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sábado, 9 de agosto de 2014

Feliz Aniversário MAMÃE!!!!!!

Eu e ela em algum momento de 1976
Hoje é o aniversário da minha mãe e a melhor forma que encontrei de homenageá-la foi fazendo este post.

O que falar da nossa relação? Que tem altos e baixos? Sempre! Momentos mais próximos ou mais distantes? Sim. Assim como qualquer outro tipo de relação.

Eu já fiz raiva. Ela a mim. E quem nunca fez raiva a alguém?
Eu já a decepcionei. Ela a mim. E quem nunca decepcionou alguém?
Eu já a deixei triste. Ela a mim. E quem nunca deixou alguém triste?
Eu já a fiz muito feliz. Ela a mim. E quem nunca deu felicidade a alguém?
Eu já a deixei orgulhosa. Ela a mim. E quem nunca se orgulhou de alguém?

É assim! E quanto mais próxima, mais longa, mais conturbada pode ser a relação. Principalmente somada aos famosos conflitos de geração, diferenças de valores pessoais e personalidades marcantes e difíceis.

Eventualmente temos nossos desacordos e quando isso acontece nos recolhemos. Digerimos, ou ruminamos (depende da gravidade da situação) o que quer que seja e com algum tempo (maior ou menor de acordo com o que seja) voltamos ao normal. Sem DR (discutir a relação). Sem pingos nos “i’s” ou cortes nos “t’s”. 

Simples assim. Dessa forma resolvemos nossos conflitos. Em silêncio. (Depois que me tornei adulta, quando eu era criança minha mãe gritava um bocado, assim como boa parte das mães que cuidam das crianças, da casa, trabalham, etc.)

NÃO é a MELHOR forma, nem a forma CORRETA. É só a NOSSA forma. Funciona! E ponto final.

Sem DR, pois no fundo sabemos que não podemos mudar uma à outra (embora por muitos anos ela tenha tentado mudar várias coisas em mim. Mas isso é papel de mãe: tentar moldar os filhos àquilo que é considerado por ela o melhor).

Aceitamo-nos com cada um de nossos defeitos e os toleramos, pois sabemos que não podemos viver uma sem a outra.

Eu e ela em algum momento de 1976
Embora eu saiba que um dia teremos que nos separar definitivamente. Não há por que negar a realidade. (Como não pensar nisso, já que amanhã é o primeiro Dia dos Pais, sem meu pai?) Vivo na esperança que este dia demore bastante. Que só venha quando ela já for tataravó dos meus bisnetos. E que eu não vá antes dela. Não por egoísmo de achar que minha vida vale mais que a dela, mas para que ela não sofra a dor de me perder, já que nenhuma mãe jamais deveria passar pela dor de perder um filho.

A vida já levou meu pai, mas eu ainda tenho minha mãe. Foi ela que me alimentou, que cuidou de mim doente, que ensinou-me a caminhar com minhas próprias pernas (no sentido denotativo e conotativo), que me levou às festas (não só ir deixar e buscar, mas estar lá), quem eu podia chamar a qualquer hora do dia ou da noite, por qualquer imprevisto e tantas coisas mais...

Digo e repito: “Todo erro de mãe deve ser perdoado. Pois se mãe erra é tentando acertar.” (Abro este parêntese para deixar claro que aquelas que abandonam, ou agridem violentamente não têm o direito de receber este nome “MÃE”)

Eu e ela em algum momento de 2014
Certamente cometerei os meus erros como mãe, já que sou imperfeita como qualquer outro ser humano. E a minha relação com minha filha não terá a mesma forma, mas será igualmente cúmplice.

Vinícius de Moraes dizia “O perdão também cansa de perdoar.” Mas uma mãe nunca cansa de perdoar. E os filhos, cansam? Eu, não!

Imagino que depois de ler isso, possivelmente depois de algumas lágrimas, ela não vá comentar, a não ser por escrito (pois pode esconder o choro  (se vier) atrás da tela do computador), já que tenho uma mãe de emoções (todas!) à flor da pele e de intensidade homéricas. Então não precisa dizer... eu sei! 

Feliz aniversário e muitos, muitos, muitos anos de vida! Amo-te! 


Cristine Cabral

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Lidando com a morte...

