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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Mal entendido, ou Mau entendido?

Não, não vou escrever sobe regras gramaticais não. Vou falar sobre como confusões acontecem por motivos banais.

Faço parte de um grupo virtual que conta com mais de dez mil membros. E sabe como é... onde tem muita gente, as opiniões são diferentes e sempre tem algum "bate-boca". É mais ou menos assim:
Alguém vem e pergunta:

- Azul é bonito?
E as respostas vão surgindo:
- Sim, é lindo.
- Todos os tons são lindos.
Até que aparece alguém:
- Eu gosto mais de verde, é a cor da natureza, é a cor da vida.
- Mas azul é a cor do céu é a cor da tranquilidade...
O que poderia ser visto como simples opinião particular passa a ser visto como uma "indireta".
- Quer dizer que por eu gostar de verde não posso ser uma pessoa tranquila?
E como o tom já passa alguma ideia de rispidez, a outra rebate:
- Não foi isso que eu quis dizer, mas pela sua resposta já dá para saber que você não é lá tão tranquila assim.
E está montado o "barraco":
- Olhe, você nem me conhece para saber se eu sou ou não tranquila, o que eu sou ou deixo de ser. Isso é muito é falta de louça na sua pia... blá blá blá.

Infantil, não?! Agora acredite, ou não, isto tem se tornado rotina... os assuntos são dos mais importantes como amamentação, parto, creche, aos mais banais, se a pessoa escreveu corretamente, se se expôs demais, etc, etc, etc.

Mas isso não é "privilégio" deste grupo. O mundo virtual está cheio de coisas assim e que acabam invadindo o mundo real. Por exemplo: Tem gente que não pode ler um "Tem gente que..." que já se sente provocado, como se todo comentário de uma determinada pessoa fosse uma indireta e se ofende, vai tomar satisfações, ou se afasta... triste, não?!

Quando pensei no título desse post foi lembrando das várias situações que surgiram por MAL entendido mesmo. As vezes é uma questão de escrita. Uma vírgula esquecida pode mudar todo o contexto do que se queria dizer. Outras vezes é uma questão de inabilidade de quem está escrevendo. A pessoa pensa A, escreve B e quem leu, entendeu C, pensou D e escreveu E... confuso, não?!

Mas acontece também a questão do MAU entendido. Em vez de ver o lado bom do comentário, ou pensar que pode ter interpretado diferente, ou mesmo que a pessoa não se expressou bem, ou ainda que, mesmo que seja uma indireta, que não necessariamente é para você, já que não é a única pessoa que irá ler aquilo. Ou seja, usar de bondade. Se ficar difícil, uma "cegueira seletiva" pode ajudar a evitar atritos desnecessários e muitas vezes com pessoas que nunca viu (nem vai ver) na vida.

E mais importante de tudo é o RESPEITO. Respeito às diferenças: de opiniões, de estilo de vida, de gostos, de filosofia, de religião, de time de futebol... seja lá do que for. Principalmente se a questão é de gosto. Se uma gosta de rapadura e a outra prefere petit gateau. Ok. São gostos diferentes e ponto final. Ninguém é melhor, nem pior que ninguém. Todos somos seres humanos e devemos ser tratados como tal. 

Seria bom que a geração da minha filha crescesse num mundo onde o respeito fosse prioridade. Mas como conseguir um mundo melhor, se tem pais que não dão o exemplo? 

Cristine Cabral

No post de Janeiro "Mãe NÃO é tudo igual." falo um pouco mais sobre maternidade e diferenças.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Amor à leitura

Como prometido na semana passada, no post O Choro, hoje responderei a segunda pergunta da nossa leitora quanto a desenvolver o interesse pela leitura. 


Particularmente, tenho verdadeira paixão pelos livros. É o que me dá mais prazer, desde a compra, seja na loja física, ou virtual, seja na apreciação da capa, a textura do papel, o cheiro de livro novo (ou velho), e até mesmo as novas tecnologias que permitem levar mais livros com menos esforço. Reler, a mesma história em outro momento da vida... tudo é muito bom!!!

