aos mais velhos. E quando estes filhos cresciam sabiam retribuir o amor, o trabalho e o dinheiro gasto com eles e cuidavam de seus pais na velhice. Lembrando que a expectativa de vida era significativamente bem menor que a de hoje.

As mães mais antenadas e bem informadas podem estar pensado: "Ainda bem que meus filhos não nasceram nessa época.", "Ou não é a toa que a taxa de mortalidade infantil era também bem maior". As mães mais desencanadas, despreocupadas podem estar pensando "Isso sim é que era infância! Pobre das crianças de hoje que vivem presas em suas casas."

Procurei ser o mais imparcial possível, pois meu objetivo não é dar qualquer juízo de valor, nem para a maternidade do século passado, nem para a nossa contemporânea. Só que responder o mais objetivamente como era possível.

Agora o que ficou na minha cabeça é se essas mães do passado tinham esse sentimento de culpa que muitas carregam hoje em dia. Eu não cheguei a conhecer nenhuma das minhas avós, ambas já haviam morrido quando eu nasci. Mas se você tem uma avó, ou bisavó que teve muitos filhos pode perguntar isso a ela. E se puder voltar e me dizer o que ela respondeu, agradeceria muito.

Não existe jeito certo (embora exista sim o jeito errado) de ser mãe. Mãe é mãe e ponto final. 

Cristine Cabral

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

"Atacaram" a minha filha na Escola


Vou começar o post de hoje com o diálogo que tive com Cristine sobre o que aconteceu com a minha filha na escola. Nos mudamos para cá no meio deste ano e desde agosto que ela começou a frequentar esta nova Escola.

8:31 
Taci: A Eduarda ontem chegou machucada da escola...
Contou que todos bateram nela. Até dormi mal...

Cris: E a professora o que disse?

Taci: Conversei com ela. Ela me disse que a professora protegeu ela e que deixou os amigos de castigo.
Ai foi aquela conversa noturna... Pedi para ela me contar caso acontecesse de novo ...
Expliquei que no início quando a gente não conhece os amigos acontece essas coisas ... Que aos poucos eles vão perceber que ela eh amiga.
Pq ela tava começando a dizer q não queria ir p escola que em Portugal era melhor e não era assim.

Cris: E ela disse o pq?

Taci: Ela disse que eles não querem ser amigos dela  (tem um líder.)
Acho que é disputa porque a duda lá (Na escola em Portugal) era o centro das atenções.

Cris: Hum...

Taci: Ela fala de um menino. Esse quem manda. (risos) 

Cris: E como ela entrou no meio do ano... a integração fica mais lenta.

Taci: Ela disse que ele falou AAATACARRRRR!!!! E começaram a bater nela, chutes, murros... Afeee

Cris: Ouw meu Deus.

Taci: Tadinha Cris, ela só contou porque na hora de dormir o pé estava doendo.

Cris: As meninas também?

Taci: Sim, disse que algumas mas também falou que tem um lá que protege ela. (risos)

Cris: Que bom que tem alguém.

Taci: Ai fui passar pomada nas ronchas. Enfim, tentando não passar meu desgosto...
A parte boa é que hoje ela acordou super bem. 

Cris: Teve um novato q passou por isso na sala da Nadine, mas no caso dele, é que era mais calmo e não acompanhava os outros meninos.

Taci: Ela hoje encontrou uma forma de chamar atenção levou para a escola uma máscara de princesa. Foi logo chamando atenção de todos (risos). Ai entrou na sala de peito cheio. 

Cris: Guerreirinha.
Taci: Srsrs ufa... Uma estratégia que ela encontrou para ser o centro das atenções.

Cris: Hehehehehe

Taci: Exato. Fiquei mais tranquila.

Cris: Que bom.

Taci: Mas falei com a professora que não tinha dado muita importância para não virar drama, mas pedi para ficarem atentas, claro.

Cris: Exercício pra vida.

Taci: Cris ela pediu p eu n contar a ninguém nem para a professora.(risos) Interessante não é? Então pedi para a professora não falar nada e assim a Duda não perde a confiança em mim.

Cris: Muitas mãe iriam fazer confusões, brigar com a tia ou com a mãe das outras crianças.

