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segunda-feira, 2 de março de 2015

Filho X Grana


Algumas semanas atrás numa conversa com uma amiga ela me fez a seguinte pergunta: Como você pensa em ter outro filho? São muitas despesas! Não dá para ter outro filho não. Eu respondi que no momento que vivo com minha família realmente não pensamos em ter outro filho... agora!
A vinda do primeiro foi super planejada e a do segundo não pode ser diferente. Mas, em breve sim poderemos ter outro filho a partir de alguns ajustes no orçamento, acredito que em cerca de dois anos estamos "encomendando" mais um filho.
Minha amiga continuou surpresa, afirmando que para ela era impossível ter outro filho dado os gastos com o primeiro. Vai e volta acabo tendo essa conversa de dinheiro X filhos com várias pessoas. Elas dizem que são muitas despesas, que tudo é muito caro, que no mundo de hoje só podemos ter um filho, que dá muito trabalho etc.
Nessas horas lembro-me bem de outra amiga minha que sempre desejou muito ser mãe desde o início da adolescência e que me dizia: se as pessoas criam filhos,( isso mesmo no plural) com um salário mínimo eu tenho certeza que eu também consigo.
Bem, então para aqueles que estão lendo e que já passaram ou passam pelas mesmas interrogações de dinheiro X filhos, deixo aqui minha opinião e como opinião que é, você pode jogá-la fora por completa, aproveitar algumas partes, ou ainda tudo, ou seja, faça como quiser.
Sei que muitas famílias criam filhos com um salário mínimo ou um pouco mais, mas realmente não quero isso para mim e meus filhos. Quero poder levá-los a passeios culturais interessantes e enriquecedores, como cinema, teatro, livrarias...Poder viajar com eles e conhecer lugares e culturas novas e diferentes. E sei que com um salário mínimo ou um pouco mais, não conseguiria isso.
Quero que eles tenham acesso a boa educação, a escolas de qualidade, a um bom curso de línguas, ou ainda quem sabe uma escola bilíngue...aí acho que talvez já não dê...Mas, com certeza eles aprenderão pelo menos duas línguas além da sua língua pátria.
Quero poder proporcionar acesso a bons médicos, hospitais, enfim um bom plano de saúde. Uma alimentação balanceada, lazer com atividade física.
Quero que eles tenham acesso a livros, música, e que com tudo isso que falei acima, eles estejam em condições de competir por um lugar nesse mercado de trabalho louco e cruel tão afunilado. Principalmente, quero que sejam conscientes de suas escolhas e que façam algo que lhes dê prazer. Desejo que nunca trabalhem apenas pelo dinheiro ou para ter algo, ou para participar de um determinado grupo, que o trabalho deles tenha um sentido, um propósito de vida para eles, pois assim sei que terão grande chance de serem felizes.
Agora quanto custa tudo isso? Barato não é, mas também tenho certeza que não é preciso ganhar R$ 15.000,00 para conseguir isso.
Principalmente por que muitas dessas coisas que desejo para meus filhos requer tempo, disponibilidade dos pais. E para ganhar acima da média, ou muito acima da média do mercado,você deve investir muitas, e muitas, horas do seu tempo nesse projeto.
A escola de qualidade não necessariamente é a escola mais cara. E não se esqueça que nós pais temos um papel complementar ao da escola. Nossos filhos irão aprender na escola sim, mas também conosco em casa e com uma vida de estímulos e interação social que nós podemos proporcionar a eles. A escola tem que lhe agradar em estrutura física e de pessoal. Para mim enquanto psicóloga, penso ser muito importante a presença desse profissional na escola. A linha pedagógica também é de extrema relevância. A distância da sua casa, afinal você irá fazer esse caminho por muito tempo. Enfim, dá para pesquisar e escolher uma boa escola de valor intermediário. Não precisa ser a mais cara, nem a mais barata.
Os planos de saúde estão pela hora da morte, mas dá para pesquisar e também conseguir um bom plano sem ser o mais caro, ou dá para conseguir pagar o mais caro de repente... Afinal saúde tem que cuidar. E principalmente prevenir e prevenir na maioria das vezes saí bem em conta. Além do que sempre se pode poupar em determinados setores para poder investir em outros.
O mercado oferece inúmeras tentações para quem tem filhos, muitas delas podemos passar sem ou conseguir mais baratas etc.
"Meu filhos só usa fralda tal" pode ser...mas vc já testou outras? Mesma coisa para pomadas e tantas outras coisas que existem inúmeras opções... teste.  Existe um mundo de possibilidades para cada item que a criança usa e com preços inúmeros, também.
A propaganda é linda a maioria das mães que você conhece usa....mas, já se permitiu fazer um verdadeiro teste comparativo entre os produtos, esquecendo-se por um tempo de toda a propaganda vinculada na mídia? Seu filho pode ser um consumidor bem diferente dos demais e preferir outros produtos que não o da maioria. Contudo, você só saberá disso se permitir experimentar opções diferentes.
Será que precisa mesmo de um sapato combinando com cada roupa? Será que a festa de aniversário precisa mesmo ser "aquela" festa de aniversário? Sempre existem opções intermediárias e não é porque é mais barato que não é bom, que não presta.
Existe todo um jogo de mercado que leva a maioria de nós a querer comprar sempre o melhor do melhor, e dar tudo e mais um pouco para aquela pessoinha que nós mais amamos no mundo...Contudo, o melhor do melhor é muito relativo e cada família tem que descobrir o seu.
Acredito que quando deixamos de nos preocupar tanto ou de querer tantas coisas para nossos filhos que nem mesmo sabemos se eles querem, não precisamos trabalhar tantas horas mais, ficar ausente horas mais etc. E com isso conhecemos melhor nossos filhos, contribuímos mais para o seu desenvolvimento e uma família maior com irmãos com certeza faz parte também desse pacote.
É difícil não sucumbir ao encantador mundo do consumo e nem sempre conseguimos,
eu sei! Mas, não devemos parar de tentar de não nos deixar consumir.