No meu caso, este amor veio do fato de eu ter sido uma criança extremamente tímida. Não sabia fazer amigos na escola, não convivia com primos, não morava em prédio, não podia brincar na rua, não me interessava pelas brincadeiras dos meus irmãos (meninos e mais novos). Mas minha infância não foi triste por isso... tinha minhas bonecas (das quais não consigo me desfazer até hoje em dia) e os livros. Meus recreios eram na biblioteca, antes dos 12 anos já havia lido (alguns mais de uma vez) clássicos da literatura como "Os três mosqueteiros", "Dom Quixote", "Robson Crusoé", etc.
Pequena biblioteca da minha pequena

Por que é interessante, mais que isso, é importante o gosto pela leitura? 
  • Desenvolve a criatividade
  • Aumenta o vocabulário
  • Facilita a compreensão de textos 
  • É um lazer de ótima qualidade
  • É barato (algumas pessoas podem questionar o "barato", mas comparo valor gasto em um livro com o valor pago por alguns minutos em um "play" de shopping, ou uma sessão de cinema (o que também é muito bom, mas só dura 2 horas). A duração e o benefício do livro é superior.
  • É seguro. Não corre o risco de machucar, nem precisa sair de casa...
São infinitas as vantagens.

Mas COMO fazer isso? 

No caso da nossa leitora, ela mencionou a idade de 1 ano e 10 meses. Nessa idade, ou até mais cedo, o livro deve ser mais um brinquedo, crianças pequenas não têm paciência ainda de ouvir histórias, mas podem se interessar pelas figuras e vão se interessar mais ainda se a mãe (ou o pai, ou alguém que já saiba ler) mostrar as figuras, falar sobre o que representa, imitar a voz do personagem, etc. Ou seja, a leitura é mais uma coisa divertida. Hoje em dia é fácil encontrar livros de borracha, pano, E.V.A. que são materiais adequados para os menores de 3 anos. A partir dos 3 anos os livros de capa dura já são indicados.

Dia das Crianças 2012
Reserve na rotina da criança a hora da leitura. Para os mais novos, o mais adequado é que esta hora faça parte do ritual do sono... jantar, banho, escovar os dentes, cama, hora da leitura, beijinho de boa noite e sono. Para os mais velhos, que já sabem ler, pode ser antes ou depois das tarefas de casa. Depende da rotina da casa. 

Dê livros de presente. Não só para as crianças. São meus presentes preferidos (além dos chocolates (risos)).

Dê o exemplo. Uma criança não vai ter interesse nos livros se só vê a mãe assistindo novela, o pai futebol e o irmão mais velho no vídeo-game.

Lembrando que mesmo que a criança goste muito de livros, estes não podem ser a única atividade. Crianças precisam correr, brincar, conversar e se não tiver outras crianças em casa, cabe aos adultos reservarem um tempo para as demais atividades que também são de extrema importância no desenvolvimento infantil.

Cristine Cabral

terça-feira, 25 de junho de 2013

Sala de espera

Ontem levei a minha pequena à pediatra que atrasou os atendimentos, somado a isso cheguei mais cedo do que a hora marcada, assim ficamos um certo tempo na sala de espera. Enquanto não entrava fiquei observando o comportamento das outras crianças e seus pais.

Quando chegamos só havia uma menina na sala, mais ou menos 1 ano e meio, brincava com um puff sozinha enquanto pai e mãe tinham os olhos grudados em seus respectivos celulares. Depois de um tempo o pai guardou o dele e sempre que a mãe tentava ver algo ele punha o dedo no celular dela. Até que ela deu um tapinha no ombro dele enquanto dizia "Para abestado!"

Em seguida chegou um menino, mais ou menos da mesma idade. Uma criança muito simpática que sorria para todos e logo se aproximou da menininha começaram a interagir sempre sob os olhos atentos da mãe dele. Brincaram um tempo e ele começou a jogar umas pecinhas de madeira, a mãe logo tomou a atitude de dizer que não era assim que brincava e o levou para o outro lado da sala onde não havia brinquedos.

Pouco antes da menininha entrar no consultório chegou outra mãe com um casal de filhos, acompanhada de outra pessoa (avó das crianças, tia, ou só uma amiga mesmo) a menina devia ter entre cinco e seis anos e o menino não mais que um. A menina sentou-se e ficou quieta com as coisas que havia em cima da mesa, enquanto o pequeno brincava com os outros dois menores. Dentre as distrações que havia para as crianças, tinha um bloco de desenhos para colorir, a mãe do casal contou algumas folhas, destacou e pôs em baixo da bolsa. Achei muito interessante quando a menina viu e disse "Mamy, isto é para as outras crianças. Não podemos levar. É daqui da mesa para quem quiser." e a resposta foi "Mas tem bastante filha. Estou levando para você colorir em casa." A menina continuou argumentando e só se deu por satisfeita quando a mãe disse que iria perguntar a recepcionista se podia levar. O comentário da acompanhante para mim foi "Essa menina é um caso sério." e eu respondi "Não, ela é um caso CERTO."