Há mais ou menos 15 dias atrás minha filha havia me perguntado:
- Mãe, como as pessoas vão para o céu?
Pergunta foi despertada pelo fato de um tio-bisavô ter falecido aos 106 anos naquela semana. A minha explicação foi:
- Assim, quando as pessoas morrem a alma vai para o céu e o que fica é o corpo que a gente enterra. A alma é uma coisa que existe dentro da gente, mas que não dá pra ver, nem pra pegar. Deu pra entender?
- Não!
- Bem... é como o amor... ele não fica dentro da gente? Mas a gente não vê, nem pega, mas sente dentro da gente... deu pra entender agora?
- Humrum...

Dias depois dessa conversa que veio a falecer foi o meu pai. E quem teve que lidar com a morte fui eu... E não tem como falar em morte, sem falar em religião. A minha resposta à minha filha, foi a mais simples, a que encontrei que pudesse ser compreendida por quem tem 4 anos e vive em uma família de orientação católica. Mas no meu caso é diferente... sou cética e questionadora. A fé é algo que se tem ou não. Não existe mais ou menos fiel. 

Tive educação católica, estudei em escola de freira, mas muita coisa fica sem resposta, ou a resposta não me satisfaz. Fazendo uma comparação com a parábola do Semeador, eu digo que sou semente que caiu nos espinhos, até brotou, mas não dá frutos. No meu caso os espinhos não são os pecados, mas o que leio, estudo e que faz com que esteja sempre perguntando como? por que? isso é biologicamente possível? foram levados em consideração o contexto socio-econômico para que esta afirmação seja correta? Porém não sou semente que caiu nas pedras, ou que foi comida pelos pássaros, pois estes afirmam com certeza que Deus não existe. Também não tenho essa certeza, pois assim como não há provas que Ele existe, não é possível provar que não existe.

Um amigo escreveu há alguns meses depois de passar pela mesma situação que ele não havia "perdido" o pai, pois ele tem a certeza de que um dia irão se reencontrar. Feliz dele por ter esta certeza... Para mim, são só dúvidas. Mas isso não significa angústia, ou sofrimento. Não ter todas as respostas faz parte da vida...

O que mais me conforta é que independente de quem esteja certo, meu pai está melhor agora do que estava nos últimos meses. Se os espíritas estiverem certos, ele está em um lugar de luz e dentro de algum tempo terá uma nova vida, uma nova oportunidade. Se os evangélicos estiverem certos, ele está aguardando pelo juízo final num lugar onde não há dor nem sofrimento (Se eu estiver falando alguma bobagem, favor me corrijam nos cometários). Até mesmo se os ateus estiverem certos e não houver nada, ele não tem o céu, mas também não tem o desconforto da internação, dos aparelhos e procedimentos, nenhuma dor física, ou emocional... Se os católicos estiverem certos, ele está no céu, cercado daqueles que conheceu e já partiram e isto inclui o meu avô e minha avó (que não cheguei a conhecer nenhum). E esta seria a possibilidade que mais me confortaria...

Minha avó Suzete e meu pai Cabral
Meu pai foi uma pessoa muito admirada e amada, como professor, colega de trabalho, vizinho, esposo, pai, avô... mas tenho certeza que o maior amor que ele teve foi como filho. Até onde eu sei, minha avó sofreu várias perdas de bebês até conseguir ter o meu pai, o único filho, criado cercado de toda a atenção, de todo cuidado. E este filho tão amado, perdeu a mãe muito cedo, não sei ao certo, mas acho que foi algo próximo dos 20 anos... 

Quem tem fé tem certeza, eu tenho esperança... de que agora meu pai esteja nos braços da pessoa que mais o amou e que tiveram tão pouco tempo de convivência, mas que agora têm toda a eternidade para estarem juntos, falarem tudo que não tiveram tempo de falar e ele deve estar falando de cada um que deixou aqui e que ela não conheceu, começando pelos netos... e que eu um dia possa estar lá com eles e finalmente conhecer a minha avó.

Choro enquanto escrevo... mas esta tristeza vai passar daqui a pouco, pois acima da minha tristeza está a certeza de que ele está bem, esteja onde estiver. A tristeza vai passar, mas a lembrança não, nem a saudade. É possível sentir saudade e não sofrer...