Vanessa Nascimento

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Lidando com a morte...

Há mais ou menos 15 dias atrás minha filha havia me perguntado:
- Mãe, como as pessoas vão para o céu?
Pergunta foi despertada pelo fato de um tio-bisavô ter falecido aos 106 anos naquela semana. A minha explicação foi:
- Assim, quando as pessoas morrem a alma vai para o céu e o que fica é o corpo que a gente enterra. A alma é uma coisa que existe dentro da gente, mas que não dá pra ver, nem pra pegar. Deu pra entender?
- Não!
- Bem... é como o amor... ele não fica dentro da gente? Mas a gente não vê, nem pega, mas sente dentro da gente... deu pra entender agora?
- Humrum...

Dias depois dessa conversa que veio a falecer foi o meu pai. E quem teve que lidar com a morte fui eu... E não tem como falar em morte, sem falar em religião. A minha resposta à minha filha, foi a mais simples, a que encontrei que pudesse ser compreendida por quem tem 4 anos e vive em uma família de orientação católica. Mas no meu caso é diferente... sou cética e questionadora. A fé é algo que se tem ou não. Não existe mais ou menos fiel. 

Tive educação católica, estudei em escola de freira, mas muita coisa fica sem resposta, ou a resposta não me satisfaz. Fazendo uma comparação com a parábola do Semeador, eu digo que sou semente que caiu nos espinhos, até brotou, mas não dá frutos. No meu caso os espinhos não são os pecados, mas o que leio, estudo e que faz com que esteja sempre perguntando como? por que? isso é biologicamente possível? foram levados em consideração o contexto socio-econômico para que esta afirmação seja correta? Porém não sou semente que caiu nas pedras, ou que foi comida pelos pássaros, pois estes afirmam com certeza que Deus não existe. Também não tenho essa certeza, pois assim como não há provas que Ele existe, não é possível provar que não existe.

Um amigo escreveu há alguns meses depois de passar pela mesma situação que ele não havia "perdido" o pai, pois ele tem a certeza de que um dia irão se reencontrar. Feliz dele por ter esta certeza... Para mim, são só dúvidas. Mas isso não significa angústia, ou sofrimento. Não ter todas as respostas faz parte da vida...

O que mais me conforta é que independente de quem esteja certo, meu pai está melhor agora do que estava nos últimos meses. Se os espíritas estiverem certos, ele está em um lugar de luz e dentro de algum tempo terá uma nova vida, uma nova oportunidade. Se os evangélicos estiverem certos, ele está aguardando pelo juízo final num lugar onde não há dor nem sofrimento (Se eu estiver falando alguma bobagem, favor me corrijam nos cometários). Até mesmo se os ateus estiverem certos e não houver nada, ele não tem o céu, mas também não tem o desconforto da internação, dos aparelhos e procedimentos, nenhuma dor física, ou emocional... Se os católicos estiverem certos, ele está no céu, cercado daqueles que conheceu e já partiram e isto inclui o meu avô e minha avó (que não cheguei a conhecer nenhum). E esta seria a possibilidade que mais me confortaria...