Atenção!!!!! Estas situações não qualificam as mães em boas ou más, nem em melhores ou piores. Não se pode julgar quem quer que seja por uma única observação de menos de uma hora.

Meu objetivo neste post é chamar atenção aos modelos que são oferecidos às crianças. No primeiro caso, não será surpresa nenhuma se a criança chamar algum amiguinho de "abestado", ou aprenda a "implicar" para conseguir atenção. Mas a segunda menina já demonstra que o modelo da mãe não é o único determinante do comportamento de uma criança. 

Confesso que fiquei interessada em saber como a menina aprendeu a ter esta consideração com as outras crianças, pois a mãe e a acompanhante disseram que é uma constante, até mesmo nas festas de aniversário a menina não deixa que as pessoas se apossem de muitos doces. Sempre com o argumento que pode faltar para outras pessoas. Ali não era o local e nem o momento para uma coleta de informações para posterior análise funcional e tive que me contentar com as informações espontâneas das adultas e dos comportamentos possíveis de serem observados.

Fica a minha admiração àquela menina que não só demonstrou empatia com pessoas que ela nem conhecia, como não se importou de corrigir o comportamento da mãe na frente de estranhos e a firmeza de não abrir mão da sua opinião. Espero que ela cresça com esses valores, que seja um bom modelo para o irmãozinho (e para a mãe também, por que não?). E gostaria muito de encontrar mais adultos que pensassem e se comportassem como ela. Nossa sociedade está carente de pessoas quem pensem nos outros antes de pensar em si mesmas ou nos seus parentes.

Cristine Cabral

P.S. A minha filha ficou o tempo todo ao meu lado, também observando as crianças. Que será que ela achou?

terça-feira, 5 de março de 2013

O melhor estímulo

No último post assinado por mim O "mais, o "melhor", o "primeiro" comentei sobre a preocupação das mães em estarem estimulando as crianças desde os primeiros dias de vida. Para quem leu com pressa, ou sem a devida atenção pode ter parecido que sou contra a estimulação infantil. Por isso resolvi voltar ao assunto hoje.

Quero chamar a atenção não é para a estimulação em si e sim para o excesso desta. E que isso pode ser mais prejudicial do que saudável à criança. No caso de uma infância vivida sob a pressão da busca de resultados, com agenda cheia de atividades e com pouco tempo para lazer. Ou seja, a vida de um "mini-adulto".

Sem falar que se perde o prazer das descobertas, pois constantemente estimuladas os aprendizados naturais de cada fase passam despercebidos, pois estes já foram "adiantados" na fase anterior. 

Lembrei agora do desenho animado que mais gosto: Sid, o Cientista. Para quem não conhece o personagem toda manhã ele faz uma "descoberta" e a partir dela aprende "tudo" sobre aquela coisa. Faz tempo que fiz a faculdade de Letras, mas lembro vagamente sobre o Construtivismo um método de ensino que apreende a educação tendo como ponto de partida as experiências e conhecimentos já adquiridos pela criança. (Caso alguma pedagoga leia e queira colaborar deixando algo mais sobre o assunto nos comentário, só podemos agradecer)

Tem coisa mais linda que um bebê de poucos meses descobrindo as mãozinhas? Quem tem um em casa, observe a forma atenta como olha para cada dedinho. Quem já teve, espero que tenha tido a oportunidade de observar e lembrar. E esta beleza pode ser repetida e testemunhada em cada nova descoberta. O poder de ficar em pé, de conseguir andar, de saber-se capaz de subir e descer, a mágica de poder colorir com tinta ou giz de cera... nem que sejam as paredes.

Então, na minha humilde opinião, o melhor estímulo é a presença de alguém que seja importante para a criança. Para estimular a linguagem nada melhor do que ter alguém que fale com a criança. Tv, dvd´s educativos, brinquedos interativos que falam (muitas vezes em português, inglês e espanhol) estimulam sim a aquisição da linguagem, mas não ensinam a interagir com outras pessoas, não expressam sentimentos, não nomeiam para a criança o que ela está fazendo ou o que ela está sentindo.