E o melhor remédio contra a tristeza é a alegria... Alegria de ver minha filha saudável, assim como as outras pessoas da família, alegria de ter amigos presentes (mesmo que quilômetros, ou mesmo um oceano nos separe), alegria pelos bebês que acabaram de nascer e pelos que estão a caminho. 

Então se você me ver sorrindo não é por falta de amor ao meu pai, é por excesso de amor pela vida (minha e de quem eu amo).

Cristine Cabral

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Choro

Estivemos off line devido a algumas questões pessoais, além do mês de férias ser complicado para nos dedicarmos às atividades extras.

Mas estamos de volta e hoje responderei a uma dúvida que recebemos de uma de nossas leitoras:

"Boa tarde novamente peço um matéria sobre como educar uma criança de 1ano de 10 meses que 
 chora muito para conseguir o que quer? Como fazê-lo gostar de ler?...na realidade são duas sugestões."

Bom, esta questão do choro é bem polêmica, pois muitas pessoas acham desumano deixar um bebê chorando sem receber atenção. Mas vamos analisar por partes...
 
Primeiro,  é necessário que a mãe aprenda a diferenciar cada tipo de choro, tem o de tristeza, de medo, de raiva, o de birra... este último é o que deve ser ignorado. Os demais devem receber atenção, cuidado e orientação. Exemplo: a criança está brincando com seu brinquedo preferido que por algum motivo é quebrado. Natural que o choro venha e neste caso que seja de tristeza, pois é uma perda. O que não deixa de ser uma experiência importante, pois nossas vidas são cheias de perdas e quanto antes estamos preparados para lidar com as mais variadas possibilidades, mais fácil (ou pelo menos, menos difícil) a pessoa se recompor. Isto se chama resiliência, termo muito usado hoje em dia nas empresas quando traçam perfis de profissionais desejados.

Depois de identificado o tipo de choro e a razão do mesmo cabe a explicação e orientação de como a criança deve se comportar. É muito importante aprender a nomear o que se sente... o grande problema é que a maioria dos adultos não sabem nomear nem o que eles mesmos sentem e usam palavras genéricas, por exemplo quando a pessoa diz que está nervosa pode ser que esteja com raiva, ou cansada física e/ou emocionalmente, ou ansiosa, ou com medo... Complicado não é?! No post Olhando para dentro fala um pouco mais sobre o assunto.

Importante: não subestime! Já escrevi sobre esta questão em abril no post Não subestime. Acredite que seu filho é capaz de compreender o que você diz. Desde que tenha a postura adequada. Fique da altura da criança, olhe nos olhos, segure suas mãos para que ela tenha toda a concentração no que você está dizendo. As palavras devem ser simples e as frases curtas. "Você não pode fazer isso.", "Você está triste por que seu brinquedo quebrou. Vou te dar colo, abraço e beijos que ajuda a passar.", "Você pode sim ficar não raiva, mas não pode quebrar nada, nem bater por isso." 

E chegamos ao o choro de birra, que é o choro manipulador. Uma criança pequena, princialmente as que ainda não falam só tem como recurso o choro e aprendem como usá-lo e mais importante com quem usá-lo. Este é o que deve ser ignorado. Dá muito trabalho e exige força de vontade. Mas uma vez iniciado o processo para extinguir esse tipo de manipulação é importante manter-se firme, pois se acabar cedendo o efeito vai ser contrário. A criança vai chorar mais forte e por mais tempo. É como se estivesse dizendo "Chorar por dez minutos não resolve mais, tem que chorar agora é por meia hora."

Este processo é muito complicado e se torna mais difícil quando há diferenças de opiniões entre os adultos, pois aparecem os boicotes, as desautorizações e as críticas, muitas vezes na frente da criança que vai saber exatamente para que colo correr quando quiser obter o que deseja. Importante o diálogo entre os adultos envolvidos sejam pais, avós, padrastos, tios, etc. No post Ouwnnn... o bichinho tem alguns argumentos para aquelas mães que lidam com "adversários" dentro de casa.

Resumindo o choro de birra deve ser ignorado, até que a criança aprenda a forma adequada de conseguir o que quer. Importante dar atenção e o devido reconhecimento quando a criança se comportar bem, pedir por favor. 