Minha avó Suzete e meu pai Cabral
Meu pai foi uma pessoa muito admirada e amada, como professor, colega de trabalho, vizinho, esposo, pai, avô... mas tenho certeza que o maior amor que ele teve foi como filho. Até onde eu sei, minha avó sofreu várias perdas de bebês até conseguir ter o meu pai, o único filho, criado cercado de toda a atenção, de todo cuidado. E este filho tão amado, perdeu a mãe muito cedo, não sei ao certo, mas acho que foi algo próximo dos 20 anos... 

Quem tem fé tem certeza, eu tenho esperança... de que agora meu pai esteja nos braços da pessoa que mais o amou e que tiveram tão pouco tempo de convivência, mas que agora têm toda a eternidade para estarem juntos, falarem tudo que não tiveram tempo de falar e ele deve estar falando de cada um que deixou aqui e que ela não conheceu, começando pelos netos... e que eu um dia possa estar lá com eles e finalmente conhecer a minha avó.

Choro enquanto escrevo... mas esta tristeza vai passar daqui a pouco, pois acima da minha tristeza está a certeza de que ele está bem, esteja onde estiver. A tristeza vai passar, mas a lembrança não, nem a saudade. É possível sentir saudade e não sofrer...

E o melhor remédio contra a tristeza é a alegria... Alegria de ver minha filha saudável, assim como as outras pessoas da família, alegria de ter amigos presentes (mesmo que quilômetros, ou mesmo um oceano nos separe), alegria pelos bebês que acabaram de nascer e pelos que estão a caminho. 

Então se você me ver sorrindo não é por falta de amor ao meu pai, é por excesso de amor pela vida (minha e de quem eu amo).

Cristine Cabral

domingo, 26 de janeiro de 2014

"Livre estou, livre estou..."

Desde que assisti à mais recente animação da Disney estou encantada com Frozen. Principalmente com a personagem Elsa. Embora muita gente já tenha assistido, não vou comentar toda a trajetória da personagem, pois eu também não gosto nada de spoiler (detalhes que estragam as surpresas). Por isso vou fazer meus comentários tendo por base a letra da música tema (que só parei de escutar depois que aprendi toda a letra ;-) )

Livre Estou

A neve branca brilhando no chão
Sem pegadas pra seguir
Um reino de isolamento
E a rainha está aqui

Elsa não tem modelos de pessoas próximas a ela que tenham vivido situação semelhante para dizer como agir, o que deve fazer. Quantas pessoas não se enquadram nesse contexto? Mães solteiras, mulheres que resolvem não instituir família, gays, lésbicas e outros...?

A tempestade vem chegando e já não sei
Não consegui conter, bem que eu tentei
Não podem vir, não podem ver
Sempre a boa menina deve ser
Encobrir, não sentir
Nunca saberão
Mas agora vão

Por mais bem guardado que um segredo seja, eventualmente ele vem à tona. Mesmo que a família, os amigos, a "sociedade" diga que a pessoa "tem que ser", ela nunca será de fato, se aquilo não fizer parte da identidade dela. Um dia a máscara cai e com isso vem a tempestade de acusações, julgamentos e condenações.

Livre estou, livre estou
Não posso mais segurar
Livre estou, livre estou
Eu saí pra não voltar
Não me importa o que vão falar
Tempestade vem
O frio não vai mesmo me incomodar

Passado o susto a pessoa consegue perceber as vantagens de assumir ser o que é. O "frio" no olhar de julgamento dos outros não vai incomodar, pois ele sempre esteve presente, mesmo que com o foco desviado para outra "vítima", ou por meio de uma aceitação falsa, pois a pessoa sabe que não merece aquela aprovação por algo que é fingido.

De longe tudo muda
Parece ser bem menor
Os medos que me controlavam
Não vejo ao meu redor
É hora de experimentar
Os meus limites vou testar
A liberdade veio enfim
Pra mim

O medo das consequências aversivas, é sempre muito maior que elas de fato. Só quem já experimentou uma liberdade pós-prisão (física, emocional, ou psicológica) sabe de verdade o que é isso (eu sei)... O tom da música nesse trecho se eleva de tal forma que me elevei junto. Viva a liberdade!