Mais uma vez voltando aos meus tempos de psicóloga de empresa. Muitas vezes cheguei a entrevistar pessoas com currículo escolar impecável, mas sem nenhuma habilidade social. Não sabiam lidar com ansiedade, pressão ou frustração que poderiam reagir das mais diversas formas, desde uma explosão emocional no meio do ambiente de trabalho, ou mesmo a necessidade de ter um afastamento do trabalho por estresse ou depressão. Nenhuma das alternativas é interessante nem para a empresa, muito menos para a pessoa.

Então antes de estimular seus filhos a serem excelentes alunos, grandes profissionais, estimule-os a serem BOA GENTE. Pois é isso que eles (e todo mundo) são antes de ter qualquer papel na sociedade. Somos todos pessoas. 

Em outras palavras, estimule a se comunicar adequadamente, a compartilhar, ensine o nome dos sentimentos e como lidar adequadamente com cada um, principalmente com os desagradáveis. Não raro quando frustrada, minha filha quer jogar as coisas no chão, mas quando isso acontece digo a ela: "Você pode ficar com raiva, não tem problema, mas não pode se comportar mal por isso."

Agora tem um detalhe importante: só podemos ensinar o que sabemos. Caso você tenha dificuldades nos seus relacionamentos, não sabe lidar corretamente com seus sentimentos, quanto mais cedo procurar ajuda melhor. Não uma ou duas vezes aconteceu de uma criança chegar à clínica com queixa de não respeitar autoridades, de responder agressivamente às pessoas, de não gostar de ser contrariado, etc. E no desenrolar da terapia, com algumas entrevistas com os pais chegamos a conclusão de que a criança está apenas copiando um dos modelos que já tem em casa. Alguns pais reconhecem e partem a procura de ajuda, outros simplesmente não dizem nada, mas "desaparecem" da terapia, outros continuam insistindo que querem que a criança mude, mas que eles não tenham que mudar. 

O que você gostaria que seu filho falasse para você? Que ele a ama, que você é importante para ele? Então seja você o modelo. Diga para ele o que sente. Lembre-se criança não faz o que a gente diz. Faz o que a gente FAZ! Se você quer a companhia dele na sua velhice, crie e fortaleça o vínculo hoje, dê a sua companhia a ele hoje.

"Dê a quem você ama: asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar." Dalai Lama


Cristine Cabral


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O seu filho come bem ou mal?


Já há uns quatro dias que a Maria Eduarda está com tosse, nariz escorrendo...e o peito cheio. Ela costuma se alimentar muito bem e adora comida "de panela", mas nesses dias "doentinha" fica sempre sem grande apetite. Ontem na hora do jantar foi aquela festa para tentar que ela comesse metade da comida que estava no prato. Bem, depois de todos os argumentos e após algumas garfadas não insisti mais. Pulei essa etapa e fui para a fruta, que ela adora e lá foi uma banana quase toda. Ela ficou bem e eu dei-me por satisfeita. É importante não fazer que o momento da alimentação vire uma guerra de poderes entre pais e filhos.

A comida é uma necessidade primária que está diretamente associada ao prazer. O processo normal da ingestão é: sensação de fome - ingestão - prazer - saciação - detenção da ingestão. Nesta sequência só a saciação repetida que quebra  com este ciclo harmônico, pois podemos beber sem sede como também comer sem fome. É quando entra em jogo o que os pais ensinam aos filhos no que diz respeito a alimentação.


Um dos paradoxos atuais se dá no fato do padrão de beleza estar ligado ao "ser magro", ou esbelto. Mas é comum vermos bebês e crianças gordinhas, sim. Mas afinal, onde está o problema? Um problema comum é que as crianças não costumam se preocupar com o peso até uma certa idade, mas com a chegada da adolescência esta preocupação pode vir a tornar-se excessiva. Sendo mais comum este comportamento nas meninas.

Gosto de utilizar alguns casos com que me deparei enquanto psicóloga. Acompanhei um caso em que a criança vomitava diariamente, tinha muita falta de apetite e restrições alimentares... Descartado inicialmente algum problema físico ao conversar com a mãe não foi difícil encontrar o problema. Os hábitos alimentares da família eram "light" e "diet", mas ao extremo! A mãe tinha problemas com aumento de peso, então estava nessa constante guerra com a balança. A questão é que encaminhou o seu problema ao filho, sem querer claro! Como restringia a entrada dos alimentos em casa tornou a sua dieta a dieta do filho e o mesmo não estava a gostar nada disso. Claro que um caso desses envolve muitas variáveis e não vou conseguir explicar todos os detalhes e pormenores, mas queria mostrar o quanto os nossos hábitos alimentares influenciam a alimentação dos nossos filhos.