Educação Emocional exige muito, muitas vezes o coração de mãe fica estraçalhado de ver seu filho triste, ou com saudades. Mas o resultado é para toda a vida e para todos os tipos de interação social. 

O choro que JAMAIS deve ser ignorado é o de medo. Todas as crianças, independente da idade, precisam se sentirem seguras. Os medos devem sim ser enfrentados, mas não de qualquer jeito, sem um cuidado especial.

Cristine Cabral

P.S. Não esqueci da questão sobre a leitura, na próxima semana falarei só sobre isto.




terça-feira, 23 de abril de 2013

"Na sua idade eu..."

Começar qualquer frase com essas palavras dirigidas a um pré-adolescente, ou a um adolescente é certeza de nada será ouvido.

Primeiro que o mundo no qual você viveu sua adolescência é totalmente diferente do mundo em que seu filho adolescente vive. E ele tem plena noção disso. No "seu tempo" não se tinha tanto acesso a internet, as ruas não eram tão perigosas, etc. Não dá para comparar. Simples assim!

Outra coisa é que a grande maioria dos adolescentes não querem ser iguais aos pais. "Não quero ser igual a você nem hoje em dia, imagine quando você tinha a minha idade... dãããã!" Alguma coisa parecida com isso é que pode ficar passando na cabeça deles enquanto você desfia um rosário de todas as coisas que fazia na idade dele. 

Isso acontece por que na adolescência os pais perdem o posto de heróis. Deixam de ser a referência. Este posto é ocupado pelo grupo dos iguais. A opinião dos amigos passa a ser mais importante. Isso é uma característica da fase. Para alguns com mais intensidade, para outro passa quase despercebido.

Outras características são: 
  • Busca do prazer imediato. Tudo tem que ser para aqui e agora, instantâneo. Não à toa o uso de drogas (incluindo o álcool, que é legalizado) nessa fase ser tão comum hoje em dia.
  • Sensação de invencibilidade. Pouca consciência dos riscos à que estão expostos. Até que na teoria sabem que os riscos existem, pois informação não falta hoje em dia, mas a sensação é que vai dar tudo certo. "Só dessa vez não faz mal". Daí os casos de gravidez na adolescência, dentre outras coisas.
Resolvi falar sobre isso, levada pelas opiniões que ando lendo a respeito da redução da maioridade penal. A qual sou contra.

Primeiro ponto: se a ameaça de ir para cadeia fosse suficiente para evitar que alguém fizesse alguma coisa, os adultos não cometeriam tantos crimes e infrações. Visto que (teoricamente) depois da adolescência se tem mais noção das consequências para si, para o outro e para a sociedade.

Segundo: estão pensando só nos garotos pobres que cometem crimes de morte. Mas se eles forem considerados maior de idade com 16 anos, todos os outros vão ser também. Você quer sua filha de 16 anos tendo livre acesso a qualquer motel da cidade? Quer ser filho de 16 anos podendo comprar bebida alcoólica em qualquer ponto comercial?

Eu não gostaria de ver o trânsito cheio de motoristas (mais ainda) inconsequentes e impacientes.

Sem falar em questões mais complexas: como vai ficar o mercado de trabalho? Eles serão absorvidos como profissionais e não mais como aprendizes ou estagiários como a atual lei determina? Se um garoto de 16 anos tiver relação sexual com a namorada de 14 anos, poderá ser acusado de pedofilia? O sistema carcerário vai dar conta de prender todos? Incluindo os que difamarem professores ou colegas (Crime contra honra), os que brigarem em festas ou na saída das escola acusados de lesão corporal (Crime contra a pessoa)?

A redução da maioridade penal parece uma "solução mágica". Mas é só mágica mesmo. Para resolver a questão da violência é algo que vai muito além do que só "mandar prender". É preciso uma mudança em toda as instituições, inclusive na família. Pois com essa cultura do consumo, muitos adolescentes de classe média, ou mesmo alta, andam cometendo crimes virtuais, ou reais, com ou sem violência. E crime é crime, (pelo menos na teoria) todos que cometem crimes devem ser punidos de acordo com a gravidade do que cometeu. Muitos jovens são levados por esse desejo constante de ter sempre mais, o mais caro, o da moda, o que  todos os amigos já tem, ou que ainda ninguém tem e ele quer ser o primeiro a ter... e tem que ser agora!!!!