Taci: Pois é mas isso nem pensar! Seria ridículo me trocar com criança. 

Cris: Certamente...

Eu preferia não estar aqui para contar esse acontecimento mas achei que poderia ser importante partilhar a minha experiência com outras mães. Esta não será a primeira nem a última vez que temos estes acontecimentos em escolas. E agressão não se corrige com agressão, certo?
A sua atitude para com o seu filho é que vai fazer toda a diferença. 

Primeiro tentei entender o porque do "ATACAR" e como os adultos tinham reagido. Agiram corretamente protegeram-na e castigaram as crianças que bateram na Duda. Também expliquei a minha filha que ela ainda estava em fase de adaptação a nova escola e que com o tempo ela vai começar a fazer novos amigos, ma para isso ela precisa continuar a ser como ela é simpática, amiga e querida. Mas porque? Porque eu não queria que ela ficasse assustada com a escola ou com medo dos colegas de sala. Nem se sentisse "a coitadinha". Passei segurança ao dizer a ela que eu iria estar atenta e que caso acontecesse de novo ela tinha que me contar. 

Foi fácil? Não, definitivamente não, mas precisamos pensar muito bem em como agir antes de partir para à briga, pois à tendência é complicar ainda mais a situação. Ah e por favor não se troquem com crianças (risos) POR FAVOR! Permita o seu filho a adquirir essa competência, pois você não vai estar sempre ao lado dele para fazer esse tipo de coisa, correto?

De qualquer forma agora estou mais tranquila...Ser mãe é um desafio diário que nos torna mais fortes e realizadas. A reação de hoje da minha guerreirinha com a sua Máscara de Princesa mostrou-me o quanto ela é capaz de dar a volta por cima. E isso faz mais do que parte da vida...

Não a Violência, eu digo NÃO!

E vocês o que teriam feito?

Um bom fim de semana a todas(os)!

Taciana Ferreira















terça-feira, 3 de setembro de 2013

Será que ele é...?

Se você começou a perceber a que filho, ou filha de 6 anos de idade está demonstrando tendências homossexuais, está na hora de procurar um profissional de psicologia, o quanto antes... PARA VOCÊ!!!!

Se a criança tem menos de 10 anos e isto já é uma preocupação para os pais é melhor procurar ajuda profissional para tentar responder a você mesmo as seguintes questões:
- Por que estou achando que a a minha criança é homossexual?
- Como me sinto a respeito?
- E se for mesmo, o que pretende fazer?

Antes de continuar desenvolvendo o tema devo deixar claro que, ao longo da minha argumentação, não tratarei de qualquer aspecto que envolva qualquer religião. Primeiro por que se fosse levantar argumentos das religiões cristãs, seria justo que também fizesse o mesmo com as demais: afro-descendentes, judaicas, espíritas, etc. E também por que o código de ética não me permite, pois aqui deixo claro que minhas opiniões vêm não só da minha experiência como mãe, mas também dos meus estudos e experiência como psicóloga. 

Recentemente, em um dos grupos virtuais de mães que participo, uma delas fez a seguinte postagem:

"Meu filho de 6 anos me falou com tom de estar se desculpando que estava brincando de boneca Polly com uma amiguinha. Eu baixei ate a altura dele e disse: Meu filho não vejo problema em vc brincar de boneca, vc é ou tem vontade de ser gay? Ele disse prontamente: Nãooooooo! Eu finalizei: Brinque do que quiser, isso não vai influenciar vc em nada! Isso serve para as mães que tem taaaaanto medo dos filhos se tornarem gays..."

Evidentemente surgiram depoimentos de apoio e também de críticas.

Vamos por partes: quanto às brincadeiras. De forma alguma os brinquedos ou brincadeiras serão determinantes, ou serão influência para a determinação da orientação sexual. Eu, particularmente, acho muito tedioso a seção de "brinquedos para meninas", tudo rosa e lilás. Uma menina não pode gostar de verde, ou amarelo, laranja, azul, etc????

Outra questão, o homossexual não "se torna" gay. Ele é! Faz parte da sua identidade como pessoa. Assim sendo não vai ser proibindo seu filho de assistir Angelina Bailarina que ele se tornará o machão que o pai sonha. Logo, assim como ele não "vira", também não "desvira".