Situações esporádicas e pontuais podem não serem consideradas problema, agora quando isso se torna frequente e começa a ser prejudicial para a saúde da criança...sim é preciso intervir.

Aqui vão os Transtornos alimentares "maiores":

- Excesso de peso;
- Obesidade;
- Ruminação;
- Bulimia;
- Anorexia.

É importante detectar um problema a tempo como também descartá-lo depois de ser explorado. Cada transtorno referido será melhor explorado nos textos a seguir.

O bom é que os pais já estão mais conscientes disso e muitos já têm cuidado com o levam para casa. Até já adquiriram melhores hábitos para encorajar os filhos. A vida é isso mesmo uma eterna e constante aprendizagem! E admiro esta atitude. 


É muito simples, questione-se; O meu filho come bem ou mal?

Saudações de terras lusas!

Taciana Ferreira




sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Férias: Castigo para os pais?


Apesar de morar em Portugal e o ano escolar funcionar diferente do Brasil, todo ano a questão é a mesma em todo lado. Filhos de férias, o que fazer? Muitos pais trabalham os dois turnos e se vêem perdidos para preencher o tempo dos filhos, bem como conciliar os horários juntos e dar conta de tudo.

Se por um lado e diante de tantos "prós" é provável que muitos pais cheguem a considerar a férias dos filhos um castigo. Como ouvi um desabafo de uma mãe em uma loja de brinquedos com os três filhos a dizer: " Que castigo! Não vejo a hora das aulas voltarem para esses meninos terem o que fazer!".  A mãe estava comprando vários brinquedos educativos (ao menos) para entreter os filhos. Bom, a ideia é boa mas comprar brinquedos as quantidades e despachar para os filhos sem ter tempo, nem paciência para brincar com eles é jogar dinheiro fora. Ah e também aumentar a pilha de brinquedos esquecidos dentro de casa, o que eu chamo de "tralha".

Por outro lado é possível aproveitar as férias para curtir os seus filhos. Para os que tem menos tempo, tudo passa por um uma questão de se programar, separar os tempos livres e tentar usufruir o máximo da companhia das crianças. Já para os que tem mais tempo a "cobrança" aumenta, afinal os filhos vão estar o tempo todo a sua volta pedindo atenção! Não se desespere, nessas horas é preciso usar a criatividade. Em casa; vários programas infantis dão dicas de atividades, jogos e entretenimento paras as crianças, sem falar da internet com "n" sites infantis. Jogos ao ar livre, andar de bicicleta, pôr a meninada a gastar energia é sempre uma boa. É comum nesse período haver programação infantil livre, cinema infantil, teatro, nos jornais é possível encontrar essas informações. 

Sabemos que os pais são os modelos dos filhos, ou seja, muito do que eles fazem aprendem em casa com os pais. Ensinar os filhos a desenvolver competências sociais é sempre importante. Porque não aproveitar as férias para isso? Aqui vão algumas dicas do livro, Os Anos Incríveis: Guia de Resolução de problemas para Pais de crianças dos 2 aos 8 anos (Stratton, 2010).

Ensine as crianças a dar inicio a uma conversa e a entrar em um grupo

Esta é uma das primeiras competências sociais que se deve ensinar a crianças pequenas. As crianças precisam aprender como abordar um grupo, como esperar para uma abertura numa conversa e como pedir para participar numa atividade. É preciso praticar essas competências com a ajuda dos pais. Isto pode ser feito recorrendo a dramatizações.

Brinque sempre com o seu filho para modelar e estimular competências sociais

Os pais devem encorajar e elogiar as crianças quando estas demonstram saber brincar com os amigos. Durante estes períodos, demonstre e pratique como se joga à vez, como se partilha, se espera e se cumprimenta os outros. Elogiar o filho sempre que agir corretamente. Recorde-se que as crianças aprendem pelo seu exemplo, visto que o seu papel é modelar como se brinca em colaboração.