Valores vêm de casa. Que valores você está passando para sua criança que em alguns anos será um adolescente? E você já tem um ou mais adolescente em casa, consegue saber o que é importante para ele(s), do que gostam, com quem andam, etc?

"O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele."
I. Kant

Cristine Cabral

Caso queira continuar lendo sobre punição e por que nem sempre funciona sugiro os posts:

segunda-feira, 18 de março de 2013

Filho do Coração

Uma de nossas leitoras sugeriu que falássemos sobre adoção. E fez algumas questões, mas antes de responder especificamente, preferi falar um pouco para as pessoas que ainda estão pensando sobre o assunto. Na próxima semana falo sobre outras questões relacionadas ao assunto.

Primeiro gostaria de dizer que acho o gesto de adotar uma criança um ato nobre, mas que por isso deve ser tomado com muita cautela. Antes de dar entrada nos papeis para realizar uma adoção nos conformes da lei é essencial que saiba responder a seguinte questão: Por que você quer adotar?

Cuidado se a resposta for parecida com qualquer uma das seguintes:
- Para finalmente me sentir feliz.
- Para ter uma pessoa que sempre estará do meu lado.
- Para poder ter um filho e não "estragar" meu corpo.
- Por que toda mulher tem que ser mãe.


Não vou discorrer sobre cada uma, mas alerto que as duas primeiras podem ser referir também aos filhos "paridos". Ninguém merece nascer tendo como "carga" a função de fazer uma outra pessoa feliz. Não devemos atrelar a nossa felicidade a nada exterior a nos mesmas, nem filho, nem trabalho, nem cônjuge. Seja feliz com você mesma, depois você pode somar, dividir, multiplicar essa felicidade a de outras pessoas.


Outro alerta. Não pense na "maldição do sangue". Quando os filhos apresentam mau comportamento é comum ouvir mães dizerem: "Ele puxou isso do pai." E no caso dos adotados a "culpa" vai para o sangue. Certa vez assistir um realit show de educação infantil que um menino de 4 anos cresceu ouvindo que ele "tinha sangue ruim", ao ponto de ver na tv algo sobre transfusão de sangue e foi pedir para a mãe: "Vamos lá, mãe. Nesse lugar você vai poder trocar o meu sangue e vou ficar um menino bom." Fiquei de coração partido.

Não nego que existam predisposições genéticas, mas estas só se manifestam se encontram ambiente propício para isso.

Os comportamentos das crianças são reflexo da educação que recebem. Alguns obedecem regras e limites mais facilmente do que outras, mas cabe aos pais ter paciência e amor suficiente para impor limites, transmitir valores e ter comportamento adequado que seja uma boa referência. Sejam pais biológicos, ou adotados.

Cuidado com muitas expectativas. Toda criança é um ser único, que tem sua própria personalidade, tem o direto de escolher seu próprio caminho, não tem a obrigação de seguir o caminho que os pais traçaram, seja qual for a forma em que passou a pertencer a família. Uma mãe que gesta um filho, não tem como escolher a cor dos cabelos, dos olhos, da pele, com quem vai parecer e ela o ama seja como for, inclusive se tiver alguma deficiência física ou mental. Abra seu coração e, se for o caso, não vá "escolher" seu filho, permita-se ser escolhida. 

Agora se você concordou com tudo que disse, se sente madura e preparada para ser mãe, se tem amor e felicidade suficiente para você e uma (ou mais) pessoas... se chegou nesse ponto do texto pensando "ai como eu queria ser mãe, pena que não tenho dinheiro suficiente para isso." Peço que repense. Lembre-se que dar um lar a uma criança que não tem e dar tudo o que nem todo o dinheiro do mundo pode comprar: amor de mãe. Claro que dificuldades financeiras sempre complicam, mas se souber educar bem a sua criança, esta saberá reconhecer que mesmo que o material falte alguma coisa o lado sentimental, emocional, psicológico, social compensará e valerá mais do que uma vida em uma instituição, na qual mesmo que tenha sido muito feliz lá, aos 18 anos o vínculo é necessariamente quebrado.