Uma das críticas que a mãe da postagem acima recebeu é que ela fez uma pergunta muito "pesada" para uma criança de 6 anos.

Como não conheço pessoalmente, nem virtualmente, a mãe que disponibilizou seu depoimento, não posso ter certeza, mas pelo tom da pergunta, imagino que este assunto deve ser corriqueiro nas conversas entre mãe e filho. 

Tudo depende da forma como o homossexualismo é tratado. Para descrever o que é uma pessoa homossexual para uma criança pequena, não se precisa tocar na questão das práticas sexuais, ou mesmo da anatomia dos órgãos genitais. Basta falar de AMOR! Se a explicação é que existem homens que amam mulheres, assim como homens que amam outros homens e mulheres que amam outras mulheres, esta informação pode ser facilmente assimilada por uma criança de 6 anos, ou mesmo de 3, ou 2.

O menininho em questão respondeu à mãe que hoje ele não tem vontade de ser gay. O que ainda é muito cedo para qualquer pessoa, mesmo a própria criança, ter alguma certeza. Mas se por acaso a resposta fosse outra, acredito que ele falaria com a mesma tranquilidade: "Não sei." ou mesmo "Sim". Primeiro pela pouca idade e o não conhecimento exato do que significa. E segundo por sentir acolhimento e confiança na mãe. Ou seja, mesmo que esse menininho venha a ser gay, ele se sentirá aceito e saberá que não precisa ter vergonha da sua condição.
Minha Vida em Cor de Rosa sobre um menino transsexual

E por fim, gostaria de explicar um pouco sobre as diversas possibilidades homossexuais que existem. A sigla hoje para identificar e defender a classe é GLBTT.
G de gay. O que não necessariamente significa ser efeminado. Assim um menino que joga bola, luta judô, ama carrinhos, pode sim um dia se descobrir gay.
L de lésbicas. O que foi dito sobre os meninos também se aplica às meninas. Existem lésbicas que gostam de ter um visual mais masculino, assim como existem aquelas que a feminilidade ultrapassa inclusive as de muitas mulheres hétero.
B de bissexuais. São pessoas que podem sentir atração por qualquer um dos gêneros. 
T de travestis. São homossexuais, ou não, que gostam de se vestir com as roupas do sexo oposto. Mas que são satisfeitos com sua genitália. Estes não procuram cirurgias de mudança de sexo.
T de transsexuais. Estes é que desde a mais tenra infância demonstram um desconforto com o próprio sexo. São meninos presos em corpos de meninas, ou vice-versa. São estes que procuram cirurgias de mudança de sexo, lutam para conseguir mudar os documentos para um nome mais adequado à sua identidade psicológica.

Acredito que muitas mães têm medo que seus filh@s (o @ é usado quando se deseja incluir os dois gêneros em uma palavra só. Na internet) sejam gays, mais com medo do preconceito que eles provavelmente vão vivenciar em diversos momentos da vida, do que propriamente da sua condição em si.

Mas para que nenhuma mãe venha a sofrer vendo @ filh@ ser vítimas de preconceito, cabe a cada uma de nós avaliarmos se no nosso dia a dia deixamos transparecer algum comportamento de cunho homofóbico. 

Dizer: "Eu não tenho preconceito." é fácil...

Cristine Cabral

Caso queira continuar a leitura sugiro os posts:
Sonhos de Mãe onde falo sobre a importância de separarmos o que é desejo nosso e o que é verdadeiramente desejo da criança.
E isso é normal?!?! texto sobre os padrões de "normalidade".

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Vida de Mãe X Vida de Profissional

 Este embate é ferrenho. Já começa no planejamento da gravidez, que vem sendo cada vez mais adiada em função de um melhor momento da vida profissional da mulher. No entanto a luta maior é depois que o bebê nasce. As perguntas se acumulam: "Com quem deixar o bebê? Avó? Babá? Creche?"; "E se eu deixar de trabalhar para cuidar pessoalmente dele?"