Convide colegas do seu filho para a sua casa - e supervisione as brincadeiras 

Projete atividades de colaboração, fazer uma experiência, montar quebra cabeça, jogar, etc. Supervisione as brincadeiras e esteja atento a sinais de que as interações possam estar a ficar fora de controle.

Ajude o seu filho a controlar a raiva

Quando uma criança começa a ficar perturbada devido a raiva, medo, ansiedade ou agressividade não consegue recorrer a competências  de resolução de problemas ou quaisquer outras competências sociais. É necessário promover nas crianças estratégias de controle emocional. A "técnica da tartaruga" põe a criança a imaginar que tem uma carapaça e que é preciso se recolher. Quando a criança recolhe para a sua carapaça inspira 3 vezes e diz: "Para. Inspira profundamente. Acalma-te". Em seguida ela visualiza uma cena de tranquilidade e diz a si própria: " Eu consigo me acalmar e sou capaz."

Desenvolva a empatia

Um relação calorosa e confiante entre pais e filhos contribui imenso para aumentar dos filhos construírem amizades saudáveis. O reforço da auto-imagem da criança como uma pessoa como valor, capaz de ser amiga, a aceitação e confiança em si própria influência na forma com que a criança deseja a aprovação dos seus pares. Procure ser um exemplo e um treinador. :)

Por fim e espero que não esteja cansado!

Leia com atenção, os filhos não são TRABALHO. Entenda que você não presta serviço aos seus filhos (risos). Sim, é preciso ter cuidado, tempo, carinho, dedicação e também cansa. O que se faz com amor faz-se bem. Quem AMA cuida. O afeto e o reconhecimento que se recebe são revigorantes.

Sinta o prazer de ser pai ou mãe...

Saudações de terras lusas!


Taciana Ferreira



terça-feira, 30 de outubro de 2012

Seu filho não é seu!


“Como assim?! Claro que meu filho é meu!!!” Você deve estar pensando. A psicóloga pirou de vez!!! (risos)

O título tem mesmo a intenção de mexer e cutucar com as mãezinhas que nos visitam. Quando digo que ele não é seu, é que quero dizer que ele é DELE!

Claro que enquanto pequenos e sem entendimento dos perigos da vida cabe a nós, mães, resolver o que é o melhor para nossas crias. Mas e quando eles já passam a ter opinião própria? Muitas mães continuam planejando e pensando por seus filhos mesmo depois de que eles estão adultos e com suas próprias famílias. Se ele for do tipo rebelde vai viver em “pé de guerra” com a mãe. Se for obediente, poderá ter muitos problemas no casamento, caso a esposa pense diferente da sogra. Assim sendo, quando mais cedo entendemos que nossos pequenos são pessoas, indivíduos e passamos a tratá-los como tal, mais suave serão as mudanças, os momentos de crise que fazem parte do desenvolvimento (dele e seu).

Continuando o tema da terça-feira passada com relação aos meus sonhos e os sonhos que a Nadine ainda nem tem... se me policio para não colocar nela as MINHAS expectativas o que procuro fazer é criar oportunidades de contato com tudo que possa vir a ser interessante e que está ao alcance. Por exemplo: pretendo colocá-la para fazer natação ano que vem (mais por segurança que por qualquer outro motivo). Pode ser só mais uma diversão, ou quem sabe ela toma gosto? Assim como pode ser que tome gosto por balé, ou judô, ou caratê, ou piano, ou quaaaaaalquer outra coisa que quando estiver maior e souber dizer no que tem interesse.

O importante é ficar atenta à criança e não aos seus sonhos. Estimular é importante, mas também deve ser interessante para a criança, se não pode virar punição. Quando Nadine tinha mais ou menos 1 ano e descia com ela para brincar no pilotis do prédio comecei a ensinar as cores mostrando os carros dos estacionamento, mas ela não se interessou tanto pelas cores, mas mais pelas letras e números das placas. Isso quer dizer que ela tem mais tendencia para ser escritora que ser artista plástica??? Isso significa NADA!!!

Um dos sonhos que me dá mais orgulho é que ela possa vir a ser uma escritora (Meu sonho infantil de carreira frustrado (pelo menos por enquanto)), mas esse sonho é MEU, não DELA.