Se for algo que pretende considerar, pense, pense muito e quando tiver certeza, pense mais uma vez. Pois imagine como se sente uma criança que é devolvida. Como é ser rejeitada mais de uma vez... 

Cristine Cabral

sexta-feira, 1 de março de 2013

Eu quero a minha Mãeeeeee!!!

A semana passada foi daquelas! Na terça a Eduarda começou com uma crise de tosse antes do jantar e só parou depois de vomitar várias vezes. Como tenho muita alergia respiratória e quase sempre estou "fungando" no início achei que teria sido algo diferente que passou aqui por casa...talvez o gato, alguma roupa de lã, o frio... O chato é que a tosse e o mal estar continuou durante a madrugada, ela começou a ficar ofegante, com dificuldades para falar de tanto tossir e com muita expectoração.
Bem, como ela tinha passado por duas crises nas semanas anteriores não foi difícil chegar a conclusão de que tudo isso era resultados de gripes mal curadas... O frio daqui não ajuda nada, muitas mudanças de tempo...
A noite foi longa e logo quando acordamos resolvi levá-la a urgência infantil. Com doença não e brinca. Realmente ela tinha muita expectoração (peito cheio) e foi logo fazer inalação. Examinaram novamente acharam que ainda tinha algo nos pulmões e ela foi encaminhada para o Raio X. Eu sou calma, mas nessas horas bate sempre a insegurança, medo, receio, fraqueza.. enfim.. uma mistura de emoções. Após o Raio X ela foi novamente encaminhada para fazer novamente inalação. Entretanto em urgência vão sempre chegando mais crianças. É definitivamente um ambiente desagradável, ver crianças em sofrimento é muito difícil.  Sinto imenso e sofro junto com as crianças e os pais. Uma mãe estava a chorar porque o filho tinha que ficar internado, que dó! Tentei consolá-la...mas é difícil...sou mãe entendo perfeitamente.
Tenho colegas que trabalham com Psicologia Hospitalar e admiro muito o trabalho feito na área. Como Psicóloga e ser humano este é um limite pessoal. Ainda bem que existem pessoas com esta força!
Depois de passar quase o dia inteiro no hospital a Eduarda foi novamente examinada e liberada para ir para casa. Ufa.... mesmo assim eu e meu marido resolvemos não levá-la a creche por uma semana. Para ela poder se recuperar e diminuir a possibilidade de uma recaída. Rotina diária completamente alterada.
Acontece que eu também não estava bem de saúde, minhas crises de rinite e laringite e "ites" e "ites" fazem de mim uma pessoa constantemente "gripada". Meu marido também ficou, por isso a semana foi PESADA. Noites mal dormidas...preocupações... A casa ficou de cabeça para baixo e as prioridades deixaram de ser prioridades. Na realidade a "única" prioridade era ter a minha filha bem de saúde.
Mesmo com trinta e cinco anos nessas horas bate um desespero e só penso: " EU QUERO A MINHA MÃE!!!". Como seria tudo mais fácil com ela por perto. Seu apoio, força, dedicação e amor... Depois penso como tenho sorte de ter a minha MÃE, porque nem sempre ter mãe significa ter MÃE, correto? Mesmo do outro lado do Atlântico só em pensar nela já me sinto mais confortável, minha mãe é tão maravilhosa, tão forte e presente que as forças não demoram por voltar! Ufa! Um exemplo de mulher, mãe e amiga... dona Irene, gente boa! (risos). Espero poder transmitir esse sentimento a minha filha, de amor aos Pais... a importância do vínculo familiar, pois família é um bem precioso. E também tenho que citar o papai para ele não ficar com ciúmes, não é sr Alcides? Outro amor de pessoa...e um vovô camarada.

Morar longe, ou seja, do outro lado do Atlântico da nisso. Somos só nós os três, viva! E antes de ser psicóloga sou um pessoa mais que comum...também sofro, sinto medo... essas coisas de gente "normal"... (risos). Sem falar em saudades...

O importante é que passamos por mais uma batalha. Mais fortes? Talvez...ver um filho doente destrói qualquer coração, haja força para os pais!

Saúde para todos!

Saudações de terras lusas...

Taciana Ferreira