Livre estou, livre estou
Com o céu e o vento andar
Livre estou, livre estou
Não vão me ver chorar
Aqui estou eu
E vou ficar
Tempestade vem
O meu poder envolve o ar e vai ao chão
Da minha alma flui em fractais de gelo em profusão
Um pensamento se transforma em cristais
Não vou me arrepender do que ficou pra trás

Sair da zona de conforto é arriscado, dá medo, mas quando a pessoa realmente vivencia a autenticidade percebe que o que ficou pra trás deixou lições, porém não há porque se arrepender.

Livre estou, livre estou
Com o Sol vou me levantar
Livre estou, livre estou
É tempo de mudar
Aqui estou eu
Vendo a luz brilhar
Tempestade vem
O frio não vai mesmo me incomodar

E sempre é tempo de mudar, gritar aos sete ventos quem você é de fato. 

Estou absolutamente apaixonada. Os autores da Disney sempre atualizam sua visão social dos personagens, não sei até que ponto de forma proposital, ou é apenas um reflexo das mudanças.

A Elsa encontra a felicidade na liberdade, mesmo estando sozinha em um palácio de gelo. Mas um palácio que ela mesma construiu, ela não precisou de fada madrinha, ou príncipe. A força e a magia sempre esteve com ela.

Claro que a tempestade não afeta apenas a pessoa em fase de mudança, a família e as pessoas mais próximas também são afetadas.
(Se você odeia de verdade todo tipo de spoiler, pare de ler agora. heheheh Mas se um cometário superficial não lhe incomoda, continue)
Elsa também teve maturidade suficiente para voltar e tentar minimizar as consequências e só então descobrir que o amor é a resposta para qualquer dificuldade.

Por isso mães (e pais) procurem conhecer de fato os seus filhos, deixem SUAS expectativas e sonhos de lado, para poder enxergar a força e a magia exclusiva de cada indivíduo. A resposta que os pais da Elsa encontraram para o problema foi o isolamento, o medo e a super-proteção. No entanto a chave do problema era o amor e a aceitação incondicional. 

Amem!

Cristine Cabral 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Príncipes e Princesas! Mas o que é mesmo ser um príncipe ou uma princesa???



O post de hoje resolvi fazer diferente. É um texto que escrevi para meu filho recentemente, explicando a ele o porquê de chamá-lo de príncipe. Depois de pronto, considerei uma boa alternativa para partilhar com vocês. É um texto destinado ao Nicolas mas que pode ser muito bem aproveitado por todos! Ele segue abaixo.
Nicolas, hoje a mamãe recebeu um lindo conjunto de macacão que comprou pela internet. Na realidade foram dois conjuntos, mas um deles é mais especial porque eu o escolhi para ser a primeira roupa que você vai usar ao nascer.
Ele é lindo! Branquinho com detalhes em azul e de ursinho. O macacão vem com um agasalho por cima que tem um ursinho com uma linda coroa e no detalhe da perna diz em francês: Eu sou um príncipe!


Isso me fez pensar que muitas mães e pais chamam seus filhos e filhas de príncipes e princesas. Acredito que várias devem ser as razões para isso... como, por exemplo, que toda família é um reino, com o rei e a rainha e que seus filhos são seus príncipes ou a princesas. Outra razão que me parece ser bem comum é considerar o filho ou a filha de uma beleza dignas da realeza segundo o senso comum.
E porque tanta importância, ou questionamentos acerca do que levam os pais a chamarem seus filhos(as) de príncipes (ou princesas)? É algo tão natural, tão comum afinal de contas. Contudo, para mim as palavras e o porque de dizê-las, seu significados e significantes, tem sim muita importância, afinal elas nos constroem em grande medida.