No entanto os modelos que cercam o mundo da criança podem ser fatores decisivos. Eu gosto muito de ler, de escrever, de trabalhar com gente, já o pai dela trabalha com tecnologia da informação, tem um skate em casa, mesmo que esteja “aposentado” da atividade. Os avós paternos são bastante religiosos e ativos em movimentos de evangelização, a avó materna é extrovertida e gosta de viagens e festas enquanto o avô materno é tímido, sensível e também gosta de escrever. A minha pequena tem um leque bem diferenciado e pretendo ampliá-lo sempre mais e mais.

Cristine Cabral

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Crianças Responsáveis


As crianças não fazem o que nós dizemos para elas fazerem. O primeiro método de aprendizagem é por meio da imitação. Em outras palavras: se quer que seu filho tenha um determinado comportamento, primeiro você é quem tem que fazer.

Como você acha que seu filho se sentiria se você comesse um hamburgão, com batatas fritas e refrigerante, enquanto exige que seu pequeno tome uma sopa de abobrinha? Se sempre que você vai arrumar a casa o faz se queixando, reclamando, xingando quem desarrumou, como acha que seu pequeno vai realizar tal tarefa quando for a vez dele?
Nadine no Brasil

Tanto eu quanto a Taciana, já postamos fotos das nossas pequenas realizando tarefas domésticas. E sempre apareceu a “piada” do “Isso é trabalho infantil!”

Nenhuma de nós 2 temos empregadas. Taciana por morar em Portugal, não é da cultura de lá. E eu por entender que essa mudança cultural já está às nossas portas, pois assim como na Europa e Estados Unidos, em breve empregada doméstica será um luxo, por ser uma prestação de serviço cada vez mais cara. Não a toa que sempre ouço queixas de como é difícil encontrar uma boa empregada, o perfil do nosso país está mudando (não vou desenvolver nenhuma análise sociológica educacional aqui, apenas é um fato.)

Assim sendo o fato de nossas pequenas quererem lavar louças, ou varrer casas não é nada mais que uma imitação do comportamento que elas vêm constantemente em casa. E se elas passam a ver isso como algo da rotina (como escovar os dentes) não será uma “obrigação” penosa e sim só mais uma tarefa que faz parte do dia a dia.

Claro que aos 2, 3 anos não colocamos as pequenas para assumir estas tarefas, mas se elas demonstram interesse e se oferecem para “ajudar”, permitimos, mesmo que isso nos “atrapalhe” um pouco, pois é mais fácil tirá-las do caminho e terminar logo o que estamos fazendo, já que sempre temos um monte de coisas para resolver. Porém se gastamos alguns minutos ensinando e permitindo que elas “ajudem” teremos várias consequências excelentes: desenvolvemos nelas o hábito dos cuidados domésticos, dentro de alguns anos ganharemos uma ajuda extra, fortalecemos o vínculo e a identificação mãe-filha. Com poucos minutos elas se cansam e vão procurar outra atividade, mas a experiência fica como algo natural e espontâneo.

Maria Eduarda em Portugal
OBS. Estou sempre falando em FILHA, porque é o nosso caso, ambas temos meninas, no entanto tudo aqui vale também para os MENINOS.

Então, qual a idade adequada para ensinar responsabilidade aos pequenos? Desde sempre... terminou de brincar, sempre tem que guardar os brinquedos. “Mas ele só tem 1 aninho... é tão pequeno...”

Você se lembra como foi que criou o hábito de tomar banho todos os dias? Não, né! Assim ele se sentirá com relação à organização dos brinquedos. Você toma banho por obrigação, ou por gostar da sensação de estar limpa? Assim também será com ele, que com o tempo gostará da sensação de estar em um ambiente organizado.

Cuidado com trocas artificiais, por exemplo: “Se você for tomar banho, te dou um sorvete.” Os comportamentos devem ter suas consequências naturais e que acompanhem a pessoa ao longo da vida. Ou você quer que sua nora tenha que oferecer um sorvete ao seu filho para que ela tenha um marido “limpinho” (risos)????

Nos comportamentais chamamos essas trocas artificiais de reforçamento arbitrário, posteriormente pretendo escrever sobre isso aqui também, para que entendam melhor. Mas por hoje a mensagem é: seja VOCÊ o que você deseja que seu filho seja. Quer ter um pequeno leitor, então leia com ele, quer que ele coma verduras, então coma com ele, quer que ele seja organizado, então arrume com ele, não quer que ele bata nos amiguinhos, então não bata nele... (outro tema para, outro texto ;-) )

Cristine Cabral