A segunda alternativa tem sido bastante comum... pelo menos no meu círculo de conhecimento. Mas não é uma decisão fácil. Se a pessoa já tem um bom desenvolvimento na carreira fica o peso de abrir mão de todo o esforço feito até então. Se ainda é uma profissional em início de carreira tem a dúvida se conseguirá retomar de onde parou estando alguns anos mais velha. Ou ainda abrir mão de absolutamente tudo e começar do zero em outra área que permita uma melhor disponibilidade de tempo. 

O famoso "trabalhar em casa" também não é fácil, pois um bebê não consegue respeitar horários, os imprevistos que podem acontecer vão desde uma frauda suja na hora em que uma cliente em potencial vem buscar um orçamento, ou mesmo um "desastre" como uma jarra de suco entornada em cima do portfólio com direito a um banho açucarado na "quase" cliente. 

Algumas profissões de nível superior permitem alguma flexibilidade como trabalhar como freelancer, ou com atendimentos em domicílio, ou ainda em clínica particular. 

Mas independentemente da escolha, sempre haverá uma perda. Seja da qualidade de vida da mãe que tem que se desdobrar no trabalho fora e a atenção ao filho, seja do poder aquisitivo.

Eu, particularmente, escolhi a segunda opção. Preferi abrir mão do meu poder de compra do que abrir mão da presença da minha filha. No meu post de apresentação Reviravoltas na Psicologia falei sobre como fui pega de surpresa por vários acontecimentos, inclusive a minha demissão logo após o término do período de estabilidade legal. Eu poderia ter voltado ao mercado logo após o fim do Seguro Desemprego, mas optei por atuar na área clínica que é mais instável, com retorno financeiro mais lento, mas que por outro lado me traz uma satisfação pessoal muito maior. Me sinto muito mais feliz recebendo o agradecimento de uma mãe cujo filho melhorou o comportamento após os atendimentos clínicos do que o reconhecimento de ter batido a meta das seleções previstas para o período.

Frequentemente vejo mães pedindo dicas de trabalhos que possibilitem uma maior flexibilidade. No post Mãe Não é tudo igual falo sobre as Âncoras de Carreira que podem nortear algumas escolhas. Outro possível ponto de partida para quem procura uma fonte de renda alternativa é procurar em suas habilidades diárias. Sabe cozinhar bem? Faz melhor doces ou salgados? Ou é boa mesmo com comidinhas caseiras que podem ser congeladas em porções menores? Tem habilidade manual para artesanato? Com tecido? Massas? Pintura? Bordado? Tem tino para vendas? Quais produtos gosta mais de comprar? Cosméticos, confecções, joias e semi-joias? Ou até quem sabe lingerie ousada e artigos de sexy shop? Por que não? Gosta das coisas bem organizadas? Sabia que existe um serviço chamado "Personal Organizer"? Gosta de organizar festas? Casamentos? Infantis? Gosta de ensinar crianças? Gosta de animar crianças?

Olhe a sua volta... todos os objetos e serviços que você vê ou solicita foram criados, produzidos, vendidos por pessoas. Ou as vezes a grande ideia é exatamente o produto ou serviço que gostaria de ter e que até então não encontrou no mercado. Ou que já existe em algum lugar, mas não onde você mora.

Se você trabalha com um produto ou serviço que já faz parte do seu dia-a-dia, que você já gosta a probabilidade de desenvolver um bom trabalho é bem maior. Grandes negócios podem nascer de um movimento assim. O Sebrae comprova que o empreendedorismo feminino vem crescendo na última década. (Fonte: http://www.agenciasebrae.com.br/noticia/20489588/ultimas-noticias/empreendedorismo-feminino-avanca-na-ultima-decada/) O sucesso é consequência de um trabalho bem feito. 

Aproveito para parabenizar todas(os) colegas psicólogas(os) pelo NOSSO dia. Ser psicóloga é uma grande responsabilidade, mas também um grande prazer. Feliz Dia do Psicólogo para todos de todas as áreas de atuação: Escolar e Educacional; Organizacional e do Trabalho; do Trânsito; Jurídica; do Esporte; Clínica; Hospitalar; Psicopedagogia; Psicomotricidade; Social; Neuropsicologia.

Amo ser Psicóloga, amo ser Mãe, amo ser PsicoMãe.

Cristine Cabral