Essas reflexões levaram-me então a pensar nos meus motivos e os de seu pai Nicolas, para chamá-lo de príncipe. Então, filho, aqui vai uma breve explicação do porque para nós você é um príncipe.
Nós acreditamos que um príncipe muito acima de ser belo, deve ser um ser humano bom , que preza pelo bem comum em suas ações, que preocupa-se com o bem estar do outro tanto quanto o seu próprio bem estar. É aquele que não faz ao outro o que não quer que o outro lhe faça. É uma pessoa que possuí respeito e cuidado para com os mais velhos. É um homem educado e gentil para com todos, e que sabe que o mais importante não está na superfície, na aparência das pessoas, mas sim dentro delas, em sua alma e seu caráter. Um príncipe entende que esses valores são muito importantes do que beleza, classe social, cor ou religião.
Um príncipe, para nós seus pais, é um ser humano que busca sempre a justiça, que procura ser honesto e justo em tudo aquilo que faz, simplesmente porque acredita que é o correto a se fazer. Um príncipe não mente! Nem para si mesmo ou para qualquer outro, porque a mentira não pode trazer nada de bom nem justo.
Ele trata as mulheres com gentileza, respeito e amabilidade, porque assim merecem ser tratadas as damas, as princesas e as rainhas que partilham dos mesmos valores de um príncipe como você.
Ao escolher uma mulher para dedicar seu amor a ela,  a respeita, cuida dela, como uma joia rara que foi presente de Deus. Mas, a escolha muito bem! Pois, nem todos são educados para serem verdadeiros príncipes ou princesas. Acredito que eu e seu pai lhe educaremos para que você saiba distinguir as verdadeiras princesas das falsas.
Então, Nicolas, por tudo isso que lhe dissemos você é um príncipe! Porque você será educado para ser um homem que preza pela justiça, que pratica a bondade, que busca em suas ações o que é correto e bom para todos além de si mesmo. Será educado para respeitar e ser gentil com os mais velhos, e com todos. Independente de qualquer critério superficial, porque você aprenderá que o mais importante são os valores que as pessoas carregam dentro de si e que constituem o seu caráter. Você é um príncipe porque será um homem cheio de sabedoria e inteligência e saberá usá-las em seu cotidiano e não apenas em questões teóricas.
Eu e seu pai nos esforçamos para praticar esses valores todos os dias. É verdade que nem sempre conseguimos, pois somos seres humanos falhos, com defeitos, mas sempre nos esforçamos para conseguir ser como um rei e uma rainha devem ser. Esforçar-se para fazer o certo é sempre o mais importante!
Nunca acredite se lhe disserem o contrário! Eu e seu pai somos muito felizes e você é fruto desse amor muito feliz que vivemos nesses mais de 14 anos juntos. Acredite em nós! Príncipe!
Vanessa Nascimento

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Estudante disfuncional, ou genial?


Imagine que tem uma classe com 9 alunos: Elis, Pablo, Ronaldo, Getúlio, Chico, Charles, Jean, Sheldon e J.K.

- Elis está cantando baixinho uma música incompreensível.
- Pablo, ao descuido do professor, está pintando a parede do fundo da sala.
- Ronaldo não para quieto, pois no próximo período tem aula de Educação Física.
- Getúlio está preocupado em montar sua chapa para o grêmio estudantil e não prestou atenção em nenhuma palavra do professor.
- Chico, apesar de muito introspectivo, está sempre conversando baixinho, preocupado com os problemas dos colegas.
- Charles, diariamente, traz um inseto novo para impressionar os rapazes e assustar as meninas.
- Jean está rabiscando coisas absurdas à margem do caderno.
- Sheldon parece distante, enquanto resolve problemas de física na aula que é de geografia.
- J.K. está escrevendo sem parar em pedaços de papel amassado.

Em uma palavra, como definiria essa turma? Que postura você acha que o professor deveria tomar? E se seu filho fosse um deles, que posição tomaria a respeito?

Agora pense de novo:
E se Elis fosse Elis Regina, Pablo fosse Picasso, Ronaldo fosse gaúcho, Getúlio fosse Vargas, Chico fosse Xavier, Charles fosse Darwin, Jean fosse Paul Sartre, Sheldon fosse Cooper e J.K fosse Rowling?

Você estaria frente a uma turma "normal", "adversa", "indisciplinada"? Ou seriam alunos desenvolvendo diferentes tipos de inteligências e, talvez, um dia fossem reconhecidos mundialmente por suas habilidades, cada um em sua área? (Situação copiada do facebook do blog Lendo.org)

Muitas vezes as crianças chegam em nossas clínicas trazidas pelos pais com queixas de serem distraídos, desinteressados,dispersos, ou “hiperativos”. Quando na verdade só são “desconhecidos” para os pais.
Já falei isso em diversas postagens: Conheça seu filho! Saiba do que ele gosta, que habilidades tem, quem são os amigos, que fazem quando estão juntos.

Não quero dizer com isso que a educação formal deva ficar de lado. Não é isso! Não é por que seu filho tem potencial para ser um grande jogador de futebol, que vai tirá-lo da escola para que ele treine mais horas por dia. É uma questão de oportunizar, de organizar o tempo.

Explicando melhor. Lembre-se dos dissabores que tem na sua vida profissional, todas as profissões e posições hierárquicas enfrentam desafios e situações complicadas. Mas quando acontecem situações assim, você tem como lembrar do que te mantém neste trabalho, que recompensa você ganha por fazê-lo bem feito, seja o reconhecimento, seja o sorriso do cliente satisfeito, ou só mesmo o salário no fim do mês. Agora imagine passar por tudo sem vislumbrar nenhuma recompensa, só por que alguém lhe disse que era sua obrigação e que é bom para o seu futuro. Futuro esse que parece longínquo, incerto e chato.
 
Ninguém pensa, sente, ou sonha exatamente da mesma forma que outra pessoa. É preciso respeitar a individualidade de cada ser humano.

Claro que nem todas as crianças e adolescentes se dão mal na escola, estas realmente gostam da atividade de estudar, ou são boas seguidoras de regras, ou vivem sob a pressão de ameaça de punição. Já atendi uma criança (não vou especificar se era menino, ou menina para preservar a questão do sigilo), mas para ela (a criança) tirar um 10,00 tinha como conseqüência pura e simplesmente a sensação de alívio. Agora pense, se um 10,00 é só alívio do tipo: “Ufa! Consegui...” o que será necessário para que sinta real alegria? Quando vai poder se orgulhar?

Voltando à nossa classe de talentos. Se você reconheceu que seu filho tem interesses além do conteúdo formal da escola, oportunize situações e momentos em que possa extravasar, praticar, vivenciar o que realmente gosta de fazer. Isso facilitará muito no hábito da disciplina, a ter paciência de esperar a hora certa de fazer o que se quer fazer, de saber que cumprida a obrigação se tem a certeza da diversão.

Repito: conheça seu filho. A escola pode até ajudar a identificar possíveis talentos suprimidos, mas isso depende muito da qualidade da escola, da sua proposta pedagógica, da quantidade de alunos. Porém para a escola, por mais atenciosa que seja a equipe multidisciplinar de professoras, pedagogas, psicólogas, não é possível ter o olhar individualizado que só os pais podem ter. Mesmo que a criança passe o dia na escola, cada professora só passa 1 ano com uma turma de alunos, por mais atenciosa que seja ela não foi testemunha de desenvolvimento da criança até o momento em que se encontra. E mesmo que fosse possível, não é papel dela.

Todas nós queremos o melhor para os nossos filhos. Fazemos o que achamos que é melhor para o futuro deles. Mas atenção: pense em ajudar a seu filho a ser mais feliz HOJE.

... e seja você também mais feliz hoje. Do amanhã, ninguém sabe...

De uma mãe/psicóloga feliz!!!!

Cristine Cabral

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Vida de Mãe

Sabe quando você quer muito ir para uma festa? Passa dias e dias esperando, sonhando, imaginando, planejando... e quando você está já na calçada tem aquele frio na barriga com a expectativa de que vai ser tudo lindo, super divertido, que vai viver emoções maravilhosas, que vai querer prestar atenção em tudo para poder relembrar de cada detalhe. E então você finalmente está lá. A festa ainda está no começo, ainda tem poucas pessoas, mas a música, decoração, comida... está tudo perfeito e só tende a melhorar.

Isso é a maternidade para mim.

Esperei muitos anos por isso. Ser mãe foi algo que sempre quis. Todas as outras coisas eram secundárias, ou eram só um meio para conseguir o meu objetivo principal.

Lembro de um dia, devia ter uns 13 ou 14 anos e passava na TV uma propaganda de uma loja de artigos para bebês e o locutor falava algo como "tudo que seu filho pode querer". O comentário dos meus irmãos foi: "Não mesmo. Aí não tem nada que eu possa querer"ou coisa parecida. Nesse momento me percebi que a propaganda não mais me afetava no papel de filha, mas já de mãe. E notei que esse era sim o meu maior sonho. Nunca sonhei com grandes casas, carros, viagens, morar fora, status pessoal ou profissional, tudo isso como disse antes, ou era secundário, ou seria meio para conseguir ser mãe, ou uma mãe melhor.

E então aqui estou na minha festa e não tenho pressa nenhuma que ela acabe, nem mesmo que chegue na metade. Nunca fiquei nervosa ou amedrontada com a maternidade. Mesmo crescendo ouvindo que ter filho dá muito trabalho, que exige muito da pessoa. Tinha certeza que era o que eu mais queria. E que daria conta sem sofrimento, sem ansiedade.

Assim sendo as leituras sobre o assunto sempre me interessaram muito, mesmo quando não havia nem expectativa de quando seria a minha vez de ser mãe. Li sobre fecundidade, probabilidades, possíveis dificuldades, sobre como é cada semana de gestação, que mudanças ocorrem semanalmente no corpo da mãe e do feto, sobre que cuidados se deve ter com recém-nascido, que dificuldades podem aparecer para amamentação, etc, etc, etc.

As crianças sempre me fascinaram, lembro que por volta dos 10 anos, não podia ver um bebê que queria pegar no colo. Nunca tive receio de pegar recém-nascidos. Tanto que escolhi uma profissão que me cercasse delas e que pudesse ajudá-las de alguma forma. E acho que esta é uma das minhas missões como psicóloga: ajudar as crianças em suas dificuldades, ajudar às mães a entenderem o que se passa com seus filhos e com elas mesmas, ajudar a melhorar as relações familiares, ajudar a construir um futuro melhor para nossa sociedade, ajudando na formação desses futuros cidadãos. É uma gota no oceano a minha contribuição. Mas sinto que estou fazendo a minha parte (que não é só o que descrevi aqui, é muito, muito mais) na construção de um mundo melhor.

Nem sei bem porque estou escrevendo sobre isso... acho que fiquei sensibilizada com o nascimento da minha sobrinha. Quando o irmão mais velho dela nasceu, foi no mesmo mês em que "cheguei na minha festa" e a dúvida sobre se um dia vou reviver todas essas emoções sempre me deixa um pouco assim... a considerar as possibilidades que a vida pode me trazer.

O que será que o futuro me reserva?

Mas não vou me "pré-ocupar" com isso. Como eu disse no post  2013 será... vou tratar de me ocupar. Ocupar-me em curtir o presente, em aproveitar a minha festa. Cuidar da minha pequena é o meu maior prazer e a minha maior realização.

Cristine Cabral

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Seu filho não é seu!


“Como assim?! Claro que meu filho é meu!!!” Você deve estar pensando. A psicóloga pirou de vez!!! (risos)

O título tem mesmo a intenção de mexer e cutucar com as mãezinhas que nos visitam. Quando digo que ele não é seu, é que quero dizer que ele é DELE!

Claro que enquanto pequenos e sem entendimento dos perigos da vida cabe a nós, mães, resolver o que é o melhor para nossas crias. Mas e quando eles já passam a ter opinião própria? Muitas mães continuam planejando e pensando por seus filhos mesmo depois de que eles estão adultos e com suas próprias famílias. Se ele for do tipo rebelde vai viver em “pé de guerra” com a mãe. Se for obediente, poderá ter muitos problemas no casamento, caso a esposa pense diferente da sogra. Assim sendo, quando mais cedo entendemos que nossos pequenos são pessoas, indivíduos e passamos a tratá-los como tal, mais suave serão as mudanças, os momentos de crise que fazem parte do desenvolvimento (dele e seu).

Continuando o tema da terça-feira passada com relação aos meus sonhos e os sonhos que a Nadine ainda nem tem... se me policio para não colocar nela as MINHAS expectativas o que procuro fazer é criar oportunidades de contato com tudo que possa vir a ser interessante e que está ao alcance. Por exemplo: pretendo colocá-la para fazer natação ano que vem (mais por segurança que por qualquer outro motivo). Pode ser só mais uma diversão, ou quem sabe ela toma gosto? Assim como pode ser que tome gosto por balé, ou judô, ou caratê, ou piano, ou quaaaaaalquer outra coisa que quando estiver maior e souber dizer no que tem interesse.

O importante é ficar atenta à criança e não aos seus sonhos. Estimular é importante, mas também deve ser interessante para a criança, se não pode virar punição. Quando Nadine tinha mais ou menos 1 ano e descia com ela para brincar no pilotis do prédio comecei a ensinar as cores mostrando os carros dos estacionamento, mas ela não se interessou tanto pelas cores, mas mais pelas letras e números das placas. Isso quer dizer que ela tem mais tendencia para ser escritora que ser artista plástica??? Isso significa NADA!!!

Um dos sonhos que me dá mais orgulho é que ela possa vir a ser uma escritora (Meu sonho infantil de carreira frustrado (pelo menos por enquanto)), mas esse sonho é MEU, não DELA.

No entanto os modelos que cercam o mundo da criança podem ser fatores decisivos. Eu gosto muito de ler, de escrever, de trabalhar com gente, já o pai dela trabalha com tecnologia da informação, tem um skate em casa, mesmo que esteja “aposentado” da atividade. Os avós paternos são bastante religiosos e ativos em movimentos de evangelização, a avó materna é extrovertida e gosta de viagens e festas enquanto o avô materno é tímido, sensível e também gosta de escrever. A minha pequena tem um leque bem diferenciado e pretendo ampliá-lo sempre mais e mais.

Cristine Cabral

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Sonhos de Mãe


“Eu não quero nada para a Nadine.” Quando eu digo isso, os julgadores de plantão, ou os que se contentam com poucas informações e emitem opiniões sem maiores aprofundamentos dizem logo: “Que mãe desnaturada, irresponsável!” 

E eu acho graça!!!

Veterinária
Bailarina
Eu não quero nada por que quem tem que querer é ELA!


Quem me conhece no mundo real (além do virtual) e está na minha lista de amigos do facebook tem acesso ao álbum “Que será que, quando crescer, Nadine vai ser?” no qual compartilho diversas fotos dela nas mais variadas situações, que me fazem lembrar alguma profissão ou alguma característica pessoal. Tem fotos dela com dias de nascida e até hoje sempre aparece uma nova situação. Na maioria das vezes em meio às brindeiras, ou observações dela.

Decoradora
 Acho muito divertido sonhar com um mundo de possibilidades que existem e que ela pode escolher. Mas não tenho um sonho preferido. Tipo: “Meu sonho é que ela seja médica, juíza, diplomata, etc, etc, etc. Sonho que ela seja FELIZ. O caminho cabe a ela escolher. E meu papel será estar ao lado para dar todo o auxilio, informação, suporte e tudo mais que estiver ao meu alcance para ajudá-la.

Então se ela quiser ser atleta, dançarina, artista plástica, não direi a ela que “Essas coisas não dão dinheiro.” Direi “Com essas coisas, precisa de mais tempo e mais dedicação até que se consiga ganhar dinheiro.”. Se ela quiser ter uma profissão mais formal estarei sempre disponível para apoiá-la nos momentos em que as coisas ficarem difíceis e ela tiver vontade de desistir do sonho dela... seja lá qual for.

Intelectual
Entendo que se uma pessoa faz algo por amor, certamente vai fazer muito mais bem feito do que quem faz por obrigação (ou só por dinheiro). E se faz bem feito, o reconhecimento é uma questão de tempo (que varia muuuuuuuuuito) e o sucesso profissional será uma consequência natural.

Claro que vou babar até a morte, me inflar de todo orgulho que uma mãe pode ter,  se um dia o reconhecimento que ela venha a receber seja uma medalha olímpica, um Grammy, um Oscar, ou um Nobel (de física, ou literatura, ou da paz). Mas desde que estes sejam apenas uma consequência de um trabalho bem feito e não um fim em si.

Assim como ficarei um tanto desapontada se ela escolher ser uma "Mulher Fruta" do Funk, ou uma Panicat (Assistente de palco de um programa chamado Pânico cujas moças têm como principal atributo exibir-se de biquines minúsculos e se exporem em situações vexatórias.). Mas como disse anteriormente, se essa for a escolha dela e ela acreditar realmente que será feliz, esterei ao lado para apoiá-la depois de conversarmos sobre todas as vantagens, desvantagens, possibilidades e consequências. Pode ter alguém que esteja pensando agora que esta conversa seria para que eu mude a cabeça dela. No entanto já tenho uma certa prática de entender o ponto de vista do outro (a profissão e a vida têm me ensinado isso). Entender não significa concordar, mas apenas respeitar. Por outro lado vou comentar, como me sentirei caso a escolha dela seja algo parecido, mas que isso não muda coisa alguma entre nós.

Ainda não é hora de pensar nisso, como o título diz... tudo isso são Sonhos de Mãe. 

Na próxima terça-feira vou falar de como estou atenta para o desenvolvimento da minha pequena.  Minha palavra de ordem não é estimular e sim oportunizar. 

Não perca!!! (risos)

Cristine Cabral